Vale, Magalu: 10 ações recomendadas por corretoras para investir em dezembro

Para dezembro, época de festas e, consequentemente, de viagens, as corretoras ouvidas pelo CNN Brasil Business decidiram não arriscar em suas carteiras

Leonardo Guimarães e André Jankavski, do CNN Brasil Business, em São Paulo
01 de dezembro de 2020 às 05:00
Logo da Vale em prédio no Rio de Janeiro
Logo da Vale: ações da empresa estão entre as 10 mais recomendas pelas gestoras em dezembro
Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Se a recuperação da bolsa de valores era esperada para outubro, afinal muitas das economias estavam abertas e a segunda onda, ainda, era apenas um temor, em novembro foi diferente. Em todos os aspectos. Afinal, economias importantes, especialmente na Europa, retomaram as quarentenas e a Covid-19 mostrou que não vai cessar até uma vacina chegar.

Isso, no entanto, não desanimou as bolsas no mundo inteiro. Especialmente no Brasil (que, para completar, tem uma missão complicada na área fiscal). O Índice Ibovespa, que reúne as maiores e mais importantes empresas listadas na bolsa brasileira, teve um salto em novembro. A alta de 15,9% do Ibovespa fez com que novembro apresentasse o melhor desempenho desde 1999. 

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E nem mesmo os setores mais afetados pela pandemia fizeram feio na bolsa. Ao contrário. Com a esperança da vacina no radar, as maiores altas da bolsa em novembro foram exatamente das empresas que mais sofreram de março para cá.

Não por acaso, as companhias aéreas Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) e a operadora de turismo CVC (CVCB3) tiveram algumas das maiores valorizações no mês passado: 69%, 50% e 48,5%, respectivamente.

Nem mesmo a regressão do estado de São Paulo, o mais rico e populoso do Brasil, para a fase amarela tirou o ânimo dos investidores no último pregão da bolsa – todas tiveram altas relevantes em um dia que o Ibovespa fechou em queda de 1,5%

Porém, para dezembro, época de festas e, consequentemente, de viagens, as corretoras ouvidas pelo CNN Brasil Business também decidiram não arriscar em suas carteiras. 

A carteira 

Mantendo a tendência dos três meses anteriores, as ações que compõem a carteira recomendada do CNN Brasil Business têm como mote a diversificação. Além de mineração, finanças, varejo e saúde marcaram presença entre as recomendações para o mês de dezembro. 

A ordem continua focar naquelas empresas que, mesmo durante a pandemia, têm conseguido trazer bons resultados. Nas dez ações mais recomendadas por analistas, estão empresas ligadas a commodities (Petrobras e Vale), bancos e instituições financeiras (BTG Pactual, B3 e Itaú), varejo (Magazine Luiza, Lojas Renner e Multiplan), saúde (Hapvida) e uma holding de investimentos (Itausa).

Para chegar a essa lista, recebemos recomendações de ações e avaliação dos setores que os investidores devem ficar de olho. Neste mês, as corretoras que participaram do levantamento foram Santander, Toro Investimentos, Guide, Genial investimentos, Easynvest e Gauss Capital.

Cada uma delas sugeriu 10 papéis, com peso respectivo de 10%, e analisou cinco setores da economia. As ações que receberam três recomendações ou mais entraram para a carteira ou se mantiveram na lista. 

O clima está diferente para o último mês do ano. Se pegarmos o levantamento realizado pelo CNN Business em outubro, houve diversas mudanças. Por exemplo, saíram Marfrig (MRFG3), Locaweb (LWSA3), Gerdau (GGBR4) e Ambev (ABEV3).

No lugar, entraram a rede shoppings Multiplan (MULT3), Itaú (ITUB3 e ITUB4), Itaúsa (ITSA3), Lojas Renner (LREN3) e Petrobras (PETR3 e PETR4). Isso significa que houve uma renovação de 50% da carteira. 

Já, entre os papéis que receberam duas recomendações, o critério de desempate para figurar na carteira foi a valorização no mês anterior e se já fazia parte da composição da carteira. 

