Black Friday deve fazer o varejo crescer até 3% em novembro, diz Fecomercio

Puxado pela Black Friday, a federação aposta em aumentos de vendas nos setores de supermercados e materiais de construção, mas com destaque para os eletrônicos

Isabella Faria, da CNN, em São Paulo
26 de outubro de 2020 às 20:18 | Atualizado 26 de outubro de 2020 às 20:42


Depois de um ano difícil para o varejo, a Black Friday, que vai acontecer no dia 27 de novembro, deve trazer um alívio para o varejo. A FecomercioSP prevê aumento de até 3% nas vendas do comércio varejista em relação ao mesmo período do ano passado – puxado, principalmente, por supermercados e materiais de construção.

Porém, na Black Friday o cenário muda um pouco: a expectativa é que a demanda por eletroeletrônicos também tenha um desempenho melhor do que o do ano passado.

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Um estudo do Instituto Ipsos, por exemplo, aponta que 60% dos consumidores estão interessados em compras de aparelhos como smartphones, tablets, alto-falantes inteligentes e smartwatches. 

Além disso, também aparecem os eletromésticos (59% de interessados) e moda (58% dos consumidores apontam que devem comprar algo neste segmento). 

A Black Friday também servirá como um termômetro para as compras de Natal – que, segundo a Federação, também devem registrar crescimento em 2020. Caso as previsões se confirmem, o varejo terminará o ano com uma queda de 3%, um cenário melhor do que o previsto no início da pandemia de covid-19.

É possível melhorar os resultados das vendas

De acordo com a Fecomercio, para aumentar a margem de lucro em uma época de promoções, é necessário ter cuidado. Até mesmo para não sair no prejuízo. 

Não por acaso, aponta a Federação do Comércio, empresários estão desenvolvendo diversas estratégias: planos de fidelização de clientes e descontos maiores em produtos que estão parados no estoque, sem uma grande circulação, são algumas delas.

Isso significa dizer que, para ter um bom resultado ao fim do mês, eles devem fazem várias contas. Por exemplo, é necessário mensurar custos, checar o estoque antecipadamente e planejar a gestão de fornecedores para, só então, estipular os descontos que podem oferecer.

Caso contrário, corre-se o risco de vender a preços muito baixos para atrair a demanda da Black Friday e contabilizar prejuízos depois que a data passar. A oportunidade, portanto, pode sair cara.

É importante ainda, principalmente para o varejo físico, que os protocolos sanitários em meio à pandemia continuem sendo praticados, como limitação no fluxo de pessoas, medição de temperatura e disponibilização de álcool em gel, diz a Federação.

No caso do e-commerce, medidas como atendimento agendado e serviço de entrega em esquema drive-thru também devem permanecer durante a Black Friday.

Para as pequenas empresas do setor, enfim, esta Black Friday pode oferecer mais oportunidades do que desafios: com mais gente em casa, a tendência é a demanda também se direcionar para comércios locais.

No entanto, de acordo com a Fecomercio, eles só terão boas vendas se adotarem estratégias de proximidade com os (novos) clientes: promoções, brindes e mesmo a forma de se comunicar nas redes sociais, desde já, podem fazer toda a diferença.

2020 continuará complicado

Se por um lado a Black Friday tem potencial de marcar o início da retomada econômica após um ano complicado, por outro, a abertura gradativa dos estabelecimentos não será suficiente para recuperar as perdas do setor em 2020.

O grau de incertezas em relação à economia ainda é grande, principalmente em relação às variáveis de emprego e renda. Segundo a Fecomercio, é preciso desenvolver estratégias, sim, mas com cautela, considerando um cenário de aumento do desemprego e apostando na confiança dos consumidores.

Não à toa, a federação acredita que o varejo encerarrá o ano de 2020 com uma queda de 7,7% em seu cenário base. Pior: mais de 200 mil empresas devem encerrar as operações até dezembro. Os dados foram divulgados em setembro. Que a Black Friday consiga salvar algumas delas.

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