Prazo para entrar no IPO da Track&Field está prestes a terminar; vale a pena?


Do CNN Brasil Business, em São Paulo
21 de outubro de 2020 às 12:59
Track&Field
Empresa fundada em 1988 tem 234 lojas em 24 estados brasileiros
Foto: Track&Field/Divulgação

A Track&Field, varejista do setor esportivo, chegou aos finalmentes do seu processo de IPO. Com a marca estreando na B3 já na próxima segunda-feira (26), investidores têm até o fim do pregão desta quarta (21) para realizar sua reserva e entrar comprado no papel, à espera que o mesmo se valorize.

Para responder se vale a pena ou não entrar no negócio logo de cara, a casa de análises Suno Research preparou um relatório sobre o tema, assinado por Tiago Reis, fundador e analista da companhia. 

Leia também:
Lucro da Weg cresce 54% no 3º tri, alcança R$644,2 mi
Ânima oferece mais e Laureate desiste de negócio com a Ser, que vai à Justiça
Ações da Qualicorp disparam após Rede D'Or planejar aumentar participação

É importante notar, primeiramente, que a T&F, fundada em 1988, não optou pela listagem no Novo Mercado, que só dá direito a disponibilizar ações ordinárias. "A ideia é permitir que a empresa oferte as ações de forma que os novos acionistas possuam direitos econômicos apropriados, mas sem que exista o risco de diluir o controle dos acionistas atuais", afirma Reis. 

"Para isso, a empresa montou uma estrutura em que todas as ações possuem direito a um voto nas assembleias, mas as ações preferenciais a serem ofertadas possuem direitos econômicos 10 vezes maiores do que as ordinárias (por exemplo, na distribuição de dividendos)."

Inicialmente, a empresa ofertará 49.166.000 ações preferenciais ao mercado. Dessas, 19.718.000 serão primárias (cerca de 40% das ações), cujo montante vai para o caixa da empresa para ser utilizado no próprio negócio, e o restante das ações (29.448.000) serão disponibilizadas em oferta secundária, sendo que o valor dos recursos será convertido em remuneração aos vendedores. 

A faixa indicativa de preços para as ações foi definida entre R$ 10,65 e R$ 14,95. No preço médio da faixa indicativa (R$ 12,80), ou seja, uma movimentação financeira superior a R$ 629 milhões considerando apenas o lote inicial.

Mas qual é o case da Track&Field?

Operando num sistema misto de franquias e lojas próprias, a marca tem 234 lojas espalhadas por 24 estados brasileiros. "Desde 2011, houve apenas 6 saídas de franqueados da rede, sendo que o número de lojas por franqueado passou no período de 1,3 para 3 lojas. São números que indicam a qualidade da franquia, que estimula os franqueados a manterem e até expandirem a sua exposição", diz.

Tiago aponta o mercado fitness, em que a marca está inserida, como um dos mais promissores no Brasil e no mundo. Isso porque a saúde a população vem se deteriorando e os níveis de obesidade aumentando, o que faz com que as pessoas procurem formas de se exercitar e se manter saudáveis. 

De acordo com dados da International Health, Racquet & Sportsclub Association (IHRSA), o mercado fitness tem crescido a uma taxa média de 8,7% ao ano e, em breve, deve superar US$ 100 bilhões anualmente no mundo.

Já a Euromonitor International aponta que o segmento de vestuário esportivo no país pode alcançar cerca de R$ 15 bilhões até 2024, contra cerca de R$ 11 bilhões em 2019. Num segmento altamente fragmentado, os três principais players do setor detêm menos de 40% do mercado brasileiro. A T&F tem um market share atual próximo a 3%.

"Com um setor em tendência de alta e pulverizado, vemos possíveis avenidas de crescimento para a T&F, mas não podemos deixar de notar que a companhia possui concorrentes de peso, com abrangência internacional e marcas altamente desejadas pelo público consumidor", diz.

Resultados

Em termos de Receita Líquida entregue de 2017 até 2019, a companhia reportou uma taxa de crescimento anual (CAGR) de 12,88%. No entanto, quando se compara a Receita Líquida do primeiro semestre de 2020 com o mesmo período de 2019, observa-se uma queda de aproximadamente 30,22%. 

"Essa queda expressiva se deu por conta de todas as consequências da pandemia na economia em geral. Por estar no setor de vestuário, a Track & Field teve seus resultados bastante afetados no período", afirma.

Para Tiago, a evolução do Lucro Líquido da companhia foi ainda mais interessante no mesmo período. O resultado líquido da T&F saiu de R$ 31 milhões em 2017 para R$ 51,9 milhões em 2019, apresentando um CAGR de 29,48%. 

Novamente, quando realizada a comparação do primeiro semestre de 2020 com o mesmo semestre de 2019, vemos que houve uma forte piora desta linha de resultado. No 1S20, a empresa reportou um Prejuízo Líquido de R$ 1,9 milhão. Já no 1S19, o Lucro Líquido foi de R$ 13,6 milhões.

Desafios

Os efeitos provocados pela pandemia do novo coronavírus impactaram e continuam impactando adversamente os negócios da companhia, bem como o seu número de vendas, condição financeira e fluxo de caixa. Seu prolongamento seria ainda mais disruptivo para a T&F.

O analista também cita uma possível dificuldade ao abrir novas lojas ou ampliar a rede de franqueados, um dos pilares da estratégia de crescimento da companhia. "Essa capacidade pode ser afetada por inúmeros fatores que são alheios ao controle da companhia, como expansão de competidores e o consequente aumento da concorrência por pontos estratégicos de vendas."

Recomendação

O valuation da Suno para a companhia, encontrado através do modelo de FCD, foi de R$ 16,69. E, se aplicada uma margem de segurança de 20%, chegamos ao preço de R$ 13,35. No piso da faixa indicativa, a R$ 10,65, a casa de análises vê "um potencial de upside relevante de 25,35%". 

"Deste modo, levando em conta todos os fatores acima mencionados, bem como outros abordados ao longo deste relatório, recomendamos a participação na Oferta Pública da Track & Field até o preço do menor ponto da faixa indicativa, de R$ 10,65", diz.

Clique aqui para acessar a página do CNN Business no Facebook