Alta da bolsa entre a eleição e a posse de Biden é a maior da história moderna

O índice S&P 500 subiu cerca de 13% desde que o novo presidente dos EUA foi eleito e superou o otimismo do mercado com JFK

Paul R. La Monica, do CNN Business
20 de janeiro de 2021 às 11:19
Touro de Wall Street é visto no centro financeiro de Nova York
Foto: REUTERS/Brendan McDermid


A bolsa dos Estados Unidos subiu cerca de 13% desde o dia da eleição de Joe Biden até terça-feira (19), dia anterior à posse do novo presidente, marcando o melhor desempenho pós-eleitoral da história moderna americana, de acordo com a CFRA Research.

A segunda maior alta ocorreu entre o final de 1960 e o início de 1961, quando John F. Kennedy derrotou Richard Nixon, e o S&P 500 subiu 8,8%. O otimismo continuou nos 100 primeiros dias de JFK no cargo, e o índice saltou mais 8,9%.

Do dia da eleição de Donald Trump até a sua posse, o indicador subiu 6% e nos 100 dias seguintes ganhou outros 5%.

Mas há uma grande diferença: Trump herdou uma economia que crescia a uma taxa estável durante a longa recuperação da grande recessão. Já Biden está entrando em um período econômico conturbado, por causa da Covid-19.

 

Os investidores parecem esperançosos de que Biden trabalhará para aprovar rapidamente uma injeção de dinheiro na economia. Isso combinado com o início da vacinação alimentam esperanças de que o Produto Interno Bruto (PIB) — e os lucros corporativos — melhorem neste ano.

Entre os setores com melhor desempenho entre a eleição e a posse de Biden, estão os de energia e financeiro. O motivo é a expectativa de que empresas petrolíferas se beneficiem de uma economia em ascensão e do aumento dos preços do petróleo, enquanto os bancos geralmente se saem melhor quando há maior demanda por empréstimos.

Além disso, as ações de pequenas empresas superaram o desempenho do S&P 500, um movimento que faz sentido considerando que as PMEs têm maior exposição à economia em comparação com as multinacionais que dominam o Dow Jones e o S&P 500.

Bush e Obama

Entre a eleição de George W. Bush e a sua posse, o S&P 500 caiu mais de 6%. É que nesse período havia uma ressaca do estouro da bolha pontocom (de empresas de tecnologia) e a eleição foi contestada. 

Anos depois, foi a vez de Barack Obama ser eleito e provocar mau humor no mercado. Entre a eleição e a posse do ex-chefe de Biden, o S&P 500 despencou quase 20%. É bom lembrar que o período analisado compreende o fim de 2008 e início de 2009, momento em que os investidores estavam extremamente apreensivos com o colapso do Lehman Brothers e com a onda de falências de bancos e empresas do setor financeiro.

O que está por vir

O bom desempenho do passado não garante sucesso no futuro. Nesse sentido, o estrategista-chefe de investimentos da CFRA Research, Sam Stovall, observou em relatório que "o S&P 500 está atrasado em realizar lucros, o que poderia empurrar o índice para baixo do nível de fechamento de 2020".

Em outras palavras, o resto do ano pode ser acidentado. Mas Stovall também prevê que qualquer recuo do mercado em 2021 será "definido cedo o bastante para permitir que todas as perdas sejam recuperadas, a ponto de novas máximas serem testadas".