Aérea que terá voos diretos entre BH e EUA adia estreia por causa da pandemia

Em entrevista ao CNN Brasil Business, o CEO da Eastern Airlines garante, no entanto, que a companhia tem planos de longo prazo para o país

Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo
26 de maio de 2021 às 04:30
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A companhia norte-americana Eastern Airlines começaria a operar suas rotas entre o Brasil e os Estados Unidos no próximo dia 28 de junho, mas isso não será possível. Isso porque as restrições impostas pelo novo coronavírus continuam impedindo a circulação de passageiros e, com isso, reprimindo a procura por essas passagens.

“É sobre demanda. Sabemos que as pessoas querem viajar, mas simplesmente não podem. Já colocamos à venda nossos voos de Belo Horizonte, não só para Miami, mas também para Boston e Nova York. Fizemos isso e deixamos muito claro que estamos esperando que a pandemia passe”, diz Steve Harfst, CEO da empresa, em entrevista ao CNN Brasil Business.

Com passagens a partir de US$ 480, pouco mais de R$ 2.561 na cotação do dia 25 de maio, a Eastern promete ter três rotas entre Belo Horizonte e os Estados Unidos: por Miami, Boston e Nova York.

“Vamos continuar a trabalhar nesse tempo e, uma vez que as coisas abram, os voos estarão lá e as pessoas podem aproveitar. Mas é muito desafiador neste ambiente, e lidando com todas as incertezas da pandemia, tomar a decisão de começar ou não começar a operação. Assim que houver um número suficiente de pessoas capazes e dispostas a viajar, começaremos a voar.”

O executivo afirma que a empresa trabalha, atualmente, para disponibilizar os voos a partir de meados de julho. Mas reconhece que a decisão é revista diariamente, para que os consumidores que já compraram suas passagens não sejam surpreendidos nem prejudicados por qualquer cancelamento ou remarcação.

Operação

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A Eastern, que carrega o nome da lendária companhia lançada em 1926, é, na verdade, uma nova operação, que começou a voar em 2018, após comprar a marca que havia decretado falência em 1991. Opera nos Estados Unidos e países latino-americanos como Equador, Nicarágua, Paraguai e República Dominicana. 

Sua nova identidade é low cost, priorizando o conforto do passageiro. Não cobra, por exemplo, pela primeira bagagem despachada de até 32 quilos. Também é possível transportar gratuitamente equipamentos esportivos, como bicicletas e pranchas, e animais de estimação (estes pagam taxa).

“Do ponto de vista do consumidor, nossa operação é muito simples. Oferecemos tarifas baixas, sem complicações, e voamos pontualmente. Muito simples. Mas nossa abordagem para o transporte aéreo e o serviço que oferecemos, que acreditamos ser únicos e não vemos outras companhias aéreas no mundo fazer, focam puramente em mercados que carecem de atendimento ininterrupto para os Estados Unidos”, diz.

Brasil

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E é aí que entra a escolha por Belo Horizonte para ser a primeira base da companhia no Brasil. Harfst entende que, apesar de grande, a cidade não tem a procura por voos diários que atende as companhias grandes e, por isso, se encaixa perfeitamente no modelo em que a companhia opera.

“As companhias aéreas tradicionais, como a Latam e as grandes empresas dos Estados Unidos, têm operações muito caras. Elas precisam voar a partir de grandes mercados, onde têm muito tráfego e conseguem encher seus aviões”, afirma. 

“Não precisamos fazer isso, então voaremos dois dias por semana entre Belo Horizonte e os Estados Unidos. Dois dias por semana é uma frequência muito menor do que uma grande companhia aérea oferece, mas podemos fazer isso porque nossos custos são baixos e conseguimos repassar essas tarifas e custos baixos para os clientes.”

O gestor espera, no futuro, replicar o modelo em outras cidades do país com porte semelhante ao de BH.

“Estamos muito animados com nossa capacidade de trazer acesso a este mercado e esperamos replicar o modelo em outras cidades brasileiras.” Para reforçar ainda mais a ideia de que a empresa chegou aqui para ficar, o executivo também fala em criar equipes locais para comandar os voos de e para o Brasil.

"Assim que nossa operação estiver sólida depois de alguns meses, teremos comissários de bordo brasileiros. Teremos uma base em Belo Horizonte e contrataremos homens e mulheres da região para operarem esses voos", afirma. 

"Achamos que isso é importante e fazemos em outros mercados em que atuamos. Gostamos de criar uma conexão com a comunidade local, aproveitar sua capacidade de ter interações humanas com nossos clientes e fornecer esse tipo de serviço. E isso é definitivamente algo diferente do que outras companhias aéreas fazem."

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