Maia quer pedido público do governo para não votar 13º do Bolsa Família

No Planalto, a avaliação é de que Maia usa a possível votação da MP para fazer um aceno à oposição

Por Igor Gadelha, CNN  
18 de dezembro de 2020 às 11:34 | Atualizado 18 de dezembro de 2020 às 12:43

 

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), cobra do governo um pedido público e oficial para que a medida provisória (MP) que prorrogou o auxílio emergencial não seja votada na Casa nesta sexta-feira (18), como o parlamentar fluminense pautou.

Maia decidiu pautar a MP, acrescentando o pagamento do 13º salário do Bolsa Família, após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dizer, nesta quinta-feira (17), que não pagou o benefício extra porque o presidente da Câmara deixou a medida provisória sobre o assunto caducar. 

Ainda na noite de ontem, o deputado do DEM do Rio de Janeiro reagiu, chamando Bolsonaro de “mentiroso” e pautando a proposta para esta sexta-feira. O governo, então, deu início a uma operação nos bastidores para evitar a votação da MP.

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Nas últimas horas, tanto o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), quanto o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, procuraram Maia. O temor é que os parlamentares aprovem com a MP a prorrogação do auxílio emergencial em 2021.

O governo também teme que os parlamentares aprovem um aumento do benefício, que, desde outubro, foi reduzido de R$ 600 para R$ 300. Há mais de 250 emendas apresentadas à MP pedindo a elevação do auxílio emergencial de volta para os R$ 600. 

Com o pedido para que o governo anuncie publicamente que não quer votar a MP, o presidente da Câmara tenta evitar que o ônus político sobre o tema, que tem forte apelo popular, recaia somente sobre ele. 

Por enquanto, o argumento do governo é de que a MP não poderá ser votada nesta sexta-feira porque o parecer do relator não foi apresentado 24 horas antes. Se Maia não recuar, o Planalto não descarta, em último caso, revogar a medida provisória.

No Planalto, a avaliação é de que Maia usa a possível votação da MP para fazer um aceno à oposição para consolidar o apoio dos partidos de esquerda ao seu candidato a presidente da Câmara. A oposição sempre foi favorável a prorrogar e aumentar o valor do auxílio emergencial em 2021.