Bolsa avança e dólar sobe a R$ 5,76 após dois ministros deixarem o governo

Ministro Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, e Fernando Azevedo e Silva, da Defesa, anunciaram saída do governo na tarde desta segunda

Matheus Prado e Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
29 de março de 2021 às 09:16 | Atualizado 29 de março de 2021 às 17:23
Gráfico Bolsa
Foto: Jose Manuel Ribeiro/Reuters

O dólar à vista subiu 0,49% nesta segunda-feira, a R$ 5,7681, maior valor desde 9 de março (R$ 5,7927).

Na B3, o Ibovespa avançou em um dia de turbulência política. O índice fechou o pregão em alta de 0,56%, para 115.418 pontos. 

Em Brasília, o principal assunto além da pandemia de Covid-19 foi o time de ministros do presidente Jair Bolsonaro.

O alto escalão do governo federal teve duas baixas só nesta segunda-feira. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pediu demissão no início da tarde. Um pouco mais tarde, por volta das 16h, Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa, anunciou em nota oficial à imprensa nesta que deixa o cargo

No caso de Araújo, o Congresso já pressionava por sua saída, mas a tensão aumentou no domingo, quando o chanceler expôs uma conversa que teve com a senadora Kátia Abreu sobre o papel da China no 5G brasileiro.

Auxiliares presidenciais ressaltam que Jair Bolsonaro ainda não bateu martelo se aceitará o pedido de demissão de Araújo. Presidente e chanceler devem ter novo encontro ainda hoje para definir a situação. Expectativa, porém, é de que Bolsonaro aceite.

Já no Boletim Focus, o mercado financeiro elevou, mais uma vez, as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2021, que mede a inflação oficial do país. A estimativa subiu para 4,81%, ante 4,71%. Essa foi a décima segunda semana consecutiva de alta na previsão para o índice, que há um mês ainda estava em 3,87%.   

Os economistas também continuaram com o leve recuo na previsão para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. Enquanto na semana passada o crescimento esperado era de 3,22%, a expectativa já passou para 3,18%. Há um mês, era esperada alta de 3,29%.

Existe ainda a expectativa que o governo envie um projeto de lei ao Congresso para "corrigir" Orçamento aprovado na semana passada. 

Lá fora

O índice S&P 500 encerrou próximo da estabilidade nesta segunda-feira, com as ações dos bancos caindo em meio a alertas de perdas potenciais com o calote de um hedge fund que não cumpriu chamadas de margem, enquanto o otimismo sobre a economia limitou as quedas do dia.

Nomura e Credit Suisse alertaram para perdas depois que um hedge fund dos Estados Unidos, que fontes afirmam ser a Archegos Capital, não cumpriu chamadas de margem.

O Dow Jones subiu 0,3%, para 33.171 pontos, o S&P 500 perdeu 0,09%, para 3.971 pontos, e o Nasdaq desvalorizou-se 0,6%, para 13.059 pontos.

As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam majoritariamente em alta nesta segunda-feira (29), seguindo o tom positivo do último pregão dos mercados acionários de Nova York, em meio a expectativas de recuperação da economia dos EUA com o avanço da campanha de vacinação contra a Covid-19 e a implementação de medidas de estímulos.

Em Tóquio, o índice japonês Nikkei subiu 0,71%, a 29.384,52 pontos, impulsionado por ações de eletrônicos, e-commerce e montadoras. No setor financeiro, porém, a Nomura Holdings sofreu um tombo de 16,33% hoje, o maior desde pelo menos junho de 1974, após revelar que poderá registrar fortes perdas relacionadas a transações com um cliente dos EUA não identificado.

Em outras partes da Ásia, o Hang Seng teve alta marginal de 0,01% em Hong Kong, a 28.338,30 pontos, e o Taiex avançou 1,04% em Taiwan, a 16.475,97 pontos, mas o sul-coreano Kospi contrariou o viés positivo e recuou 0,16% em Seul, a 3.036,04 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto se valorizou 0,50%, a 3.435,30 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto apresentou ganho de 0,18%, a 2.218,79 pontos.

Na sexta-feira (26), as bolsas de Nova York subiram mais de 1%, sustentadas pela avaliação de que a economia dos EUA seguirá se recuperando da pandemia de Covid-19, à medida que a vacinação contra a doença na maior economia do mundo se mantém em ritmo acelerado e o governo adota medidas de incentivo oriundas do pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão aprovado semanas atrás.

Na Oceania, a bolsa da Austrália ficou no vermelho, pressionada por ações de turismo e consumo, uma vez que Brisbane, terceira maior cidade do país, se prepara para iniciar um lockdown de três dias relacionado à covid-19. O S&P/ASX 200 caiu 0,36% em Sydney, a 6.799,50 pontos.