Acionistas decidem destino da Linx nesta terça. Totvs ainda tem chances?

Na assembleia, acionistas da Linx decidirão se aceitam ou não a compra da companhia pela Stone, gigante de meio de pagamentos, por cerca de R$ 6,5 bilhões

Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo
17 de novembro de 2020 às 05:00 | Atualizado 17 de novembro de 2020 às 09:14
Empresa de software tem duas propostas de compra na mesa
Foto: Divulgação

O corpo acionário da Linx (LINX3) tem uma reunião extraordinária agendada para esta terça-feira (17) às 14h. Nela, decidirão se aceitam ou não a compra da companhia pela Stone, gigante de meio de pagamentos, por cerca de R$ 6,5 bilhões. Na mesa, existe ainda uma outra proposta, da concorrente Totvs (TOTS3).

Essa votação poderia ter sido adiada a pedido dos acionistas minoritários, que enxergam conflito de interesses por parte dos fundadores da Linx. Mas a CVM decidiu pela manutenção da assembleia e dos votos de Alberto Menache, Alon Dayan e Nércio Fernandes, que indenização por não competição caso a oferta da Stone seja sancionada no encontro.

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E, apesar do fator acima pesar a favor da empresa de pagamentos, há outros que apontam na mesma direção. A própria Stone aumentou nos últimos meses sua participação acionária na Linx, enquanto o Itaú Asset e a FAMA, que poderiam votar contra o acordo, segundo apuraram o jornal Valor Econômico e a Exame, diminuíram o pedaço que tinham na companhia.

"Queremos atuar e mostrar para todo mundo que essa é a nossa estratégia", disse Augusto Lins, presidente da Stone, em entrevista ao CNN Brasil Business no mês passado ao ser questionado sobre a compra de quase 6% dos papéis da empresa de tecnologia disponíveis em bolsa. As ações da Stone dispararam mais de 20% depois do anúncio.

E a Totvs?

Com o cenário que vai se desenhando, a situação da empresa de software parece cada vez mais difícil na disputa, apesar de, na teoria, ter uma proposta financeiramente melhor para a Linx, na casa dos R$ 6,6 bilhões.

Em relatório assinado por Fred Mendes e Luiza Mussi, a Órama entendia que o adiamento da reunião poderia ser um ponto positivo para a Totvs, o que acabou não se materializando nos últimos dias. 

Os analistas também afirmam no documento que enxergam a Totvs como a melhor ação do setor, mantendo a recomendação de compra mesmo que a fusão não ocorra. Além disso, consideram que os negócios de Totvs e Linx têm sinergia superior à dupla que deve acabar se formando.

A coisa está tão indefinida que as agências de rating ISS e Glass Lewis divergem em opiniões e também contribuem para um processo menos claro, diz o texto. A primeira recomendou aos acionistas não aprovar a proposta de Stone alegando questões de transparência e avaliando impactos da pandemia, enquanto a segunda é a favor.

Resultados

A Linx registrou lucro líquido de R$ 3 milhões no terceiro trimestre de 2020, queda de 84,5% em relação ao mesmo período de 2019 e retração de 74,8% na comparação com o segundo trimestre. 

De acordo com a empresa, a piora reflete o impacto negativo no resultado financeiro com a redução gradual do CDI no período e aumento no custo da dívida da companhia, além de maiores custos de publicidade e implementação, efeitos das aquisições de empresas e consolidação das respectivas estruturas de custos e reversão líquida de earn-outs nos períodos.

O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 44,635 milhões no terceiro trimestre, alta de 11,3% em relação a igual época do 2019. Na comparação com o segundo trimestre, porém, houve queda de 9,8%. 

Já a Totvs (TOTS3) teve leve alta no lucro líquido ajustado do terceiro trimestre, com o resultado operacional vindo melhor que o esperado por analistas. A companhia teve lucro líquido ajustado de R$ 82,5 milhões de julho a setembro, alta de 3,8% no comparativo anual.

O desempenho operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado cresceu 34%, para R$ 161,4 milhões, acima dos R$ 140,8 milhões esperados, em média, por analistas, segundo dados da Refinitiv.

Por fim, a processadora de pagamentos Stone divulgou alta de 30,2% no lucro líquido do terceiro trimestre, a R$ 249 milhões, com forte expansão na base de clientes ativos. A companhia registrou crescimento de 40,9% na base de clientes ativos no período em relação ao terceiro trimestre de 2019, para 582,9 mil, uma adição líquida de 63,5 mil.

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