Banco do Brasil, B3: 10 ações recomendadas por gestoras para investir em agosto


Paula Bezerra, do CNN Brasil Business, em São Paulo
03 de agosto de 2020 às 14:32 | Atualizado 04 de agosto de 2020 às 09:37
Prédio do Banco do Brasil

Prédio do Banco do Brasil: Empresa passou a compor a carteira recomendada por gestores do CNN Brasil Business em agosto 

Foto: Adriano Machado/Reuters

Marcado pela temporada de balanços do segundo trimestre e pela volta dos IPOs, o mercado financeiro entra na segunda metade do ano com expectativa de mais bonança – e ganhos – para os investimentos.

Embora pareça contraditório, já que a rodada de divulgação de resultados das companhias listadas no Ibovespa demonstram, de fato, os impactos da crise do novo coronavírus em suas receitas, os investidores estão embalados pela perspectiva da retomada econômica. E, claro, com a volta da agenda de reformas propostas pelo governo. 

Tendo esse cenário em vista, a bolsa brasileira já está próxima de movimentar o maior volume financeiro negociados da história. Enquanto nos doze meses de 2019, o Ibovespa movimentou R$ 3,77 trilhões, o valor já chegou a R$ 3,76 trilhões até o fim de julho de 2020.

Um dos motivos para esses valores terem subido tanto é o apetite dos novos investidores na bolsa para a renda variável, em meio a um cenário de juros tão baixos. E quem está surfando nessa onda pra lá de positiva é a B3, destaque em recomendações da carteira de agosto do CNN Brasil Business

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Para elaborar a carteira, recebemos recomendações de ações e avaliação dos principais setores que os investidores devem ficar de olho neste mês. Neste mês, as gestoras ouvidas foram Santander, Rico, Toro Investimentos, Guide, Genial investimentos, Easynvest, Gauss Capital e Banco Safra. 

Cada uma delas sugeriu 10 papéis, com peso respectivo de 10%, e analisou cinco setores da economia. As ações que receberam três recomendações, ou mais, entraram ou se mantiveram na lista. A mesma metodologia se deu para os setores.

A carteira

Se o mês de julho foi marcado pelas varejistas, com ações das Lojas Renner, Via Varejo e Magazine Luiza entre as preferidas dos gestores, em agosto, a grande aposta está no setor financeiro. Dos 10 papéis sugeridos pelas corretoras, quatro são do segmento. 

Novatos na carteira, os papéis do BTG Pactual e do Banco do Brasil deixaram para trás nomes como Ambev e Lojas Renner, que saíram da lista. Já o Bradesco, que havia deixado o ranking de julho, voltou com força neste mês e obteve cinco recomendações. Entre os principais motivos do favoritismo do setor estão a resiliência dos negócios em meio à pandemia, o “colchão” para lidar com o aumento da inadimplência e possibilidade de ganhos no longo prazo. 

No caso da B3, porém, a grande aposta nos papéis da companhia se dá pelo bom desempenho da bolsa brasileira. Além de captar cada vez mais adeptos à renda variável, as empresas estão tirando do papel os planos de IPO.

Na semana passada, por exemplo, o Grupo Soma, dono de grifes como Farm, Animale e Maria Filó, estreou na bolsa. Também são esperadas nas próximas semanas aberturas de capital de empresas como as construtoras You Inc e Melnick Even e da Compass Gás e Energia, controlada pela Cosan e que tem a Comgás como um dos negócios.

Diante desse cenário, a B3 passou a Petrobras em número de indicações e empatou com a Vale, que segue como favorita dos analistas. Ambas tiveram seis indicações, de nove gestoras consultadas. 

“A expectativa é que os números operacionais da B3 continuem com um volume mais forte neste 2020, especialmente de ações (segmento Bovespa) e futuros (segmento BM&F), em meio a um quadro de taxas de juros mais baixas e oportunidades dentro da renda variável”, afirma Henrique Esteter, analista da Guide. “Além disso, temos acompanhado forte noticiário ligado a IPOs e follow-on no segundo semestre de 2020, o que tende a beneficiar a companhia.”

Outra novata na carteira, a Eletrobras demonstra a aposta dos investidores no segmento de energia. Segundo os gestores ouvidos pelo CNN Business, além da possibilidade de privatização, a companhia, que recebeu três recomendações, apresentou melhora operacional, o que tem impactado positivamente na eficiência da companhia. 

“Outro ponto importante é que a melhora recente na articulação do governo com o Congresso pode propiciar um ambiente favorável à privatização da Eletrobras”, diz Jorge Junqueira, sócio da Gauss Capital. “Em nossas contas, a privatização pode fazer o valor da ação triplicar, assim como gerar um volume significativo de recursos para os governos federal e estaduais.

