Crise hídrica em SP é pior do que a de 2013, diz professor

Professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP, Pedro Cortês, avalia que falta comunicação do governo de São Paulo e da SABESP junto à população

Produzido por Thiago Felixda CNN

em São Paulo

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O principal reservatório de água para região metropolitana de São Paulo está em alerta. Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o volume do Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de 7 milhões de pessoas por dia, atingiu 38% de volume útil.

Para o professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP, Pedro Cortês, a atual emergência hídrica na região é mais severa do que a enfrendada na década passada. “Ela é pior do que a de 2013 porque hoje nós temos 20% menos água armazenada do que no período anterior”, disse à CNN.

Como solução, Cortês sugere que a Sabesp retome algumas ações, como a de bônus que premia a economia de água. “Portanto, quem gastasse até o limite da sua média mensal, teria um preço por metro cúbico menor do que a tarifa normal. E quem gastasse acima da média, teria uma sobretaxa em todo o consumo. Isso foi muito útil para reduzir o consumo”, explica.

Outra alternativa conjunta seria a suspensão dos contratos de demanda firme.

“A Sabesp tem uma ação com grandes consumidores, em que ela oferece uma tarifa diferenciada, desde que estes grandes consumidores, como shopping centers, indústrias, mantenham o consumo muito elevado. O que é um contra senso num momento de escassez que estamos enfrentando agora.”

O professor avalia que falta comunicação do governo de São Paulo e da própria Sabesp junto à população a fim de informar com exatidão os dados e o real cenário, já que é provável que no final do ano os reservatórios estejam em 20%.

“As diversas projeções que vêm sendo apresentadas pelo Comitês das Bacias Hidrográficas do PCJ, que atende Campinas, pelo Cemanden, e nas projeções da própria Sabesp, que foram apresentadas esta semana em um evento no Instituto de Estudos Avançados da USP, dão conta de uma gravidade muito grande, muito intensa. As projeções dão conta que nós poderemos chegar no final do ano com um volume pouco acima de 20%.”

Além disso, ele acrescenta que apesar de evitarem o uso do termo “racionamento”, ele já vem sendo aplicado.

“A Sabesp informa diariamente em seu site onde ela reduz a pressão para determinados bairros ao longo do dia, durante várias horas, e se a localidade é muito distante, chega a cortar essa água, e isso é uma forma de rodízio que vem já penalizando a população depois da crise hídrica e eu acredito que a SABESP venha a intensificar essa prática.”

Pedro Cortês – professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP (22-08-2021) /

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