Planalto analisa solução alternativa para financiamento do Renda Cidadã

Parte da equipe técnica do Planalto que analisava o texto do projeto interrompeu os trabalhos à espera de uma definição sobre o projeto

Renata Agostini
Por Renata Agostini, CNN  
30 de setembro de 2020 às 18:30

Após críticas de investidores e de integrantes do próprio governo, o Palácio do Planalto começou a avaliar uma alternativa para o financiamento do Renda Cidadã, programa social que irá substituir o Bolsa Família.

As conversas começaram na terça-feira durante encontro do ministro da Economia, Paulo Guedes, com o presidente Jair Bolsonaro, e seguiram nesta quarta-feira, segundo integrantes do governo relataram à coluna.

Parte da equipe técnica do Planalto que analisava o texto do projeto interrompeu os trabalhos à espera de uma definição sobre o projeto.

Na reunião na terça-feira no Palácio do Planalto, as críticas de Guedes à solução do uso de precatórios para financiar o Renda Cidadã foi reforçada por outros integrantes da equipe econômica, como o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Leia e assista também

Guedes: jamais usaremos precatórios para financiar programa 'A' ou 'B'

Exclusivo: BC alerta Planalto sobre impacto do Renda Cidadã no rating do Brasil

Também participaram da conversas o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, e os ministros Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, Walter Braga Netto, da Casa Civil, e Fábio Faria, das Comunicações.

Integrantes da articulação política também relataram a parlamentares que a solução encontrada não foi a melhor e que seria preciso repensar.

A aliados, o ministro disse que sua equipe estava estudando uma forma de mexer no pagamento de precatórios, mas não como uma solução para financiar o Renda Cidadã. Ele segue defendendo o modelo do antigo Renda Brasil, cujo financiamento era baseado em corte de despesas, como o fim de alguns auxílios sociais.

A decisão agora está com o Planalto e com a articulação política.

Além da forte reação dos investidores, o Congresso também enviou recados que a tramitação da proposta seria difícil, especialmente diante da sugestão de retirar recursos do Fundeb, que financia a educação básica no país.