Home office faz viagens a lazer de executivos aumentarem 550%, diz associação

Isolamento ainda traz consequências para a economia do setor de transporte aéreo de passageiros

Gustavo Lago, da CNN, em São Paulo
25 de setembro de 2020 às 10:09 | Atualizado 27 de setembro de 2020 às 08:01
Aviões estacionados durante pandemia de coronavírus (26.mai.2020)
Foto: REUTERS/Ivan Alvarado

Em meio ao cenário de pandemia, muitas empresas colocaram parte de seus funcionários em home office, como medida de segurança para conter a propagação do coronavírus. Por sua vez, o isolamento ainda traz consequências para a economia do setor de transporte aéreo de passageiros.

Segundo a Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), a emissão de bilhetes destinados a executivos de empresas que viajam a trabalho se recupera em marcha lenta.

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Após a queda de 90,2%, no primeiro trimestre deste ano, comparado com o mesmo período do ano passado, as vendas de passagens coorporativas registraram crescimento de 27%, entre os meses de julho e agosto. Resultado bastante fraco, segundo especialistas da área.

E na contramão, as vendas de pacotes turísticos domésticos, pelas mesmas agências, tiveram um salto de 550%, no mesmo período. 

As compras foram feitas diretamente por executivos das corporações atendidas pela entidade. O total do valor arrecadado com as emissões destes bilhetes passou de R$ 59 mil em junho, para R$ 742 mil em agosto.

O presidente executivo da Abracorp, Gervasio Tanabe, explica que, com proposta do home office, muitos funcionários passaram a trabalhar de locais remotos e, por tanto, estão viajando; e faz uma ponderação para que as empresas voltem a utilizar o serviço das viagens corporativas e assim reaquecer o setor.

“Quando o trabalhador está de home office, ele aproveita para viajar. As grandes empresas precisam entender que, segundo os indicadores, já há um cenário de estabilidade em relação à pandemia, no Brasil. Empresas aéreas, hotéis e colaboradores estão respeitando os protocolos de segurança. Com a forte representação das viagens corporativas no mercado, é fundamental que elas retomem o quanto antes, claro, com segurança”.

De acordo com a entidade, que faz a gestão de 27 agências do segmento, em 2019, foram emitidas mais de 4 bilhões de passagens aéreas (4.654.233.840), entre as companhias Gol, Azul, Latam, Avianca, Passaredo e Deste total, cerca de 55% foram atribuídos às viagens corporativas.