CDI: o que é e como influencia os seus investimentos

Saiba exatamente como funciona esse indexador, como ele é calculado e a sua finalidade

Foto: Getty Images/Jorg Greuel

Raphael Coraccinicolaboração para o CNN Brasil Business

em São Paulo

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Na sopa de letrinhas do mercado financeiro, uma das siglas mais famosas é o CDI. Ao contrário do que se possa imaginar, o CDI não é um investimento ao alcance das pessoas. Ele é um título privado que apenas os bancos podem negociar entre si para pagarem empréstimos de curtíssimo prazo.

Então, qual a utilidade do CDI para os investidores? Ele gera uma taxa que é responsável por atribuir rentabilidade aos investimentos em renda fixa, como CDB e letras de crédito.

Saiba exatamente como funciona esse indexador, como ele é calculado e a sua finalidade.

O que é CDI?

CDI é a sigla para Certificado de Depósito Interbancário. Trata-se de um título emitido pelos bancos para dar lastro às transações entre eles. Esse certificado foi criado durante o período de inflação descontrolada, nos anos 1980, e segue sendo usado para garantir estabilidade no setor financeiro.

Porém, a sigla CDI aparece para o público não para tratar sobre os certificados emitidos entre os bancos, mas para revelar a rentabilidade de investimentos. Essa rentabilidade é medida pela taxa CDI, que é uma média feita a partir das transações entre os bancos.

Portanto, o que interessa para as pessoas é a taxa do CDI. Mas para entender como ela é gerada, é preciso entender primeiro essas transações entre bancos e por que elas acontecem.

Como o CDI é usado para regular o sistema bancário?

O Banco Central exige que toda instituição bancária termine o dia no azul, ou seja, registre mais depósitos do que resgates. Isso foi instituído pelo índice de Basileia, que evita que uma instituição financeira termine o dia com saldo negativo no caixa. A proposta dessa regra é reduzir os riscos sistêmicos no mercado financeiro.

Mas nem sempre os bancos conseguem terminar o expediente com saldo positivo. Neste caso, a instituição que está para encerrar o dia no vermelho precisa pedir empréstimo para outros bancos e cumprir a exigência do Banco Central.

Para pleitear esse empréstimo junto aos concorrentes, o banco precisa emitir um título, o Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Esse título é utilizado, portanto, apenas entre bancos para garantir empréstimos de curtíssimo prazo, com vencimento de apenas um dia.

A taxa média de juros praticadas entre os bancos nesse tipo de empréstimo é a taxa CDI e o que realmente importa para a maioria das pessoas, principalmente para os investidores.

Mas, afinal, o que é a taxa do CDI?

Nessas operações de crédito entre bancos, citadas anteriormente, cada banco que vai ceder o empréstimo define qual taxa vai aplicar nessa operação.

A média das taxas praticadas entre os bancos no dia é a taxa DI ou taxa do CDI. Sua finalidade original é indicar quanto o banco credor deve receber de juros pelo empréstimo que fez aos concorrentes.

Porém, o mercado financeiro decidiu usá-la também para estipular a rentabilidade dos investimentos em renda fixa. E, hoje, quando falamos de CDI, falamos mais da sua taxa do que do certificado de um título privado.

Para que serve a taxa do CDI?

Como foi mencionado anteriormente, a taxa CDI nasceu com a proposta de disciplinar os empréstimos interbancários. Só mais tarde passou a ser usada como taxa de indexação para investimentos em renda fixa, como CDB, letras financeiras, debêntures, entre outros.

Os investimentos que usam o CDI como meta de desempenho se propõem a pagar um percentual dessa taxa. Esse percentual pode ser 100% do CDI, por exemplo. Neste caso, o investimento pagará ao investidor a íntegra da taxa do CDI registrada no período no qual vigorou a aplicação.

Há casos que pagam mais ou menos de 100% do CDI.

Como o CDI afeta a vida das pessoas?

Para quem é investidor em renda fixa, a alta da taxa do CDI é sempre interessante. Significa que os investimentos vão ter um rendimento igualmente alto.

Porém, para a economia como um todo, altas no CDI podem significar um problema, porque refletem um aumento no custo do crédito. Ou seja, quanto mais alta a taxa, maior os rendimentos para quem investe, porém, mais caro o crédito para quem pede emprestado ou faz um financiamento.

Qual é a relação entre CDI e Selic?

As taxas do CDI usam a Selic como referência. Essa taxa é calculada pelo próprio Banco Central e incide sobre a rentabilidade dos títulos públicos, ou seja, quanto mais alta a Selic, mais rentáveis são os juros pagos por esses títulos.

A taxa do CDI sempre vai seguir a tendência da Selic e caminhar próxima dela porque elas competem pelo dinheiro dos bancos. Se a taxa do CDI se afastar muito da Selic, ela perde a atratividade para os bancos, que passam a direcionar o seu dinheiro para os títulos públicos em vez de comprar os certificados de empréstimos bancários.

Simplificando: os bancos direcionam seu dinheiro sempre para aquilo que oferece a maior rentabilidade. Se a Selic for muito maior que a taxa do CDI, a tendência é que os bancos prefiram investir em títulos públicos, ou seja, vão preferir emprestar dinheiro ao governo, que está pagando mais, do que aos outros bancos.

Pensando no cenário oposto, se a taxa do CDI estiver muito alta, a remuneração dos títulos atrelados ao CDI e paga pelos bancos sobe. Assim sendo, as instituições financeiras teriam que pagar mais aos credores, o que também não é o melhor dos mundos para os bancos.

Como a taxa do CDI é calculada?

Essa taxa é diária e quem faz o cálculo sobre ela é a B3, empresa que administra a Bolsa de Valores de São Paulo. A B3 faz a média das taxas de juros praticadas pelos bancos naquele dia para os empréstimos interbancários de curtíssimo prazo. Essa média é a taxa do CDI do dia.

Essa taxa é prefixada e quem faz a sua divulgação é a Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos Privados (Cetip). A central é responsável pela infraestrutura e tecnologia que permite ao mercado financeiro funcionar. Ela também supervisiona e fiscaliza as operações financeiras de empresas e investidores.

Na hora de calcular a rentabilidade de um título indexado pela taxa do CDI, é levado em conta o acumulado das taxas ao longo de um determinado período. Por isso, existe a taxa do CDI anual, conhecida como CDI Over. É possível calcular a CDI Over por meio do Índice DI, no site da B3.

Quais as diferenças entre CDI e CDB?

Outra sigla bastante conhecida no mundo dos investimentos é o CDB (Certificado de Depósito Bancário). Tanto CDI quanto CDB são usados pelos bancos para captar dinheiro no mercado. A diferença é que o CDB é, de fato, um investimento, enquanto o CDI é apenas um indexador.

O CDB é um título aberto ao público, ou seja, o investidor pode comprar um título como esse e ganhar dinheiro com ele, a depender da rentabilidade. No caso dos CDBs pós-fixados, a rentabilidade vai depender diretamente da taxa do CDI.

No caso do CDI, o investidor não pode investir diretamente nele porque, enquanto investimento ele serve apenas para os bancos realizarem transações de curtíssimo prazo entre eles. E, como indexador, apenas empresta a sua taxa para calcular a rentabilidade dos investimentos em renda fixa.

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