Ibovespa tem o melhor novembro desde 1999, mesmo com queda de 1,5% na segunda

Internamente, investidores repercutiram sinalização de novas medidas de restrição pelo governo do estado de SP

Matheus Prado, Manuela Tecchio e Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo
30 de novembro de 2020 às 09:22 | Atualizado 30 de novembro de 2020 às 22:13

 

Na última sessão do mês, nesta segunda (30), o dólar ganhou preço frente ao real à medida em que o apetite por risco diminui nos mercados. Investidores agora aguardam o lançamento de uma vacina eficaz contra o coronavírus, enquanto o número de casos da doença só cresce ao redor do mundo.

Com isso, o dólar à vista subiu 0,39%, para R$ 5,3467.

Em novembro, no entanto, a moeda perdeu 6,82%. É a maior baixa mensal desde outubro de 2018 (-7,79%) e a mais forte para meses de novembro desde pelo menos 2002.

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Internamente, investidores ainda esperam que o governo federal avance com sua agenda econômica, priorizando assuntos mais urgentes, como o Orçamento de 2021 e a PEC emergencial do teto de gastos.

Além disso, o mercado repercutiu o anúncio do governo do estado de São Paulo, que sinalizou novas medidas de restrição à circulação de pessoas no curto prazo.

Diante deste cenário e em meio a um movimento de realização de lucros, o principal índice da bolsa de valores encerrou o dia com recuo de 1,36% aos 109.074 pontos. O volume financeiro nesta sessão somava R$ 31,9 bilhões.

Entre as maiores quedas, a B2W (BTOW3), Cosan (CSAN3) e Cielo (CIEL3) e caíram todas mais de 5%. WEG (WEGE3), Tim e brMalls (BRML3) também se desvalorizavam. Enquanto isso, Atacadão (CRFB3), Estácio Participações (YDUQ3) e Azul (AZUL4) registraram as principais altas, todas com ganhos maiores do que 3%.

No mês

Como  dito, o Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira, mas acumulou em novembro a maior alta percentual para o mês desde 1999 e voltou a trabalhar em patamares próximos de fevereiro, com o noticiário promissor de vacinas contra a Covid-19 prevalecendo sobre o avanço de casos em todo o mundo.

Nesse contexto, as ações de companhias aéreas foram o principal destaque positivo no período, com Azul, Gol e CVC Brasil acumulando valorizações de 69%, 50% e 48,5%, respectivamente no mês após fortes perdas provocadas pelos impactos da pandemia.

Analistas do BTG Pactual enviaram relatório a clientes no domingo elevando a recomendação de Azul para "compra" e o preço-alvo para 47 reais, bem como reiteraram "compra" de Gol, subindo o preço a 27 reais, apesar das notícias envolvendo possível retomada de medidas de restrição à circulação após as eleições.

Nesta segunda-feira, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou que a capital paulista, a região metropolitana e demais regiões do Estado que estavam na fase verde regrediram para a fase amarela do plano de reabertura da economia por causa do agravamento da pandemia de Covid-19. Doria passou boa parte das semanas que antecederam o segundo turno das eleições negando tal agravamento e que poderia tomar medidas de encerramento do comércio após o pleito.

"O fluxo de notícias sobre a segunda onda de Covid representa o principal 'overhang' de curto prazo na indústria, enquanto o desenvolvimento de potenciais vacinas deve se intensificar no futuro, influenciando positivamente o desempenho das ações do setor", afirmaram analistas do BTG.

Na outra ponta do Ibovespa, varejistas associadas a comércio eletrônico experimentaram acomodação nos preços, após altas expressivas desde o começo da pandemia, com a disparada das vendas online na esteira de medidas de restrições para tentar controlar a disseminação da doença.

Magazine Luiza termina o mês com queda acumulada de 5,1%, embora em 2020 ainda contabilize um ganho de 96,4%. B2W acumulou declínio de 6,4%, enquanto Via Varejo conseguiu encerrar no azul, mas ainda assim com performance pior que a do Ibovespa, subindo 3,4%.

A bolsa brasileira também assistiu a uma rotação nos portfólios para ações de setores de 'valor' e 'cíclicos', como bancos e commodities, com forte peso no Ibovespa, em detrimento de papéis de 'crescimento', com as ações de tecnologia, e que tiveram um desempenho mais forte desde o começo da pandemia.

O penúltimo mês do ano foi marcado por entrada líquida representativa de estrangeiros na bolsa, seguindo um movimento global, com os dados da B3 até o dia 26 mostrando saldo positivo de R$ 31,5 bilhões em novembro, o que respaldou a reação do Ibovespa após três meses seguidos de performance negativa.

No ano, as vendas ainda superam as compras em R$ 51,6 bilhões, considerando dados do mercado secundário de ações do país.

Lá fora

Em Wall Street, o S&P 500 encerrou o dia em queda, com investidores realizando lucros após forte alta nas últimas semanas. Esse foi o melhor novembro já registrado para o índice.

De acordo com dados preliminares, o Dow Jones caiu 0,89%, para 29.644,46 pontos, o S&P 500 perdeu 0,45%, para 3.621,85 pontos, e o Nasdaq teve variação negativa de 0,06%, aos 12.198,74 pontos.

Também na zona do euro, o índice referencial teve em novembro seu maior ganho mensal já registrado, com a perspectiva de flexibilização das restrições relacionadas ao coronavírus e esperanças de uma vacina para a Covid-19.

Mas mesmo assim, terminou esta segunda-feira em baixa, de olho nas negociações de um acordo comercial do Brexit. O FTSE 300 caiu 0,95%, a 1.504 pontos, enquanto o índice pan-europeu Stoxx 600 perdeu 0,98%, a 389 pontos, ao final de um mês em que saltou quase 14%.

Na Ásia, as bolsas encerraram a sessão desta segunda-feira (30) em queda, realizando lucros do mês de novembro, bastante positivo para os mercados acionários globais. Os investidores seguem atentos à tensão entre os Estados Unidos e a China, depois que Washington reafirmou que vai sancionar companhias do gigante asiático.

Na bolsa de Tóquio, o índice Nikkei encerrou o dia em baixa de 0,79%, aos 26.433,62 pontos, enquanto em Seul, o índice Kospi cedeu 1,60%, aos 2.591,34 pontos, mínima do dia. Já o índice Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,49%, para 3.391,76 pontos, também mínima do dia.

O índice composto de Xangai cedeu 0,49%, para 3.391,76 pontos, e o de Shenzhen caiu 0,15%, aos 13.670,11 pontos. Na Oceania, na Bolsa de Sydney, o índice S&P/ASX 200 cedeu aos 1,26%, aos 6.517,80 pontos.

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