Blue Origin quer lançar estação espacial com indústria e centro de pesquisa até 2030

Boeing e Sierra Space também participam do projeto de desenvolvimento da estação espacial Orbital Reef

O fundador da Blue Origin e da Amazon, Jeff Bezos
O fundador da Blue Origin e da Amazon, Jeff Bezos Blue Origin / divulgação

Jackie Wattlesda CNN

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A Blue Origin, empresa de foguetes e turismo espacial fundada por Jeff Bezos, bilionário que também fundou a Amazon, está propondo uma nova e enorme estação espacial comercial chamada “Orbital Reef”, que poderia ser usada para realização de experimentos científicos, viagens de férias e até mesmo como indústria espacial.

A empresa planeja trabalhar ao lado da startup Sierra Space, fabricante de foguetes e componentes, para fazer da estação espacial uma realidade. A Boeing também quer participar e propõe projetar um módulo de pesquisa na estação, embora não haja garantias de que isso realmente possa ser feito. Esses projetos ainda são exorbitantemente caros e arriscados, custando algo em torno de dezenas de bilhões de dólares, e exigindo vários lançamentos seguros até que um humano possa estar a bordo.

A Blue Origin e a Sierra Space planejam financiar em conjunto a estação espacial, embora os executivos tenham se recusado a dar uma estimativa de custo total durante uma entrevista coletiva nesta segunda-feira (25). Eles esperam assinar uma parceria com a Nasa, embora não esteja exatamente claro como seria a relação entre as empresas e a agência americana.

A Nasa pediu a empresa que apresentassem propostas para construção de estações espaciais comerciais, já que a Estação Espacial Internacional de 20 anos – que já recebeu tripulações de astronautas profissionais dos Estados Unidos, Rússia e mais de uma centena de outros países – está se aproximando da aposentadoria. Várias outras empresas, incluindo as startups Nanoracks e Axiom, fizeram propostas semelhantes.

A Blue Origin espera que a Orbital Reef possa estar operando no final dos anos 2020, embora tenha que ser feito bastante para que isso aconteça. A empresa conseguiu realizar apenas alguns voos suborbitais com tripulação, muito parecido com o que a Nasa conseguiu pela primeira vez no início dos anos 1960. Além disso, a empresa de Bezos ainda não colocou nenhuma espaçonave em órbita, muito menos, um ser humano. Uma estação espacial seria um grande salto.

O foguete chamado New Glenn, criado pela Blue Origin para ser grande e poderoso o suficiente para levar a maior parte da estação espacial para a órbita, ainda não está operando. Além disso, seu voo inaugural foi recentemente adiado e o foguete não estará no ar antes do final de 2022.

As naves espaciais que poderiam ser usadas para transportar pessoas para a estação espacial também estão em fase de desenvolvimento. O Starliner, da Boeing, por exemplo, teve vários problemas e não fará um voo de teste até meados de 2022.

A Orbital Reef será capaz de hospedar até 10 pessoas e terá aproximadamente o mesmo volume interno da Estação Espacial Internacional.

Várias outras empresas estiveram envolvidas no anúncio da Orbital Reef nesta segunda-feira, mencionando vários negócios e produtos que podem ser desenvolvidos no espaço. Uma empresa chamada Genesis também está trabalhando para desenvolver um meio de permitir que os astronautas conduzam caminhadas no espaço sem traje espacial, colocando pessoas em cápsulas seladas a vácuo com braços robóticos para que um dia possam trabalhar no exterior dessa estação espacial.

Uma empresa chamada Redwire também está trabalhando na fabricação no espaço usando de impressoras 3D, o que poderá um dia tornar mais fácil a produção de novos produtos no espaço em vez de ter que passar pelo árduo e caro processo de fazer produtos na Terra e depois lançá-los no espaço.

No que diz respeito às operações da estação espacial, empresas de todo o mundo, de diferentes áreas, poderiam usá-la para realizar pesquisas em microgravidade, como já fazem na Estação Espacial Internacional. A Nasa, há muito tempo, conhece os benefícios de fazer pesquisas no espaço. No ambiente de microgravidade, os fenômenos físicos e biológicos não são paralisados ​​pela gravidade da Terra. Portanto, fazer no espaço o mesmo experimento que foi feito em solo pode dar aos cientistas resultados diferentes.

(Texto traduzido. Leia o original aqui.)

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