Ashton Kutcher tinha passagem para o espaço — e desistiu de viajar por família

Uma passagem pode chegar a custar US$ 250.000,00; Kutcher disse que ainda quer realizar sonho de viajar ao espaço

Tamires Vitorio, do CNN Brasil Business, em São Paulo
17 de julho de 2021 às 08:54 | Atualizado 18 de julho de 2021 às 12:41
Ashton Kutcher
Kutcher ainda não desistiu de ir ao espaço
Foto: Michael Tran / Correspondente / Getty Images

O ator e investidor de risco Ashton Kutcher poderia ser um dos primeiros humanos a chegar no espaço com um voo da Virgin Galactic — ele havia comprado uma passagem há muitos anos, mas, há alguns anos, decidiu vendê-la por conta de sua família.

Segundo Kutcher, ele havia reservado um espaço no voo suborbital da Virgin, mas vendeu a passagem porque sua esposa, a atriz Mila Kunis, pediu para que ele o fizesse. "Quando me casei e tive filhos, minha esposa me encorajou e disse que não era uma decisão inteligente para a família viajar para o espaço com filhos pequenos", afirmou ele na quarta-feira (14) em entrevista a uma emissora norte-americana. "Era para eu estar no próximo voo. Mas eu não vou estar", disse.

Kutcher se casou com Kunis em 2015, mas estão juntos desde 2012. Juntos, eles têm dois filhos: Wyatt, de 6 anos, e Dimitri, de 4. 

Apesar disso, o ator afirmou que não desistiu do sonho. "Eu vou para o espaço em algum momento", disse. 

Mesmo que isso demore para acontecer para Kutcher, o mesmo não é verdade para outras pessoas. A Virgin Galactics conseguiu fazer um voo com tripulantes no final de semana passado, a 55 milhas acima da Terra.

A companhia anunciou que pretende aceitar clientes a partir do ano que vem, com mais de 700 pessoas a bordo, incluindo Lady Gaga, Justin Bieber e Elon Musk, que já reservaram seu espaço na viagem. Uma passagem pode chegar a custar US$ 250.000,00. 

A corrida espacial dos bilionários

Foto: Getty Images

Nos últimos vinte anos, a corrida espacial ganhou novos contornos, indo além da briga entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética no século passado, quando se disputou quem colocaria o primeiro homem na Lua.

Mais do que uma questão de Estado, buscar um lugar no espaço se tornou uma missão privada. E não é para menos: a indústria espacial foi avaliada em US$ 385 bilhões em 2020, segundo a consultoria Euroconsult. 

E esse valor ainda pode crescer. Segundo o analista Ron Epstein, do Bank of America, o mercado deve chegar a valer US$ 1,4 trilhão já na próxima década, se aproximando dos US$ 1,5 trilhão da indústria de turismo.  

Epstein, em uma carta para investidores enviada no final do ano passado, afirmou que "mesmo com a Covid-19 tendo atrasado alguns programas públicos e privados, a pandemia não parece ser prejudicial para o investimento geral na indústria". "Isso se dá, em grande parte, ao fato de que os gastos espaciais são, geralmente, feitos de negócio para negócio ou para governo, perfil que se recupera mais rápido do que os negócios cujo consumidor final é o cliente", explicou.

A mesma previsão (embora mais conservadora) é feita pelo Morgan Stanley, que, em 2020, afirmou que a indústria espacial deve passar deUS$ 1 trilhão em 2040. Apesar da crescente exploração do espaço, a empresa aposta que a área que terá o maior crescimento a curto e médio prazo é a de satélites para internet de banda larga — e não a de voos comerciais, pelo menos por enquanto. 

"A demanda por dados está crescendo a uma taxa exponencial, enquanto o custo de acesso ao espaço (e, por extensão, dados) está caindo em ordens de magnitude", diz Adam Jonas, analista do Morgan Stanley, em um relatório. "Acreditamos que a maior oportunidade no setor é a de fornecer acesso à Internet para partes sub e não atendidas do mundo, mas também vai haver aumento da demanda por ampliação de banda para tecnologias como carros autônomos, Internet das Coisas, inteligência artificial, realidade virtual e vídeo", completa. 

A Starlink, de Musk, já colocou 11.670 satélites para conexão de banda larga no espaço — mas a meta, segundo a companhia, é chegar a marca de 42 mil. A escolha pelo investimento não é arbitrária: o bilionário quer colonizar Marte, e, para isso, precisa ter um espacinho na indústria global de US$ 1 trilhão que é a internet.