LVMH consegue desconto de US$ 400 mi na compra da joalheria Tiffany

A marca francesa disse que a pandemia de coronavírus prejudicara seriamente os negócios da joalheria americana e trouxera efeitos “devastadores e duradouros”

Michelle Toh, do CNN Business
30 de outubro de 2020 às 08:43
Fachada de loja da Louis Vuitton
Foto: Christian Wiediger/Unsplash

A joalheria de Nova York Tiffany concordou em aceitar um preço de compra mais baixo do conglomerado francês, encerrando uma briga dramática que ameaçava descarrilar a aquisição avaliada em US$ 16 bilhões.

As empresas disseram em um comunicado conjunto na quinta-feira (29) que modificaram os termos do acordo de fusão do ano passado, reduzindo o preço por ação que a LVMH pagará de US$ 135 para US$ 131,50. A mudança agora avalia a Tiffany em US$ 15,8 bilhões, US$ 400 milhões a menos que os US$ 16,2 bilhões originalmente acordados. Isso também encerra uma batalha legal sobre o acordo.

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A LVMH anunciou em setembro que abandonaria a aquisição planejada da Tiffany, naquele que seria o maior negócio do mercado de produtos de luxo da história. A briga comercial forçou a LVMH a descartar o acordo, mas alguns analistas acreditam que a medida era apenas uma tentativa de renegociar a venda.

Por seu lado, a Tiffany argumentou que a decisão não tinha fundamento legaleprocessou a LVMH em um tribunal de Delaware, dizendo que o grupo francês havia violado suas obrigações e deveria prosseguir com a fusão.

Semanas depois, a LVMH contra-atacou, argumentando que a pandemia de coronavírus prejudicara seriamente os negócios da joalheria dos Estados Unidos e trouxera efeitos “devastadores e duradouros”.

Espera-se que o acordo ajude a LVMH a competir melhor com a rival no ramo de joalheria, a suíça Richemont, consolidando sua posição em relógios e joias. Até agora, essa tinha sido a “divisão mais fraca” da LVMH por alguns indicadores, de acordo com Luca Solca, analista de pesquisa sênior de produtos de luxo da Bernstein. O acordo também ajudaria o conglomerado de luxo a aumentar sua presença nos Estados Unidos.

Bernard Arnault, o CEO bilionário da LVMH, caracterizou o novo acordo como “equilibrado” e disse ele que “permite que a LVMH trabalhe na aquisição da Tiffany com confiança”.“Estamos convencidos como sempre do formidável potencial da marca Tiffany e acreditamos que a LVMH é o lar certo para a Tiffany e seus funcionários”, acrescentou.

O negócio, que deve ser aprovado pelos acionistas da Tiffany, deve ser fechado no início do próximo ano.“Estamos muito satisfeitos por termos chegado a um acordo com a LVMH a um preço atraente e agora podermos prosseguir com a fusão”, afirmou Roger Farah, presidente da Tiffany, em comunicado na quinta-feira (29).

“O conselho concluiu que era do interesse de todos os nossos acionistas ter a certeza do fechamento do negócio”.O analista Solca disse que a notícia envia uma “mensagem muito boa para o setor, pois reafirma [às pessoas] a confiançaque os grandes grupos têm no negócio”.“A saga LVMH e Tiffany parece ter finalmente chegado ao fim”, acrescentou.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).