Bolsonaro defende criação de acordo tributário com os Estados Unidos

Em participação gravada para a abertura da Cúpula da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, presidente defende, também, um abrangente acordo comercial

Anna Russi e Bruno Silva, da CNN, em Brasília
19 de outubro de 2020 às 10:32 | Atualizado 19 de outubro de 2020 às 12:41

O presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou, nesta segunda-feira (19), que espera um futuro acordo tributário com os Estados Unidos, bem como um acordo comercial. 

"Para o Futuro vislumbramos um arrojado acordo tributário, um abrangente acordo comercial e uma usada a parceria entre nossos países para redesenhar as cadeias globais de produção", disse em participação gravada para a abertura da Cúpula da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. 

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Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto
Foto: Ueslei Marcelino - 07.out.2020 / Reuters

Segundo ele, a junção dos esforços de ambas as nações pode acelerar a recuperação dos dois países diante dos impactos sociais e econômicos causados pela pandemia de Covid-19. 

Para o presidente, os atuais governos, do Brasil e dos Estados Unidos, levaram a relação dos dois países ao "melhor momento". 

"Inauguramos uma nova etapa no relacionamento entre as duas novas economias e democracias do Hemisfério. A prioridade que o Brasil confere a essa relação é clara e sincera: desde o início de meu governo visitei os Estados Unidos em quatro oportunidades, e em todas o presidente Trump. Além disso, nosso Ministro [Paulo Guedes] tem trabalhado em ritmo acelerado em busca de resultados que contribuam ainda mais para a prosperidade de nossos países", comentou. 

Bolsonaro, citou ainda três acordos bilaterais assinados há poucos dias, para a facilitação de comércio, para as boas práticas regulatórias e para o combate à corrupção. "Esse pacote triplo será capaz de reduzir burocracias e trazer ainda mais crescimento ao nosso comércio bilateral com efeitos benéficos também para o fluxo de Investimentos", avaliou. 

Ele destacou também um outro acordo na área de defesa, com um projeto de pesquisa, desenvolvimento, teste e avaliação. "(o projeto) Tem nos permitido abrir novas oportunidades de cooperação entre as forças armadas e as indústrias de ambos os países. Esse é o primeiro acordo dessa modalidade que o Estados Unidos firmaram com países da América do Sul, o que também demonstra a disposição do lado americano e aprofundar a relação bilateral", argumentou.

Entrada na OCDE 

Bolsonaro comentou que a entrada na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é um passo importante para a inserção do Brasil no cenário internacional. "A entrada na organização é um firme propósito do Estado brasileiro para o qual temos muito nos empenhado, tanto em nível técnico quanto político", observou. 

O presidente ainda afirmou que conta com o apoio do governo norte-americano nesse processo. Apesar de precisar da aprovação de todos os integrantes para entrar na OCDE, o Brasil depende de apoio dos Estados Unidos, que tem forte peso na organização. 

"O ingresso do Brasil na OCDE irá gerar efeitos positivos para atração de investimentos nacionais e internacionais e será mais uma evidência da nossa disposição de assumir compromissos e responsabilidades compatíveis com a importância do nosso país no sistema internacional", acrescentou. 

Administrativa é prioridade 

Bolsonaro ressaltou a agenda de reformas e sinalizou que a próxima proposta do governo a andar no Congresso será a administrativa. "O próximo passo será a aprovação da reforma administrativa, que tem o objetivo de modernizar a gestão pública e vai resultar em uma economia de cerca de R$ 300 bilhões ao Estado brasileiro nos próximos 10 anos", disse. 

Vale destacar que, apesar de a primeira parte da proposta do governo para a reforma tributária já estar no Legislativo, o envio das demais etapas está atrasado por um desentendimento a respeito da criação de um novo imposto sobre transações, comparado pelo mercado e pela indústria com a antiga CPMF. "Também trabalhamos no projeto de reforma tributária, que promoverá a unificação de impostos e resultará em um sistema de arrecadação mais simples, justo e racional, atendendo uma antiga demanda da população brasileira e dos investidores internacionais", lembrou.  

O presidente observou ainda os novos marcos legais de diversos setores, como a matriz energética. "Estamos abrindo o mercado de gás natural, o que aumentará a oferta de energia barata para a população e indústria. Os biocombustíveis também são essenciais nesse processo de reforma de nossa matriz energética, contribuído para que essa seja uma das mais limpas do planeta", destacou. 

De acordo com Bolsonaro, a economia mundial passa por Profundas transformações, que vão mudar sua estrutura nos próximos anos. "Nesse cenário complexo tem uma firme convicção de que há enorme potencial para que o Brasil e os Estados Unidos avancem em nossa agenda de cooperação em diversas áreas de interesse comum", defendeu. 

Ele convidou os investidores a examinarem a carteira de programa de parcerias de investimentos (PPI), e conhecerem melhor as oportunidades de investimentos no Brasil no que diz respeito às concessões e privatizações.

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