Empresas e ONGs cobram ações mais assertivas do governo no meio ambiente

Coalizão que conta com companhias como Santander, Gerdau, Suzano, BRF e Carrefour pressionam por mudanças, a fim de mudar a imagem do país no exterior

André Jankavski, do CNN Brasil Business, em São Paulo
08 de abril de 2021 às 10:39 | Atualizado 08 de abril de 2021 às 11:45

Mais uma carta de empresários pressionando por mudanças chegou ao governo federal nesta quinta-feira (8). Se antes, um grupo de economistas e importantes empresas assinaram uma declaração pedindo mais atitudes na batalha contra a Covid-19, desta vez o tom aumentou pedindo mudanças na política de meio ambiente no Brasil. 

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, movimento que compreende mais de 280 empresas, como o banco Santander, a companhia de alimentos BRF, o varejista Carrefour, a siderurgica Gerdau e a empresa de papel e celulose Suzano, pede metas mais ambiciosas ao governo. 

Entre as medidas pedidas pelo grupo estão a retomada e intensificação da fiscalização das terras do país; a implementação de fato do Cadastro Ambiental Rural para saber quais terras, especialmente em florestas públicas, são legais ou não; a destinação de 10 milhões de hectares à proteção e uso sustentável; concessão de financiamentos somente sob critérios socioambientais; transparências quanto à supressão da vegetação; suspensão de processos de regularização fundiária de imóveis com desmatamento. 

Segundo Marcello Brito, que é representante da Coalizão e também presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) essas medidas, por si só, já trariam uma mudança gigantesca para o país, assim como para a imagem do Brasil no exterior. 

Mais do que isso, segundo Brito, ajudaria a retornar o Brasil para um papel de protagonista na discussão ambiental, algo que não acontece há alguns anos. 

"Perdemos o protagonismo e representatividade e na evolução do mundo, se você não é protagonista, se torna seguidor"

Marcello Brito

“Não temos nenhuma ingenuidade de que isso acontecerá de um dia para o outro, mas que seja o início de um processo firme, confiável e contínuo", completa.

Falta ambição ao governo, de acordo com o porta voz. Para ele, há muitas discussões relacionadas ao tema, mas “ambição não é algo que se promete, é algo que se faz”.

Área desmatada na Amazônia
Área de extração de madeira na região de Apuí (AM): grupo quer mudar imagem do Brasil no exterior
Foto: REUTERS/Bruno Kelly

Como um representante do agronegócio, Brito diz que a imagem do Brasil está sendo prejudicada lá fora, o que também interfere nos negócios. 

Cúpula do clima

A divulgação da carta ocorre a duas semanas de uma nova cúpula sobre o clima, que será realizada no dia 22 de abril. Quem convocou a reunião foi o presidente americano Joe Biden, que tem uma política totalmente diferente em relação ao tema do que o seu antecessor, o ex-presidente Donald Trump.

Trata-se de um momento decisivo para o governo Bolsonaro. Afinal, os olhos de todos o mundo estão para a Floresta Amazônica, a maior reserva natural do planeta. As queimadas registradas nos últimos anos fizeram muito mal para a imagem do Brasil, especialmente para o agronegócio, que é considerado um dos setores mais competitivos do país em todo o planeta. 

Porém, para Brito, o Brasil também precisa ter contrapartidas do restante do mundo. Segundo ele, no entanto, é necessário ter uma política ambiental robusta para se poder fazer negociações com os outros países e receber benefícios pela preservação.

"Não é uma agenda tão simplista de pedir US$ 1 bilhão para diminuir 40% do desmatamento"

Marcelo Britto

Nesta semana, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que está negociando uma ajuda dos países desenvolvidos nesse valor para reduzir o desmatamento em 12 meses.

Questionado a respeito da administração de Salles, que tem sido bastante criticada pela iniciativa privada, Brito afirmou que acredita numa reviravolta do ministro.

“O ministro é inteligente e tem conversado com o setor privado e tenho certeza que o governo caminhará nessas propostas”, diz. A conferir.