No quesito desempate, foram eliminadas a empresa de papel e celulose Klabin (KLBN11), a empresa de saúde Qualicorp (QUAL3) e a rede de shoppings Alliansce Sonae (ALSO3) por causa do desempenho em novembro.

Hapvida (HAPV3) e B3 (B3SA3), apesar de também terem tido duas recomendações como as empresas anteriores, permaneceram na carteira, pois fizeram parte da lista de novembro. 

Líderes

Mas apesar de alguns setores estarem confiantes para a retomada, a líder de recomendações continua sendo a Vale (VALE3). Não é para menos. Mesmo com a pandemia, a companhia segue entregando resultados. Alguns motivos explicam isso: o preço do minério continua em alta por causa da demanda chinesa pela commodity.

Ao mesmo tempo, o real desvalorizado frente ao dólar também ajuda a companhia, que é essenciamente exportadora. 

Em segundo lugar veio a Magazine Luiza (MGLU3), que também já vem com bons resultados o ano inteiro. Novembro, contudo, foi um mês atípico. A companhia foi uma das poucas empresas que tiveram perdas no valor de suas ações. E foi a maior, inclusive: queda de 5,1%. 

E isso aconteceu em um mês marcado pela Black Friday, em que o Magalu dobrou as suas vendas na Black Friday e teve o melhor mês em vendas da sua história. 

"A empresa ainda deve crescer acima da média do setor de consumo", diz Henrique Esteter, analista da Guide. "Destacamos a estratégia da Magalu que permanece na transformação de uma empresa de varejo tradicional com uma área digital para uma empresa digital com pontos físicos e capital humano."

A terceira mais indicada sempre figurava nos rankings anteriores. Porém, com o temor de uma segunda onda mais cristalizado e também pela volatilidade do preço do petróleo, voltou. A Petrobras recebeu três recomendações. O otimismo com a companhia ficou evidente em outubro. 

A companhia viu suas ações terem uma valorização de quase 35% no mês, enquanto o Ibovespa cresceu próximo de 16%. O que mudou, então, de um mês para o outro na visão dos analistas – em um mês em que muitos perderam o bonde.

"Acreditamos que os desenvolvimentos recentes das vacinas contra a Covid-19 devem fortalecer a demanda por petróleo a partir do segundo trimestre de 2021", afirma Arruda, da Gauss.

Expectativas para dezembro

Nem mesmo o novembro totalmente fora da curva tira o otimismo dos analistas. Dezembro pode, sim, ser ainda melhor. 

"Acreditamos que o mês de dezembro será marcado pela mudança de posicionamento dos investidores na direção de nomes cíclicos, que tendem a se beneficiar dos avanços no desenvolvimento da vacina para a Covid-19", diz Bruno Arruda, da equipe de gestão da Gauss Capital. 

"Adicionalmente, acreditamos em nomes que se beneficiam da retomada de consumo e desempenho na Black Friday e Natal."

Os investidores certamente continuarão atentos às vacinas contra a Covid-19, que se mostraram eficazes e agora precisam do aval das autoridades sanitárias de cada país para a distribuição. 

Os Estados Unidos também permanecem no radar do mercado. Por lá, os investidores ficam de olho em como se dará a transição de Joe Biden na presidência do país, que teve um início tardio após resistência de Donald Trump. 

Outro ponto de atenção para o mercado é o andamento das reformas tributária e administrativa no Congresso brasileiro. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), articula a votação da reforma tributária ainda em 2020. Ele quer que o projeto seja analisado até a segunda semana deste mês. 

"Em dezembro, acreditamos num viés otimista para a Bolsa, porém em um movimento menos agressivo do que o observado no mês passado", analisa Rafael Panonko, analista chefe da Toro Investimentos. "Chegado o fim das eleições municipais é esperado a retomada das discussões da agenda econômica no congresso, mas sem grandes expectativas de mudanças para esse ano", completa. 