Desempenho do mercado

No mês passado, a bolsa acumulou ganhos de 8,27%, marcado principalmente pela nova safra de oferta de ações, assim como avanço no número de ingressantes da B3 – a proporção de pessoas físicas investindo na bolsa chegou a 27% no último dia 29 de julho, ante 24,2% no final de junho, ocupando espaço de institucionais e estrangeiros, que tiveram suas fatias reduzidas a 23,8% e 44,4%, respectivamente. No ano, porém, a bolsa apresenta queda de 11%. 

“Boa parte do otimismo dos investidores veio de dados positivos das principais economias globais, as quais parecem estar, mesmo que lentamente, retomando os níveis de aquecimento do pré-crise”, diz Daniel Herrera, analista da Toro Investimentos. “No Brasil, a mudança radical da postura do Poder Executivo também foi sentida: Bolsonaro está trabalhando para construir uma base ampla no Congresso e cessou críticas aos demais Poderes”, diz. 

Das 10 ações que encerraram o mês de julho atingindo o preço máximo dos papéis, cinco estão na carteira recomendada pelo CNN Brasil Business – sendo elas: Vale, B3, BTG Pactual, Magazine Luiza e Via Varejo. O destaque da máxima foi a WEG, que fechou o mês com valorização de 33%. Ela era uma das dez ações indicadas pela carteira.

Quem investiu nas dez indicações do CNN Business em julho, teve um retorno de 10,11%. Além da WEG, Via Varejo (27,5%), B3 (15,1%) e Magazine Luiza (12,6%) puxaram os valores para cima. Por outro lado, a carteira teve três ações que perderam valor no mês: Ambev (-1,7%), Lojas Renner (-1,6%) e Rumo (-1,2%).

Agora, mesmo em um cenário de juros baixos, com a Selic a 2,25% ao ano – e chance de recuar ainda mais, a expectativa é que o Ibovespa fique “lateralizado”, podendo alcançar os 107 mil pontos, mas oscilando entre esse patamar e o de 102 mil pontos. 

“Olhando para frente, os principais riscos nesse momento são a velocidade de recuperação da economia aqui e lá fora, a piora da relação entre EUA e China (podem haver consequências negativas para os acordos comerciais) e a aproximação da eleição presidencial americana, ainda que Trump tenha sugerido o seu adiamento em função da pandemia ”, diz Felipe Silveira, da Capital Research. 

O que esperar em agosto

Para o mês de agosto, a expectativa dos gestores é a de que o Ibovespa mantenha a tendência de alta. Segundo Daniel Herrera, analista de investimentos da Toro, o exterior tende a ser um vetor positivo para o mercado, assim como as próximas etapas da Reforma Tributária podem trazer mais apetite ao risco por parte dos investidores.

Confira, a seguir, o comentário sobre as ações mais recomendadas para o mês de julho:

B3: 
Ação: B3SA3
Comentário do analista: "A expectativa é que os números operacionais da B3 continuem com um volume mais forte neste 2020, especialmente de ações (segmento Bovespa) e futuros (segmento BM&F), diante do quadro de taxas de juros mais baixas e oportunidades dentro da renda variável. Além disso, temos acompanhado forte noticiário ligado a IPOs e follow no segundo semestre de 2020, o que tende a beneficiar a companhia", avalia Henrique Esteter, da Guide.

Já José Falcão Castro e Hugo Carone, analistas da Easynvest, afirmam que manter os papéis da B3 como top 5 da carteira da gestora foi uma decisão assertiva. "No decorrer de julho, B3SA3 continuou em forte movimento de alta que contribuiu para entregar um resultado em torno de 17% no período."

Vale: 
Ação: VALE3
Comentário do analista: "Seguimos otimistas com a geração de caixa robusta da Vale num cenário de preço de minério nos níveis atuais. Os estímulos do governo chinês visando a recuperação econômica do país asiático devem prover algum suporte para o preço da commodity evitando uma correção muito acentuada no curto prazo", avalia Jorge Junqueira, sócio da Gauss Capital.

"Adicionalmente, a recente decisão da Vale de voltar a distribuir dividendos de acordo com a regra vigente e a possibilidade da distribuição de um dividendo extraordinário ainda no curto prazo são fatores importantes para atrair grandes investidores internacionais", finaliza. 

Bradesco: 
Ação: BBDC4
Comentário do analista: "O modelo de negócios da empresa já se mostrou extremamente resiliente e com retornos robustos mesmo em períodos de forte crise no passado", diz Felipe Silveira, analista da Capital Research.

"Além disso, destacamos o elevado grau de provisão do resultado do Bradesco no primeiro semestre, que serve como uma espécie de colchão no balanço para amortecer o impacto de um possível aumento da inadimplência nos próximos trimestres. No mais, vale mencionar a atuação do Bradesco através do Next, o seu banco digital, que passou de 2,7 milhões de contas ao final do 2T20", analisa.

