Por que a Ant, fintech do Alibaba, deve ter o maior IPO da história?


Do CNN Brasil Business*, em São Paulo
25 de agosto de 2020 às 18:21 | Atualizado 26 de agosto de 2020 às 12:07

Está para acontecer o maior IPO (oferta pública inicial, na sigla em inglês) da história. O Ant Group, que é a fintech da empresa de comércio eletrônico chinesa Alibaba, entrou com um pedido de listagem dupla em Hong Kong e também em Xangai. A meta? Captar até US$ 30 bilhões, o que a transformaria na maior abertura de capital de toda a história.

Essa cifra faria com que a empresa passasse a gigante do petróleo Saudi Aramco, da Arábia Saudita. Em dezembro do ano passado, a empresa captou US$ 29,4 bilhões ao entrar no hall de empresas de capital aberto. Antes dela, o recorde tinha sido do próprio Alibaba, em 2014, quando conseguiu levantar US$ 25 bilhões. 

O Ant pretende vender entre 10% e 15% de suas ações, disse uma fonte. A Ant afirmou em seu prospecto que não planeja menos de 10% de seu capital social ampliado na listagem dupla.

Os números ainda não são oficiais, mas o fato é que o Ant é o unicórnio – alcunha dada às startups que possuem valor de mercado acima de US$ 1 bilhão – mais valioso do mundo. Em sua última rodada de investimentos, ocorrida em 2018, a empresa foi avaliada em US$ 150 bilhões. Atualmente, se estima que a companhia valha US$ 200 bilhões.

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Ant; Alibaba

 

Foto: Reuters/Shu Zhang

Mas por que uma empresa de pagamentos é tão valiosa? Criada em 2003, a empresa foi lançada como uma ferramenta de pagamento móvel da gigante de comércio eletrônico – modelo que o Mercado Livre também possui com a sua ferramenta Mercado Pago. Hoje, cerca de 54% de todo o comércio eletrônico chinês, passa pela plataforma. Em dólares, é o equivalente a US$ 7,6 trilhões por ano. 

E isso ajuda a inflar ainda mais o negócio do Alibaba, que segue superando as estimativas do mercado. Na última quinta-feira (20), a empresa fundada por Jack Ma anunciou que o seu faturamento foi US$ 19,3 bilhões no segundo trimestre. O lucro da empresa mais do que dobrou. 

Desafios

Um dos motivos dados pela Ant para a abertura de capital é captar dinheiro para para expandir sua base de usuários e ampliar pagamentos internacionais, bem como aprimorar suas capacidades de pesquisa e desenvolvimento.

Porém, existe o fator Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos, de olho na eleição de novembro, mirou toda a sua artilharia para empresas chinesas, como a Huawei e o TikTok, rede social da Byte Dance. 

A empresa foi avaliada em cerca de US$ 150 bilhões em sua última rodada de investimento em 2018, que atraiu investidores como Temasek e Warburg Pincus.

O Alibaba ainda não foi ameaçado com os mesmos tipos de sanções que o presidente dos EUA, Donald Trump, propôs ou impôs contra outras empresas de tecnologia chinesas. E Trump até falou com carinho do fundador da empresa Jack Ma, chamando-o de “um amigo meu” no início deste ano, após o bilionário chinês afirmar iria doar suprimentos para combater a pandemia do coronavírus.

No entanto, a empresa está na cabeça das autoridades norte-americanas. O secretário de Estado, Mike Pompeo, citou nominalmente o Alibaba na semana passada, quando instou as empresas norte-americanas a removerem tecnologia “não confiável” de propriedade chinesa de suas redes digitais.

A diferença é que a empresa, ao contrário de suas rivais, ainda não tem uma operação tão forte fora da China. Então, como o objetivo é captar dinheiro para a expansão internacional, a conta pode ser prejudicada pela guerra comercial. 

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* com informações da Reuters