El Salvador anuncia que construirá a primeira “cidade do bitcoin”

Nova cidade contaria com energia de um vulcão e seria financiada por títulos lastreados na criptomoeda

El Salvador foi o primeiro país do mundo a adotar o bitcoin como moeda oficial
El Salvador foi o primeiro país do mundo a adotar o bitcoin como moeda oficial Roque Alvarenga / APHOTOGRAFIA / Getty Images

Da Reuters

Ouvir notícia

El Salvador planeja construir a primeira “cidade de bitcoin” do mundo, financiada inicialmente por títulos lastreados na criptomoeda, anunciou o presidente do país, Nayib Bukele, no sábado (20), reforçando sua aposta de aproveitar o ativo para atrair investimentos para a nação centro-americana.

O anúncio foi feito por Bukele durante um evento que durou uma semana e tinha o objetivo de promover o bitcoin. Ele disse que a cidade, planejada na região leste do município de La Union, obteria energia geotérmica de um vulcão e não cobraria nenhum imposto, exceto o imposto sobre valor agregado (VAT, na sigla em inglês).

“Invista aqui e ganhe todo o dinheiro que quiser”, disse Bukele em inglês, todo vestido de branco e com um boné invertido, no balneário de Mizata. “Esta é uma cidade totalmente ecológica que funciona e é energizada por um vulcão”.

Metade do imposto cobrado seria usado para financiar os títulos emitidos para construir a cidade, e a outra metade pagaria por serviços como coleta de lixo, afirmou Bukele, estimando que a infraestrutura pública custaria cerca de 300.000 bitcoins.

Em setembro, El Salvador se tornou o primeiro país do mundo a adotar o bitcoin como moeda legal.

Embora Bukele seja um presidente popular, as pesquisas de opinião mostram que os salvadorenhos são céticos sobre seu amor pelo bitcoin, e problemas na introdução da criptomoeda alimentaram protestos contra o governo.

Comparando seu plano às cidades fundadas por Alexandre, o Grande, Bukele disse que a cidade do bitcoin seria circular, com um aeroporto, áreas residenciais e comerciais, e apresentaria uma praça central projetada para parecer o símbolo do bitcoin visto do alto.

“Se você quer que o bitcoin se espalhe pelo mundo, devemos construir algumas Alexandrias”, disse Bukele, um especialista em tecnologia de 40 anos que em setembro se proclamou “ditador” de El Salvador no Twitter em uma aparente piada.

O país planeja emitir os títulos iniciais em 2022, disse Bukele, sugerindo que isso demoraria 60 dias.

Samson Mow, diretor de estratégia do provedor de tecnologia blockchain Blockstream, disse no encontro que a primeira emissão, com vencimento de 10 anos, conhecida como “título vulcão”, valeria US$ 1 bilhão, lastreada em bitcoin e carregando um cupom de 6,5%. Metade da quantia iria para a compra de bitcoins no mercado, disse ele. Outros títulos devem ser emitidos.

Após um lock-up (bloquio de negociações) de cinco anos, El Salvador começaria a vender parte do bitcoin usado para financiar o título para dar aos investidores um “cupom adicional”, disse Mow, apostando que o valor da criptomoeda continuaria a aumentar fortemente.

“Isso vai fazer de El Salvador o centro financeiro do mundo”, disse ele.

O título seria emitido na “rede líquida”, uma rede bitcoin sidechain. Para facilitar o processo, o governo de El Salvador está trabalhando em uma lei de valores mobiliários, e a primeira licença para operar uma bolsa de valores iria para a Bitfinex, disse Mow.

A exchange de criptomoedas Bitfinex foi listada como o corretora do título em uma apresentação enquanto Mow falava.

Assim que 10 desses títulos forem emitidos, US$ 5 bilhões em bitcoin serão retirados do mercado por vários anos, disse Mow. “E se você conseguir que mais 10 países façam esses títulos, isso representa metade da capitalização de mercado do bitcoin”.

A “teoria do jogo” nos títulos deu ao primeiro emissor, El Salvador, uma vantagem, argumentou Mow, afirmando: “Se o bitcoin na marca de cinco anos chegar a US$ 1 milhão, o que eu acho que vai, eles venderão o bitcoin em dois trimestres e obterão US$ 500 milhões”.

(Texto traduzido. Clique aqui para ler o original, em inglês)

Mais Recentes da CNN