BTG Pactual: 
Ação: BPAC11
Comentário do analista: "Mesmo com o bom desempenho em julho, ainda confiamos que o banco seguirá com forte performance. Ainda vemos um potencial expressivo de valorização da ação com o mercado incorporando o rápido crescimento do digital, alternativas de alocação de capital por parte da empresa, em novas linhas de negócio, bem como a melhora do mercado de capitais com um novo ciclo de ofertas como IPOs que deve ser recorde", afirma Jorge Junqueira, sócio da Gauss Capital.

Eletrobras: 
Ação: ELET3
Comentário do analista: "Dentre todas as empresas do setor, aquela para qual vemos o maior ganho potencial é a Eletrobras. O trabalho de melhora operacional conduzido pelo CEO, Wilson Ferreira Jr, tem aumentado de forma significativa a eficiência da companhia", diz Junqueira, da Gauss Capital.

"Acreditamos que o preço atual da ação não reflete esta melhora, mostrando assim ganhos potenciais mesmo sem a necessidade de se pensar em privatização. Além disso, como ganho potencial adicional, acreditamos que a melhora recente na articulação política e na relação do Governo Federal com o Congresso, pode propiciar um ambiente favorável à discussão de uma eventual privatização da Eletrobras, que em nossas contas poderia fazer o valor da ação triplicar", afirma. 

Banco do Brasil: 
Ação: BBAS3
Comentário do analista: Para a Rico Investimentos, mesmo que o setor de bancos tenha apresentados números aquém do esperado, quando comparado a outros setores, o Banco do Brasil está sendo negociado abaixo do valor patrimonial – e ele não corre risco de insolvência. Além disso, tem avançado no digital e está bem exposto ao setor agrícola. 

Magazine Luiza:
Ação: MGLU3
Comentário do analista: "Mesmo com a pandemia e impactos no varejo físico, a Magalu conseguir se manter resiliente, principalmente, pela forte exposição ao e-commerce. A política de aquisições constantes faz com que aumente o potencial nos seus resultados futuros", aponta Daniel Herrera, analista da Toro Investimentos.

"A companhia deve ser vista não somente como uma empresa de varejo, mas sim, uma empresa de tecnologia multicanal. Entendemos que MGLU3 se mantém firme numa tendência de alta no médio prazo, por isso, recomendamos a compra do papel para este mês", conclui. 

Petrobras: 
Ação: PETR4
Comentário do analista: Segundo a análise da Rico, a companhia tem passado por uma espécie de "mini privatização", fazendo com que ela se torne mais enxuta e eficiente. Além disso, há a trajetória decrescente do seu endividamento,  abertura do mercado de gás natural e venda das refinarias, que podem destravar enorme valor para as ações.

"Empresa vem divulgando bons resultados operacionais, mostrando que tem conseguido se tornar mais eficiente, gerando caixa e diminuindo seu endividamento, por isso, acreditamos que os lucros devem avançar nos próximos meses", disse a Rico, em nota enviada ao CNN Brasil Business.

Rumo S.A: 
Ação: RAIL3
Comentário do analista: "Em relação à Rumo, a empresa vem entregando resultados robustos, reportando uma forte geração de caixa operacional, com crescimento dos volumes transportados e ganhos de eficiência em sua operação. Acreditamos que essa tendência positiva deve permanecer em 2020, mesmo com o cenário adverso para as economias globais com o impacto do Covid-19, reportando volumes recordes de embarque de grãos para a China no 1T20", diz Esteter, da Guide.

"A empresa ainda possui contratos comerciais com clientes que garantem a previsibilidade de 70% das receitas, por meio de volumes acordados antes do início da safra. Ou seja, a Rumo consegue se defender da volatilidade do mercado, e de influências externas – algo que torna o ativo relativamente mais defensivo quando comparado a outros players do mercado", explica o gestor. 

Via Varejo: 
Ação: VVAR3
Comentário do analista: Para Henrique Esteter, da Guide, a consolidação da atuação multicanal, com o  foco na ampliação de suas vendas, redução de despesas e aprimoramento de seus sistemas operacionais tendem a trazer valor importante para Via Varejo no médio prazo. Com o início da crise da Covid-19 e as medidas de isolamento social, a companhia intensificou suas ações relacionadas ao desenvolvimento da estrutura online.

Esteter aponta que o canal digital passou a representar mais de 34% do volume bruto de mercadoria (GMV), com os aplicativos da Casas Bahia e Ponto Frio saindo de 1,5 milhão de downloads em junho do ano passado para mais de 15 milhões um ano depois.

Além disso, o analista avalia que o follow on realizado recentemente no valor de R$4,45 bilhões, a capitalização via debêntures de R$1,5 bilhão e o alongamento das dívidas de curto prazo com fornecedores devem trazer a solidez financeira necessária para que a Via Varejo amplie sua capacidade de atuação no setor, destravando valor importante para a companhia.

"Destacamos ainda o valuation atrativo, VVAR3 é negociado a 1,3x EV/Receita , enquanto MGLU3 é negociado a 4.6x e BTOW3 a 7.0x", conclui.

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