Ações da BRF podem subir 35% após anúncio de plano de expansão, diz Bradesco

Apesar da proposta, bancos têm analisado com cautela o plano da gigante de alimentos

Raphael Coraccini, colaboração para o CNN Brasil Business
09 de dezembro de 2020 às 17:59
Logo da BRF
Logo da BRF: empresa faz previsão de receita de R$ 65 bi entre 2021 e 2023
Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

Relatório do Bradesco estima que o preço das ações da empresa de alimentos BRF pode subir cerca de 35% após a empresa anunciar um plano para dobrar o Ebitda até 2023. A companhia estipulou meta de R$ 65 bilhões de receita em 2023 e de R$ 100 bilhões para 2030. A expectativa é de investimento orgânico de R$ 55 bilhões ao longo dos próximos dez anos.

Apesar da projeção, os bancos têm analisado com cautela o plano da gigante de alimentos. Em seu relatório, o Bradesco anunciou que não alterará as projeções para a empresa até que os planos relacionados à expansão internacional e para novos segmentos, como pet food, sejam esclarecidos. A BRF anunciou a contratação do CEO da Royal Canin no Brasil, Vladmir Maganhoto, para ajudar a desenvolver a área. 

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A aposta no segmento de alimentação para animais de estimação é motivo de cautela, segundo o banco, já que a empresa não possui marcas relevantes. Um plano de crescimento via fusões e aquisições poderia custar R$ 5,5 bilhões em receita, o que representaria 10% do aumento total estimado da receita entre 2024 e 2026.

Em seu relatório, o BTG também ponderou os números apresentados pela BRF para a próxima década. A expectativa de crescimento da receita para 2023 é 43% maior do que a estimativa feita pelo banco.

O relatório aponta para o potencial de crescimento dos produtos de valor agregado da BRF no mercado internacional, que podem representar 70% das receitas da empresa até 2030. Hoje, a participação desse segmento é de 50%. Existe, porém, a expectativa de que parte importante desse crescimento aconteça via fusões e aquisições, o que impactaria na expectativa de receita.

“Estimamos que cerca de 20% das receitas de 2030 vêm de fusões e aquisições. E até mesmo cerca de 40% do crescimento da receita de 2020-2023 sejam impulsionados por aquisições”, avalia a instituição financeira.

Com a concretização do plano 2030 condicionada muito ao crescimento inorgânico, com a compra de empresas especialmente nos Estados Unidos e na Arábia Saudita, a BRF terá que entrar na briga com a JBS para absorver operações, o que pode elevar o custo dessas aquisições, segundo o Bradesco.

O relatório do BTG alerta que o mercado questiona se a BRF e a JBS Seara não estão reeditando a guerra de participação de mercado que marcou os tempos antes da fusão Sadia e Perdigão, nos anos 2010. Dias que não acabaram muito bem em termos de retorno aos acionistas, apesar do grande salto de inovação que os produtos nacionais tiveram.

A preocupação do BTG para a concretização do plano de expansão envolve já os resultados da BRF para o ano que vem. “Embora o quarto trimestre de 2020 possa se beneficiar de tendências positivas no Brasil, continuamos preocupados sobre a capacidade de sustentar as margens em 2021, quando os custos mais elevados das matérias primas entrarem em ação”, alerta.

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