Gastos com turismo estrangeiro em agosto somam o menor valor desde 2004

Além da alta do dólar, o resultado reflete também outros impactos da pandemia da Covid-19 no setor de turismo, que levou a suspensão de voos

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
23 de setembro de 2020 às 13:50
Movimentação no aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre (RS), nesta quinta-feira (21). As atividades foram reduzidas devido a pandemia de coronavírus.
Foto: MIGUEL NORONHA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Os gastos dos brasileiros com viagens ao exterior em agosto somaram US$ 270 milhões, mantendo o padrão dos últimos meses de baixo patamar. O valor é o menor para meses de agosto desde 2004, quando o registrado foi US$ 247 milhões. O resultado também representa um tombo de 79,3% ante o mesmo mês do ano passado. 

Os números são da nota de Setor Externo, divulgada pelo Banco Central nesta quarta-feira (23). Além da alta do dólar, o resultado reflete também outros impactos da pandemia da Covid-19 no setor de turismo, que levou a suspensão de voos e ao fechamento de fronteiras. 

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No acumulado do ano até agosto, as despesas dos brasileiros no exterior somam US$ 4,110 bilhões. O valor é 65,7% inferior ao registrado no mesmo período de 2019. 

Despesas estrangeiras no Brasil

Também impactados pela crise econômica e sanitária no setor de turismo, os gastos de estrangeiros no Brasil também caíram 68,8% em agosto, ante mesmo mês de 2019, totalizando US$ 146 milhões. 

Nos oito primeiros meses do ano, os turistas estrangeiras gastaram US$ 2,218 bilhões no Brasil. O número mostra recuo de 46% em relação ao mesmo período do ano passado. 

Com a queda de ambos, gastos estrangeiros no país e gastos de brasileiros no exterior, o desempenho da conta de serviços de viagens do acumulado de 2020 melhorou 75,9%, na comparação com o mesmo período de 2019. De janeiro a agosto, a conta de viagens registrou déficit de US$ 1,892 bilhões. Em agosto, a despesa de brasileiros no exterior foi US$ 123 superior ao que estrangeiros gastaram no Brasil. 

Contas externas 

As contas externas do Brasil registraram superávit de US$ 3,721 bilhões em agosto. Além de ser o melhor resultado da série histórica para meses e agosto, o valor representa uma melhora significativa em relação ao rombo de US$ 3,032 bi no mesmo período de 2019.  

O resultado foi influenciado, principalmente, por uma melhora significativa da balança comercial do mês, que avançou cerca de 67,7% ante agosto de 2019. 

Resultado de US$ 17,810 bilhões em exportações e US$ 11,850 bilhões em importações, a balança comercial foi superavitária em US$ 5,960 bilhões em agosto. No mesmo mês do ano passado, o superávit foi de US$ 3,552 bi. 

A conta de transações correntes é formada pela balança comercial, pelos serviços adquiridos por brasileiros no exterior e pelas rendas, ou seja, remessas de juros, lucros e dividendos do país para o exterior. Para este ano, a previsão do Banco Central é de um rombo de US$ 57,7 bilhões nas contas externas brasileiras.

Investimentos 

O Investimentos Direto no País (IDP) somou US$ 1,430 bilhões em agosto. No mesmo do ano passado, o IDP registrou US$ 9,524 bilhões. Ou seja, os investimentos no país recuaram 84,9% na comparação anual. 

No acumulado de 2020, o valor do IDP soma US$ 26,957 bilhões. Para o total de 2020, o BC projeta que o IDP feche em US$ 80 bilhões.  

Além do retorno de investimentos brasileiros no exterior, o IDP é formado por recursos da participação no capital e por empréstimos diretos concedidos à filiais de empresas multinacionais no país.

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