Confira, a seguir, a análise dos especialistas para a carteira recomendada de dezembro:

Vale
Ação: VALE3
Comentário de Henrique Esteter, analista da Guide

Seguimos com uma visão construtiva para a Vale. Ressaltamos o foco do management no controle de custos, além da contínua redução de capex e endividamento.

Alguns triggers são: (i) forte valorização do minério no mercado internacional e (ii) a maior demanda da China por minério de maior qualidade; além (iii) das melhorias operacionais, reflexo da forte redução de custo caixa, deverão compensar tais efeitos negativos e queda de produção.

O anúncio de que a companhia voltará a pagar proventos devem também trazer importante remuneração aos acionistas da companhia.

Avaliamos a entrada em Vale nesse momento a patamares interessantes, negociada a 3.8x EV/Ebitda, contra uma média de 5.8x do setor.

Magazine Luiza 
Ação: MGLU3
Comentário de Bruno Arruda, da equipe de gestão da Gauss Capital

Maglu seguirá surpreendendo positivamente o mercado com crescimento robusto e aumento de inovações que permitirão uma maior digitalização de potenciais parceiros. Em nossas análises a companhia foi a empresa de melhor desempenho durante a BlackFriday e seguirá surpreendendo a já elevada expectativa do mercado.

Petrobras
Ação: PETR3
Comentário de Bruno Arruda, da equipe de gestão da Gauss Capital

Acreditamos que os desenvolvimentos recentes das vacinas contra a Covid-19 devem fortalecer a demanda por petróleo a partir do segundo trimestre de 2021.

Quanto ao curtíssimo prazo, seguimos otimistas com a perspectiva de retirada de oferta por parte da OPEP+ para dar sustentação aos preços de petróleo enquanto a vacinação em massa da população mundial não se concretiza. Com relação a Petrobras, vemos com bons olhos a decisão da companhia de implementar uma política de investimentos mais focada na geração de valor para o acionista.

BTG Pactual
Ação: BPAC11
Comentário de Rafael Panonko, analista chefe da Toro Investimentos

Com crescimento no volume e market share de todas as áreas de negócios com clientes durante o terceiro trimestre de 2020 e receita histórica atingida pelo segmento investment banking, o Banco BTG Pactual (BPAC11) vem demonstrando uma boa adaptação ao cenário imposto pela pandemia do coronavírus.

O retorno das atividades de mercado no Brasil e o lançamento do banco digital BTG+ contribuem para o bom desempenho futuro da Companhia e, por isso, recomendamos a compra de BPAC11. 

Lojas Renner 
Ação: LREN3
Comentário de José Falcão, analista de Investimentos da Easynvest 

O setor foi muito prejudicado com o isolamento social e fechamento das lojas físicas. Algumas das maiores varejistas do país ficaram com preços descontados, apesar de possuírem capacidade de atravessar a crise, o que torna a situação uma oportunidade.

Já era esperado volatilidade em novembro, intercalados com movimentos mais fortes ou momentos de cautela com as empresas do setor de varejo, que tendem a se valorizar a medida que as atividades comerciais vão sendo retomadas.

Porém, visamos a geração de valor em LREN3 no médio e longo prazo, o que faz dela uma grande oportunidade no nível atual. Neste momento, a expectativa está sendo atendida e no mês de novembro LREN3 subiu mais de 20%.

Hapvida 
Ação: HAPV3
Comentário de Henrique Esteter, analista da Guide

A empresa vem se destacando no setor e apresentando um valuation atrativo. Em seus últimos resultados, a companhia demonstrou crescimento saudável, com aumento da aderência dos convênios de saúde e também dos convênios odontológicos. Ainda, a Hapvida entregou crescimento interessante no ticket médio para planos de saúde e odontológicos.

A grande preocupação do trimestre foi a perda de vidas decorrente dos cancelamentos de contrato. Entretanto, parece ser um movimento extraordinário por conta do trimestre atípico.

