Viagens, Uber, roupa, filé mignon: Veja o que ficou mais barato na crise


Juliana Elias, do CNN Brasil Business, em São Paulo
14 de outubro de 2020 às 05:00 | Atualizado 14 de outubro de 2020 às 12:31

A alta generalizada nos preços das comidas pesou no bolso de todos. Aumentos como o de 40% do arroz e de 35% do feijão, considerada a variação desde o início do ano, assustam o orçamento de qualquer brasileiro que consome, ou consumia, esses produtos quase todos os dias. 

São itens, porém, que contam só uma parte da história. Para além das prateleiras do supermercado, há uma centena de produtos e serviços com reajustes muito fracos ou que estão até mais baratos agora do que no começo do ano, antes do baque da pandemia na economia. 

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Comércio

Movimento do comércio de rua durante a flexibilização do isolamento social no Rio de Janeiro

Foto: Tomaz Silva - 02/06/2020/Agência Brasil

Em um mundo onde as pessoas acabaram saindo menos de casa, são itens ligados a transporte e viagens que lideraram os cortes de preços: as duas maiores quedas do ano são as das passagens aéreas, que despencaram 55% desde janeiro, e dos transportes por aplicativo, como Uber, 99 e Cabify. Uma viagem por eles hoje ainda sai em média 22% mais barata que antes da pandemia. 

Seguro de carro (-11,9%), etanol (-9,7%), as viagens de ônibus interestadual (-9%) e hotéis (-8,9%) são outros que também ficaram bem mais baratos após a pandemia. As liquidações da Covid-19 incluem ainda roupas, artigos escolares (como caderno e mochila) e móveis para a casa. Veja a lista com as principais quedas ao fim.

Os números fazem parte do IPCA de setembro, indicador oficial de inflação do país calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que acompanha mensalmente a variação dos preços de 370 produtos e serviços em diversas capitais para chegar ao resultado final. 

Desses, cerca de 100 estão com queda no preço considerada a variação desde o início do ano – e são eles que ainda estão segurando a inflação de 2020 como uma das mais baixas já registradas no país, a despeito da disparada nos preços dos alimentos. Em 12 meses, o IPCA sobe 3,1% e, no ano, a alta é de apenas 1,3%. Os alimentos (nos supermercados) estão 9% mais caros.

As roupas masculinas estão em média 2,6% mais baratas, as femininas caíram 5,4% e os móveis tiveram corte de 8,7%. Alguns itens, como agasalhos, têm queda de até 10%. 

“Os números da inflação mostram quedas muito mais ligadas à restrição da circulação do que a um efeito de redução de renda”, disse o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves. 

“É claro que houve uma redução de renda relevante, mas, nesses casos, a pessoa consegue substituir: se o arroz está caro, ela troca por outra coisa ou deixa de comprar outra coisa para continuar comprando a mesma quantidade de arroz. Mas a redução de circulação não é assim. Ou você saiu ou não saiu. É um consumo que deixou de existir.”

Desconto no filé mignon

Nos supermercados, uma pequena boa notícia: enquanto arroz, feijão, frutas (+12%), saladas (12,3%), frango (+5,8%) e leite (+30%) disparam, tem muita carne vermelha que está consideravelmente mais barata hoje do que no começo do ano, depois de também terem passado por uma arrancada dos preços no fim do ano passado com um pico de compras da China. 

Campeão dos descontos, o preço do filé mignon já caiu 20% em 2020. Alcatra (-9,1%), contra-filé (-4%) e picanha (-2,9%) são outros que têm redução no ano, embora já tenham voltado a subir em setembro. 

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