Decisão da Ford é alerta para a redução urgente do Custo Brasil, diz CNI
Cerca de 5.000 colaboradores da América do Sul que serão afetados com o fechamento das fabricas

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) disse nesta nesta segunda-feira, (11), que a decisão da Ford de encerrar sua produção no Brasil é um alerta para a redução urgente do Custo Brasil, que, segundo a associação, passa pelo compromisso do governo com o ajuste fiscal e pela aprovação da reforma tributária.
Em nota, o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi, diz que o fechamento das fábricas é uma péssima notícia, em um momento de recuperação econômica, tanto pelos empregos que se perdem quanto por todo o impacto na cadeia produtiva do setor automobilístico, uma das mais complexas da indústria brasileira.
“Entendemos que a decisão está alinhada a uma estratégia de negócios da montadora. Mas, o ambiente de negócios é um dos fatores que pesam no momento de decisão sobre onde permanecer e onde fechar", disse.
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Em um momento em que o mercado de trabalho sofre com os impactos trazidos pela pandemia do coronavírus, a fabricante anunciou que irá cortar cerca de 5.000 postos de trabalho na América do Sul.
No Brasil, serão fechadas as fabricas de Taubaté (SP), Camaçari (BA) e Horizonte (CE). O Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari (BA) estima que, só na região, onde é sediada a maior unidade da Ford no Brasil, cerca de 10 mil trabalhadores serão impactados.
A CNI acrescenta que a decisão da montadora também é um sinal de alerta para os governos de estados e municípios. De uma forma geral, os entes lidam com orçamentos engessados e praticamente tomados por gastos obrigatórios, mesma situação do governo federal.
O alerta vai também para o Congresso Nacional, segundo a CNI, que precisa aprovar com urgência medidas para a redução do Custo Brasil.
Após o anúncio da montadora, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, postou em sua conta do Twitter que a decisão é uma demonstração da falta de credibilidade do governo brasileiro, de regras claras, de segurança jurídica e de um sistema tributário racional: "O sistema que temos se tornou um manicômio nos últimos anos, que tem impacto direto na produtividade das empresas", disse.
As discussões em volta da reforma tributária estão paralisadas na Casa e aguardam o restante da contribuição do governo federal para que avancem. O principal impasse passa pela intenção do minstro da Economia, Paulo Guedes, de criar um imposto sobre transações financeiras, que lembra a extinta CPMF, necessário, segundo ele, para desonerar a folha de pagamentos.
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