Seguimos com uma visão positiva para Hapvida. A companhia segue seu processo de crescimento via aquisições e maior penetração nas regiões Sul e Sudeste do país. Acreditamos que os resultados do segundo semestre de 2020, possam continuar com boa performance, em função (i) crescimento do mercado em função do envelhecimento da população; (ii) inflação médica crescendo a patamares mais elevados; (iii) grande controle da sinistralidade em função da verticalidade das operações; (iv) integração dos resultados da São Francisco, maior aquisição realizada pela companhia, Grupo América e RN Saúde.

Itaúsa
Ação: ITSA3
Comentário Rafael Panonko, analista chefe da Toro Investimentos

No mês de novembro a nossa compra em Itaúsa foi amparada pela expectativa de recuperação dos bancos que poderiam acompanhar o movimento que o setor vinha fazendo mundo afora. De fato, o fluxo comprador prevaleceu ao longo do mês passado e esse cenário ainda teve o amparo da forte entrada de fluxo estrageiro na nossa Bolsa.

Ativos de grande peso no Ibovespa foram beneficiados pelo apetite ao risco de investidores globais, que intensificaram os investimentos em bolsas emergentes. Caso esse movimento continue a holding do Banco Itaú deve ser favorecida novamente.

Itaú
Ação: ITUB4
Comentário José Falcão, analista de Investimentos da Easynvest

Apesar da possibilidade de expansão da carteira de crédito, em momentos de crise é esperado aumento da inadimplência, com risco de deterioração do crédito, que causou provisões bilionárias na primeira metade de 2020 e prejudicaram os resultados de curto prazo. Além disso, a concorrência de fintechs é uma realidade que ganham espaço cada vez maior no mercado.

O segmento de bancos que estava bem atrasado em relação a recuperação do índice Bovespa a partir de abril/2020, finalmente começou a corresponder positivamente e apresentou um desempenho muito positivo em um ambiente mais otimista com vacinas e eleição presidencial americana.

ITUB4 não decepcionou e entrou em forte tendência de alta, subindo mais de 20% no mês. Seguramos firme a posição em momentos desafiadores e agora estamos bem posicionados para continuar aproveitando este novo padrão gráfico de alta.

B3
Ação: B3SA3
Comentário Rafael Panonko, analista chefe da Toro

Os resultados do mês de outubro da B3, divulgados na última semana de novembro, mostraram continuidade na entrada de novos investidores na nossa bolsa, um aumento de 100 mil em comparação ao mês anterior e tivemos 13 novas empresas estreantes na bolsa. Nossas expectativas para Dezembro é na valorização dos papéis, puxado pelo avanço de novos entrantes na bolsa e o IPO da Rede D’Or trazendo mais volume de negócios e impulsionando as receitas.

Multiplan
Ação: MULT3
Comentário de Henrique Esteter, analista da Guide

Mantendo sua postura, a Multiplan tomou medidas bastante conservadoras ao longo da pandemia, que a ajudaram a preservar sua posição segura para enfrentar o período. Agora, a companhia já está operando com seus shoppings abertos, e seus resultados mostram que os fluxos dentro dos mesmos vêm evoluindo de maneira positiva, o que está contribuindo para uma recuperação mais rápida do que era antes esperado para a Multiplan.

Seus empreendimentos são bem localizados, e o mix de lojas em seus shoppings é bastante atrativo, o que sustenta a tese de um rápido retorno do movimento. Ainda por isso, destacamos que a Black Friday e as festas de final de ano são grandes datas para o varejo, e devem contribuir ainda mais para esse aumento dos fluxos.

O índice de inadimplência da companhia foi pouco impactado durante a pandemia de coronavírus, devido a alta qualidade de seus lojistas. A Multiplan avançou em termos de digitalização, o que a permitiu inserir as lojas de seus shoppings dentro da plataforma Multi, contribuindo para uma maior alavancagem de vendas online.

Apesar da situação conturbada para o setor, a companhia conseguiu apresentar bons resultados do terceiro trimestre de 2020. a Multiplan encerrou o período com alta de cerca de 200% na receita líquida e no Ebitda, além de crescimento acima de 300% do lucro líquido.

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