Endividamento das famílias e comprometimento de renda batem recorde, diz BC

A metodologia dos indicadores foi alterada pelo BC neste mês, passando a incluir auxílios emergenciais, 13º salário e férias

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Bernardo Caramda Reuters

da Reuters

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O endividamento das famílias e o comprometimento de renda dos brasileiros estão subindo e bateram recorde, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira.

Em setembro, dado mais recente, o saldo das dívidas das famílias correspondeu a 49,4% da renda acumulada em 12 meses. A alta foi de 0,7 ponto percentual no mês e de 5,5 pontos no ano.

E o valor médio gasto pelos brasileiros para pagar o serviço de dívidas foi de 26,2%, elevação de 0,5 ponto no mês e de 1,7 ponto no ano. Os dois indicadores são os mais altos da série histórica iniciada em 2005.

Para o chefe-adjunto do departamento de Estatísticas do Banco Central, Renato Baldini, o aumento do indicador em si não é necessariamente ruim.

“A elevação pode refletir a expansão imobiliária, por exemplo. Uma família que sai de um apartamento alugado para um financiado passa a ter maior endividamento, mas a situação financeira dela pode ser considerada mais saudável”, disse.

Por outro lado, o dado do comprometimento da renda, também em alta, é mais relevante para revelar a situação das famílias, segundo Baldini. Ele ponderou que apesar do recorde, o nível ainda está relativamente próximo a patamares observados em março de 2020, quando estava em 25,3%.

A metodologia dos indicadores foi alterada pelo BC neste mês. O novo cálculo inclui novas fontes no cálculo da renda, incluindo rendimentos extraordinários, como valores referentes a auxílios emergenciais, 13º salário e férias.

Segundo Baldini, a nova fórmula faz com que os percentuais fiquem mais baixos do que os observados na metodologia anterior. Mas a série histórica foi atualizada desde o início e a trajetória observada não mudou significativamente.

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