Sem Carnaval, trabalhadores de diferentes setores sofrem com queda de renda

Bloco na rua movimenta uma cadeia de trabalhadores, que vai desde locadores de trios elétricos a vendedores ambulantes e catadores de materiais recicláveis

Paula Forster, da CNN Brasil, em São Paulo
12 de fevereiro de 2021 às 10:40 | Atualizado 12 de fevereiro de 2021 às 10:51

Com a suspensão das festas carnavalescas no Brasil devido à pandemia da Covid-19, milhares de postos de trabalho serão impactados. Uma pesquisa da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), realizada em 2020 para mensurar o impacto econômico da data para o país, mostrou que as comemorações podem empregar 25,4 mil temporários e movimentar R$ 8 bilhões em turismo no país.

Um bloco na rua, por exemplo, movimenta uma cadeia de trabalhadores, que vai desde fabricantes e locadores de trios elétricos a vendedores ambulantes e catadores de materiais recicláveis.

Mazinho Twister, como é conhecido Francisco Aparecido de Alencar, é dono de uma empresa que fabrica e loca trios elétricos e, no ano passado, disponibilizou veículos para 28 blocos. “A fabricação de um trio pode durar de 30 a 90 dias, e a média de locação, por diária, é de R$ 100 mil. Têm os menores que variam de R$ 8 mil a R$ 10 mil e os médios que variam de R$ 40 mil a R$ 50 mil”, explica. Neste ano, sem Carnaval de rua, os negócios estão fracos. “Além disso, fora desta época do ano, o valor de locação caí em 50%”, comenta. 

Além da queda de receita, há redução de oferta de trabalho diretos e indiretos. “É muita gente envolvida e ainda tem o dia do evento e do pós-evento. Falando apenas sobre equipar um trio, têm os fornecedores de autofalantes, geradores de som, amplificadores. Tudo isso gera empregos indiretos”, disse.  

Mazinho presta serviço para o Carnaval da capital, do litoral e do interior de São Paulo. “Nos demais estados, atendo por intermédio de parceiros, como, por exemplo, em Salvador, Minas Gerais, Paraná e Brasília”. 

Não é só ele quem sente os impactos das ruas sem folia. O presidente da Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (ANCAT), Roberto Rocha, expõe que é a época do ano mais importante para os catadores. “O faturamento triplica e isso contribui para o resto do ano. Pode garantir pelo menos os próximos seis meses. Esse ano, vamos perder em 300% de renda”, afirmou. 

No ano passado, além de vender os materiais recicláveis coletados, estes profissionais foram remunerados como prestadores de serviço de limpeza, o que rendeu uma renda extra. “Foi um projeto envolvendo cerca de 2.000 catadores em São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Rio de Janeiro. Conseguimos mostrar para as empresas que somos prestadores de serviço”, disse.

“Agora, o que entristece é que as empresas estão vendo para ajudar os vendedores de bebidas, mas esquecem aqueles que vendem os recicláveis dos vendedores de bebida”, complementa.   

Líder do Movimento Nacional dos Catadores, Eduardo Ferreira de Paula trabalhou como coordenador da coleta no Carnaval de 2020. “Fiz o cadastro de todos, e ajudei com a organização. Tem catador que conseguiu ganhar até uns R$ 4.000 neste período.” 

Ainda segundo a CNC, Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia tendem a concentrar mais da metade da movimentação financeira durante o período. 

Levantamento realizado pelo Observatório de Turismo e Eventos (OTE) da São Paulo Turismo (SPTuris), durante oito dias de blocos de rua na capital paulista, mostra que o impacto econômico gerado pelo Carnaval na cidade foi de cerca de R$ 2,7 bilhões, superando as expectativas iniciais de movimentação financeira com o turismo.