BB quer vender e financiar 4 mil imóveis pela internet (e com desconto). Entenda


André Jankavski, do CNN Brasil Business, em São Paulo
02 de setembro de 2020 às 08:50 | Atualizado 02 de setembro de 2020 às 16:13
Prédio do Banco do Brasil

Prédio do Banco do Brasil: além de imóveis retomados, banco estatal quer vender prédios corporativos 

Foto: Adriano Machado/Reuters

O Banco do Brasil (BBSA3) tinha um problema recorrente ano após ano. Com a inadimplência de clientes, imóveis que estavam em garantia de empréstimos ou financiamentos eram retomados pela instituição.

Obviamente, o problema é ainda maior para os clientes (que ficam sem o ativo), mas a partir da retomada do imóvel, o banco passa a ter gastos que não estavam em seu planejamento – e, claro, deixam de receber inclusive as parcelas do crédito fornecido.

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Atualmente, o banco possui cerca de 4 mil imóveis nessas circunstâncias, com valor médio de R$ 133 mil – o equivalente a R$ 532 milhões. Para recuperar parte do dinheiro perdido (e até lucrar), o melhor caminho seria vender, correto?

O problema é que, até 2020, o modelo escolhido pelo banco estatal era o de leilão. Logo, algo que a maioria das pessoas sequer sabia quando seria a realização. Resultado: menos de 1% dos imóveis eram vendidos.

A saída encontrada pelo BB foi (surpresa) vender os imóveis pela internet. No fim do ano passado, o banco estatal fez uma parceria com a startup Resale, que organiza todo o inventário e criou o portal Seu Imóvel BB.

Com isso, o aumento das vendas deu um grande salto: o índice de assertividade na venda chegou a 25%. E o vice-presidente corporativo do BB, Mauro Ribeiro Neto, acredita que o percentual vai aumentar ainda mais nos próximos meses.

“Vendemos 205 imóveis no auge da pandemia e no ano passado inteiro vendemos menos de 500”, diz ele. “Agora queremos entrar também no financiamento desses imóveis.” 

Explica-se: até agora, não era possível financiar os imóveis retomados pelo BB. Para dar celeridade ao processo, o banco permitia apenas compras à vista ou parceladas em quatro vezes, sem juros. Com isso, os imóveis tinham descontos de até 70%.

Por isso, o banco já começou a fazer um piloto de financiamento. Nesse trimestre, por exemplo, a ideia é vender 60 imóveis por mês, mas também dar crédito para outros 40. “Se isso pegar, se tornará uma linha de negócios nova”, diz ele.

Desta maneira, segundo Ribeiro Neto, é possível que, no médio prazo, essa carteira seja esgotada. Se a meta de ter 100 imóveis (entre financiamentos e vendas) for atingida, o total no ano seria de 1200. Porém, como o banco retoma cerca de 800 imóveis todos os anos, em uma conta de padaria, demoraria dez anos para que a carteira de imóveis fosse zerada – na melhor das hipóteses, obviamente.

Mas como, aparentemente, os clientes estão indo atrás de imóveis, o executivo está otimista. Mesmo em meio à pandemia, segundo dados da pesquisa FipeZap, a intenção de compra de um imóvel para os próximos três meses está no maior patamar desde meados de 2014.

E em um momento em que as provisões do banco, por medo de calotes, estão altas, ter uma nova vertente de negócio anima Ribeiro Neto.

“Precisamos ser o mais eficiente possível, pois há muita competição com os juros baixos e precisamos ter uma obsessão com a eficiência”, diz ele.

Venda de prédios comerciais

Não são apenas os imóveis retomados pelo BB que são alvo de venda. O banco estatal está aproveitando a quarentena para mudar a forma de seus funcionários trabalharem e, de quebra, conseguir se livrar de alguns prédios comerciais. 

Com 32 mil funcionários trabalhando de casa durante a pandemia (de um total de 93 mil colaboradores), a empresa percebeu que não fazia sentido manter tantos prédios sob controle. Por isso, a instituição pretende devolver 19 de um total de 35 edifícios de escritórios.

As áreas corporativas devem ficar em um regime que mistura o homeoffice com o presencial. Com isso, o Banco do Brasil investirá R$ 500 milhões em reformas para remodelação dos escritórios. Porém, mesmo com esse gasto de meio bilhão de reais, Ribeiro Neto estima que haverá uma economia de R$ 1,7 bilhão no longo prazo.

Essa economia seria realizada em 12 anos, com economia média de R$ 185 milhões ao ano. 

"Até 2022 já teremos uma economia de R$ 500 milhões e ainda teremos a alienação de alguns imóveis", diz ele.

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