Dia D dos resultados: o que esperar do balanço da Vale, Petrobras, GPA e Gerdau

Com a retomada econômica, a expectativa é de aumento da receita líquida das companhias em relação ao terceiro trimestre do ano passado

Leonardo Guimarães e Natália Flach, do CNN Brasil Business, em São Paulo
28 de outubro de 2020 às 05:00

 

Investidora: resultados podem impulsionar as ações das companhias na bolsa
Foto: William Iven/Unsplash

A agenda do investidor estará excepcionalmente cheia nesta quarta-feira (27). Além da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que vai decidir se manterá a taxa básica de juros do país no atual patamar de 2% ao ano, diversas empresas vão divulgar seus resultados referentes ao terceiro trimestre.

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A primeira delas será a Gerdau que vai anunciar o seu balanço antes da abertura do pregão. Depois do fechamento da bolsa, será a vez da Petrobras, da Vale, do Bradesco, do Pão de Açúcar, da Cesp e da EDP Brasil informarem os seus números ao mercado.

Mas o que esperar desses resultados? O CNN Brasil Business separou algumas projeções do BTG Pactual e da Eleven. Confira.

Vale

A expectativa da equipe do BTG é que o lucro líquido da mineradora tenha um aumento de 163% em relação ao terceiro trimestre de 2019, atingindo R$ 4,35 bilhões. O consenso de mercado, no entanto, é de uma queda de R$ 1,65 bilhão do período anterior para R$ 1,39 bilhão.

Já a receita líquida pode atingir R$ 10,79 bilhões, segundo o BTG, contra R$ 10,21 bilhões no ano passado. 

O forte resultado financeiro - mesmo em meio a uma crise econômica - é reflexo do bom desempenho operacional. No terceiro trimestre, a produção de minério de ferro da companhia atingiu 88.676 milhões de toneladas, alta de 2,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Ante o segundo trimestre deste ano, o avanço foi de 31,2%.

No entanto, na comparação de janeiro a setembro, o resultado é pior do que de 2019. Nos primeiro nove meses do ano, a produção caiu 3,5% para 215.877 milhões de toneladas. É bom lembrar que a meta da companhia para este ano é uma produção de algo entre 310 milhões e 330 milhões de toneladas.

No ano, as ações (VALE3) sobem 22,22%. 

Petrobras

Para a equipe de analistas do BTG, o lucro líquido da petroleira vai cair pela metade na comparação com o terceiro trimestre de 2019, ao passar de R$ 18,9 bilhões para R$ 9,1 bilhões. Já o consenso de mercado prevê um prejuízo de R$ 4,2 bilhões.

Por sua vez, a receita líquida da Petrobras deve crescer de R$ 72,6 bilhões para R$ 75,6 bilhões, segundo o BTG. 

No terceiro trimestre, a produção de petróleo e gás aumentou 2,6% para 2,952 milhões de barris de óleo equivalente ao dia (boed), ante o mesmo período do ano passado. Isso se deveu à maior eficiência operacional das plataformas instaladas no Campo de Búzios; crescimento da produção da P-70, localizada no Campo de Atapu, que iniciou a produção no final do mês de junho; e redução das perdas por indisponibilidade de linhas submarinas, com o desenvolvimento de novas tecnologias.

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De janeiro a setembro, a produção de óleo e gás cresceu em 9% em relação ao ano passado, com a extração dos campos do pré-sal expandindo-se em 32%, enquanto nas demais áreas, pós-sal, águas rasas e terrestres, houve contração.

Com a força do pré-sal, a empresa revisou para cima sua meta de produção no ano. 

"Estimamos que a produção média em 2020 chegue em 2,84 MMboed, sendo 2,28 MMbpd de óleo, com variação de 1,5% para cima ou para baixo, superando o limite superior (2,5%) das metas originalmente divulgadas para o ano (2,7 MMboed e 2,2 MMbpd)", afirmou a companhia em comunicado ao mercado.

No ano, as ações (PETR3) caem 34,11%. 

Gerdau

A receita líquida da siderúrgica deve aumentar 19%, ao passar de R$ 9,9 bilhões para R$ 11,8 bilhões no terceiro trimestre, segundo o BTG. Já o consenso de analistas prevê uma queda para R$ 8,4 bilhões. 

O lucro, por sua vez, deve subir de R$ 289 milhões para R$ 463 milhões.

O motivo é a retomada econômica. Tanto é que a indústria de produção de aço voltou a elevar projeções de desempenho para 2020 e prevê crescimento em 2021, com base nos dados de encomendas recebidas nos últimos meses.

A expectativa para o consumo aparente da liga no país foi revista de queda de 14,4% para recuo de 4,7%, ou seja, de cerca de 20 milhões de toneladas, informou o Instituto Aço Brasil (IABr), que representa produtores no país como Usiminas e ArcelorMittal.

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O setor também projeta agora que as vendas de aço no Brasil vão cair 3,1% este ano, para 18,2 milhões de toneladas, ante expectativa anterior de recuo de 12,1% divulgada em julho. A previsão para a produção também foi revista: de tombo de 13,4% para queda de 6,4%, a 30,5 milhões de toneladas.

No ano, as ações (GGBR3) sobem 18,26%. 

GPA 

Os supermercados estão nadando de braçada durante a pandemia. Na briga entre as empresas que dominam o setor supermercadista, o GPA vem perdendo o lugar de destaque para o Carrefour. No último semestre, foi o balanço da concorrente que fez os olhos dos investidores brilharem – não que os números do Pão de Açúcar foram ruins. 

O resultado do terceiro trimestre do GPA tem um ponto crítico: as vendas online. É nisto que o mercado está de olho. E a concorrência vai ser forte, mais uma vez, já que o Carrefour as vendas online da empresa triplicaram entre julho e setembro na comparação com o mesmo período no ano passado. 

A expectativa do BTG é que a receita líquida do GPA chegue a R$ 16,9 bilhões, o que representaria um aumento de 25%. O consenso do mercado para o indicador é ainda mais otimista: receita líquida de R$ 17,8 bilhões no terceiro trimestre. 

O banco ainda espera um aumento robusto de 34% no Ebtida. 

No ano, as ações (GPAC3) caem 24,62%. 

Bradesco 

O segundo trimestre deste ano esteve longe dos melhores três meses que os bancos já tiveram. O lucro do Bradesco caiu 40,1% entre março e junho. A queda média dos grandes bancos no período foi de 36,8%. 

A equipe do BTG espera redução de 30% no lucro líquido da empresa neste terceiro trimestre. Nesta terça, porém, o Santander mostrou números surpreendentes, o que deixa o mercado animado para conhecer o resultado dos seus concorrentes, mas ciente de que a retomada se dará a médio prazo. 

A casa de análises independentes Eleven espera uma expansão média de lucros de 16% dos grandes bancos na comparação com o trimestre anterior, o que ainda representa uma queda anual de 30%. 

“As instituições financeiras devem se  beneficiar  da  melhora  na  linha  de  receita  com  serviços, que foi bastante impactada no trimestre anterior, mas as margens devem continuar pressionadas devido principalmente à queda da taxa Selic” diz relatório da empresa. 

No ano, as ações (BBDC4) caem 34,7%

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