China indica maior controle de preços de commodities em plano quinquenal

Os preços das commodities na segunda maior economia do mundo tiveram grandes oscilações neste ano

Min Zhang, Hallie Gu, Muyu Xu e Shivani Singh, da Reuters
25 de maio de 2021 às 10:05
Bandeira da China em Pequim
Bandeira da China em Pequim (27/05/2019)
Foto: Jason Lee/Reuters

 A China vai fortalecer controles de preços sobre minério de ferro, cobre, milho e outras importantes commodities em seu 14° plano quinquenal, para entre 2021 e 2025, visando endereçar flutuações anormais nos preços, disse o órgão estatal de planejamento nesta terça-feira (25).

O país também vai reforçar o monitoramento e as análises sobre preços de commodities como petróleo, gás e soja, afirmou a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) em comunicado.

"(Governos locais) devem estudar e avaliar em profundidade os impactos de importações, fazer sugestões prontamente...(sobre questões) como reservas, importação e exportação, medidas fiscais e tributárias e de ajuste financeiro", afirmou.

A NDRC também disse que as autoridades devem "ajustar razoavelmente os níveis de preço-alvo do algodão" e manter a política de preço mínimo de compra do país para arroz e trigo. O governo compra esses grãos dos agricultores a um preço mínimo quando o mercado cai abaixo desse nível.

O movimento ocorre em momento em que o governo chinês tem priorizado a garantia de segurança alimentar para sua população de 1,4 bilhão de pessoas.

A NDRC disse que estabelecerá uma oferta sólida de grãos e estabilizará os preços.

Nos mercados de energia, o planejador estatal disse que a China adotará um novo mecanismo de preços para hidrelétricas reversíveis e promoverá reformas de preços nos setores de transmissão e distribuição de eletricidade, a fim de melhorar a flexibilidade do sistema elétrico.

"Para indústrias eletrointensivas e alta emissão, (China) implementará preços de eletricidade diferenciados e escalonados ... para promover a redução de carbono", disse o comunicado.

Os preços das commodities na segunda maior economia do mundo tiveram grandes oscilações neste ano, impulsionadas pela recuperação da demanda pós-pandemia, pela grande liquidez global e por negociações especulativas.

As recentes medidas do governo chinês vêm após a alta dos preços dos metais ter contribuído para um aumento nos preços industriais e um crescimento mais lento na produção industrial em abril.

Reguladores estatais têm repetidamente instado empresas da indústria de metais a manterem a ordem do mercado, prometendo fiscalizações mais rígidas nos mercados físicos e de derivativos e investigando comportamentos que aumentem os preços.

Os preços futuros de commodities como minério de ferro e milho, na bolsa de Dalian, e aço e cobre na bolsa de Xangai atingiram altas históricas neste ano.

O primeiro-ministro Li Keqiang também disse na segunda-feira que o governo se esforçará para evitar que o aumento dos preços das commodities seja repassado aos consumidores.