Como a invasão russa à Ucrânia mudou a economia mundial em uma semana

Economia de US$ 1,5 trilhão da Rússia é a 11ª maior do mundo, segundo dados do Banco Mundial

Economia da Rússia é importante para o resto do mundo por causa de seus vastos recursos energéticos
Economia da Rússia é importante para o resto do mundo por causa de seus vastos recursos energéticos 02/03/2022Serviço de Imprensa do Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS

Charles Rileydo CNN Business

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A primeira semana de guerra na Ucrânia abalou a economia mundial, quando rápidas sanções ocidentais isolaram a Rússia, colapsaram sua moeda e ativos financeiros e elevaram os preços de energia e alimentos.

A economia de US$ 1,5 trilhão da Rússia é a 11ª maior do mundo, segundo dados do Banco Mundial. Uma semana atrás, o país estava fazendo um ótimo comércio de energia, exportando milhões de barris de petróleo por dia, com a ajuda das grandes companhias petrolíferas. As marcas ocidentais estavam fazendo bons negócios e os investidores realizavam empréstimos para as suas empresas.

Agora, uma enxurrada de sanções tornou os maiores bancos da Rússia arriscados, comerciantes evitam barris de petróleo bruto dos Urais e empresas ocidentais estão fugindo do país ou fechando suas lojas.

As ações russas foram empurradas para fora dos índices globais e as negociações de algumas empresas russas foram interrompidas em Nova York e Londres.

 

As sanções têm um grande impacto

A invasão da Ucrânia pelo presidente russo Vladimir Putin atraiu uma resposta sem precedentes dos Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia (UE), Canadá, Japão, Austrália e outros países. Até a Suíça, famosa por sua neutralidade e sigilo bancário, prometeu impor sanções à Rússia.

Sanções anunciadas na semana passada impediram os dois maiores bancos da Rússia, Sberbank e VTB, de negociar em dólares americanos.

O Ocidente também removeu sete bancos russos, incluindo o VTB, do Swift, um serviço global que conecta instituições financeiras e facilita pagamentos rápidos e seguros.

A coalizão está tentando impedir o banco central da Rússia de vender dólares e outras moedas estrangeiras para defender o rublo e sua economia. Ao todo, quase US$ 1 trilhão em ativos russos foram congelados pelas sanções, segundo o ministro das Finanças francês, Bruno Le Maire.

“As democracias ocidentais surpreenderam muitos ao buscar uma estratégia de exercer intensa pressão econômica sobre a Rússia, isolando-a efetivamente dos mercados financeiros globais”, disse Oliver Allen, economista de mercados da Capital Economics, em nota de pesquisa.

“Se a Rússia continuar em seu caminho atual, é muito fácil ver como as últimas sanções podem ser apenas os primeiros passos em um corte severo e duradouro dos laços financeiros e econômicos da Rússia com o resto do mundo.”

Petróleo sobe 20%

A economia da Rússia é importante para o resto do mundo por causa de seus vastos recursos energéticos.

As exportações de petróleo e gás do país não têm sido um alvo direto dos governos ocidentais, mas isso não impediu que os preços subissem nos últimos dias. O petróleo russo, no entanto, está sendo negociado com o maior desconto em mais de 30 anos.

Moscou está achando mais difícil vender remessas para compradores estrangeiros preocupados com as consequências das sanções financeiras. As operadoras de petróleo estão cautelosas com o risco para os navios no Mar Negro, e as principais companhias petrolíferas do mundo estão abandonando as operações no país.

Os contratos futuros de petróleo Brent , referência global, subiram cerca de 20% desde o início da invasão, sendo negociados perto de US$ 115 o barril. Os contratos futuros de petróleo dos EUA subiram para o nível mais alto desde 2008. Na Europa, o preço do gás natural no atacado atingiu um recorde histórico na quarta-feira (2), mais que o dobro da última sexta-feira (25).

Grandes aumentos de preços tornarão o combustível mais caro em todo o mundo, elevando o custo de viagens e deslocamentos. Também deve aumentar a inflação e pode atuar como um empecilho para o crescimento econômico, revivendo os temores dessa inflação e complicando as decisões dos bancos centrais globais que buscam combater o aumento dos preços.

Preços de outras matérias-primas também sobem

A crise também está pressionando as cadeias de suprimentos globais já saturadas. Juntas, a Ucrânia e a Rússia são responsáveis ​​por cerca de 14% da produção mundial de trigo e fornecem 29% de todas as exportações de trigo.

Os futuros do produto dispararam, tornando a commodity mais cara para os fabricantes de alimentos, que provavelmente repassarão esses custos aos consumidores.

Os preços do óleo de palma também dispararam à medida que os mercados lutam para encontrar alternativas aos embarques de óleo de girassol presos nos portos do Mar Negro.

E pode piorar. Em um cenário em que os combates na Ucrânia duram até 2023 e a Rússia corta o fornecimento de gás natural da Europa por seis meses em retaliação a sanções adicionais, a inflação da zona do euro supera 7% no terceiro trimestre deste ano, segundo a Oxford Economics. A inflação do Reino Unido ultrapassaria 10%.

A Rússia suportaria o peso da dor econômica. No cenário delineado pela Oxford Economics, a produção econômica da Rússia em 2023 estaria 7% abaixo dos níveis que teria alcançado sem uma invasão. O crescimento global naquele ano encolheria 1,1 ponto percentual, de acordo com a empresa de pesquisa.

Empresas globais lutam para se adaptar

As riquezas energéticas da Rússia não foram alvo direto das sanções ocidentais, mas muitas das maiores empresas petrolíferas do mundo estão deixando o país ou interrompendo novos investimentos em projetos para explorar e desenvolver campos.

A ExxonMobil disse, na terça-feira (1), que estava saindo de seu mais recente projeto no país, o Sakhalin-1, listado como “um dos maiores investimentos diretos internacionais na Rússia”. Uma subsidiária da Exxon foi a operadora do projeto, e a decisão da empresa de se retirar encerrará sua presença de mais de 25 anos na Rússia.

BP, Shell e Equinor da Noruega disseram esta semana que pretendem sair de seus negócios russos diante de um provável impacto multibilionário em seus balanços. A TotalEnergies da França interrompeu novos investimentos.

O êxodo empresarial se acelerou nos últimos dias e atingiu quase todos os setores da economia. Gigantes da tecnologia, montadoras, varejistas e companhias aéreas suspenderam suas operações na Rússia.

As linhas de transporte de contêineres reduziram drasticamente seus serviços. Os bancos ocidentais estão tentando descobrir até que ponto estão expostos ao instável sistema financeiro da Rússia. Visa e Mastercard não funcionam mais na Rússia. Boeing e Airbus não atenderão a frota russa.

 

Este conteúdo foi criado originalmente em espanhol.

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