Mexer muito em seus investimentos pode impactar (bastante) o seu retorno

Estudo da gestora Pandhora aponta que aqueles fundos que mais tiveram alterações em suas carteiras, menor retorno devolveram aos seus acionistas

Anna Gabriela Costa, colaboração para CNN Brasil Business
01 de dezembro de 2020 às 18:46
Gráfico Bolsa
Foto: Jose Manuel Ribeiro/Reuters

Investidores que fazem menos mudanças em seus fundos apresentam um rendimento superior à média. Isso é o que aponta a pesquisa da gestora Pandhora ao analisar o impacto do curto prazo na rentabilidade dos investimentos.

Sim, dá medo ver o dinheiro de um investimento derretendo, mas é necessário ter calma. A gestora considera que a movimentação frequente dos investidores pode prejudicar de forma relevante a performance de seu investimento, mesmo com bons produtos em sua composição. Ou seja, pode assumir perdas, que não necessariamente aconteceriam em um prazo mais longo. 

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A pesquisa criou simulações de carteiras com o intuito de desvendar o comportamento dos investidores em seus fundos. Foi feita a comparação tanto do prazo utilizado para analisar a performance passada de produto, quanto do período esperado para realizar uma nova mudança na carteira.

O estudo concluiu que, quanto menor o prazo analisado e menor o tempo para uma nova mudança da carteira, pior o resultado, atingindo uma rentabilidade histórica de apenas 53% do CDI.

Em contrapartida, mudando a carteira anualmente e olhando períodos mais longos para analisar os fundos de investimento, é possível atingir uma rentabilidade de 135% do CDI. Tempo é dinheiro.

O co-autor do estudo e sócio da Pandhora Investimentos, Bruno Vianna, esclareceu que para a conclusão do estudo, foram selecionados, ao longo de cinco anos, os fundos de maior retorno de 3, 12 ou 36 meses; além disso, o período com que a carteira mantinha o fundo selecionado podia variar entre 3 meses ou 1 ano.

“O estudo foi desenvolvido utilizando os dados de todos os fundos multimercados que já existiram no mercado brasileiro. Além disso dentre todos os fundos multimercado, eram apenas considerados aqueles presentes no IHFA (Índice de Hedge Funds Anbima) vigente naquele período.

Isso resulta em um total de 6 carteiras simuladas, que foram comparadas entre si e comparadas contra o benchmark, o IHFA”, explica Vianna.

Resultados

A gestora aponta que a principal conclusão da pesquisa revela o impacto negativo de ser “curto prazista” ao escolher um investimento.

“Todo mundo da indústria sabe que o foco de fundos de investimentos é gerar retorno de longo prazo, logo a escolha deles deveria refletir esta filosofia também. As piores carteiras eram aquelas que olhavam pequenas janelas de tempo para trás, 3 meses ou 12 meses, e trocavam frequentemente de investimento”, diz ele.

“A melhor carteira, por sua vez, é aquela que olha janelas de tempo mais longa, 36 meses, e segura o investimento 1 ano na carteira antes de considerar trocar”, explica o co-autor do estudo.

O aprendizado principal deste estudo é que o investidor deve sempre olhar para o longo prazo na hora de escolher um fundo de investimento. Ou seja, olhar para janelas longas ao analisar a performance, como a de 36 meses.

“O investidor que troca constantemente de carteira se assemelha com um torcedor que troca toda hora de time, torcendo sempre para o time que ganhou o último campeonato. Ele muito provavelmente não vai cantar tantas vitórias”, compara.

Mudança de cultura

A facilidade do investimento e o resgate rápido do dinheiro em caso da necessidade, torna a cultura da poupança ainda muito ligada à concentração bancária brasileira. Entretanto, o especialista explica que outras formas de investimentos podem ser mais benéficas.

“Por muito tempo tivemos taxas de juros altas que levavam a um resultado confortável na poupança”, diz Vianna. Isso, agora, mudou. Mas as pessoas precisam entender que um investimento, ao contrário da poupança de antigamente, não traz ganhos sem riscos.

Logo, para Vianna, é necessário haver uma mudança de cultura. Ao fazer essa migração para investimentos mais sofisticadas, as pessoas esquecem que o retorno não vem mais em um curto prazo. E, as vezes, resgatar o dinheiro significa assumir perdas.

“Esta cultura se manifesta tanto na hora de julgarmos um fundo baseado em curtos períodos, como na hora de reavaliar a carteira e escolher novos investimentos”, diz Vianna.

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