A um ano do fim do mandato, Roberto Azevêdo deixará direção da OMC nesta segunda

Diplomata brasileiro anunciou em maio que deixaria o principal posto da Organização Mundial do Comércio. Ele terá 1ª experiência no setor privado na PepsiCo

Da CNN, em São Paulo*
31 de agosto de 2020 às 02:00 | Atualizado 31 de agosto de 2020 às 02:36
Roberto Azevêdo
Foto: CNN (14.mai.2020)

Está programada para esta segunda-feira (31) a saída formal de Roberto Azevêdo do cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), um ano antes do fim estipulado para seu mandato.

Em 14 de maio, o diplomata de carreira brasileiro anunciou que deixaria o cargo em 31 de agosto, reduzindo seu segundo mandato em exatamente um ano. Segundo ele, a renúncia pretende dar mais tempo para que o órgão escolha seu sucessor, sem que o processo dispute atenção com os preparativos para a 12ª Reunião Ministerial, que acontecerá em 2021. 

Recentemente, Azevêdo foi anunciado como futuro vice-presidente executivo e diretor de assuntos corporativos da multinacional PepsiCo. De acordo com a empresa, ele assumirá o cargo a partir do dia 1º de setembro. Essa será sua primeira experiência no setor privado, após mais de 30 anos em carreira diplomática. 

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Azevêdo foi nomeado chefe da OMC pela primeira vez em 2013 para um mandato de quatro anos. Em 2017, os membros da organização intergovernamental o renomearam para um segundo mandato, que terminaria em 31 de agosto de 2021.

Atualmente, o comércio mundial e a OMC enfrentam desafios sem precedentes colocados pelo unilateralismo e o protecionismo. Apesar de sua saída prematura, Azevêdo disse que nunca duvidou do papel vital que o sistema da OMC desempenha na ordem econômica e comercial mundial. Ele ressaltou que a OMC é indispensável, embora possa não ser perfeita.

“23 anos da minha vida profissional foram intrinsecamente ligados a esta organização. E tive muitos momentos de felicidade, devo dizer-vos, mas também, como a maioria de nós, também a minha quota de decepções. Mas mesmo, mesmo na pontos mais baixos, nem uma única vez nesses 23 anos duvidei do papel que este sistema desempenha na melhoria de vida das pessoas em todo o mundo", disse Azevêdo em seu discurso de despedida ao Conselho Geral da OMC em 23 de julho.

"Conseguimos muito e devemos nos orgulhar disso. Mas ainda há muito a ser feito. E eu desejo o próximo Diretor-Geral terá muito sucesso ao enfrentar esses e outros desafios ", acrescentou o brasileiro.

 

Escolha de sucessor

O processo de seleção para o novo chefe da organização começou oficialmente em 8 de junho.

Ao todo, oito candidatos para o cargo foram indicados pelos respectivos governos para suceder Azevedo. Eles são Ngozi Okonjo-Iweala da Nigéria, Abdel-Hamid Mamdouh do Egito, Amina C. Mohamed do Quênia, Yoo Myung-hee da Coreia do Sul, Mohammad Maziad Al-Tuwaijri da Arábia Saudita, Liam Fox do Reino Unido, Tudor Ulianovschi da Moldávia e Jesus Seade Kuri do México.

* Com informações da Reuters