Bolsas dos EUA fecham em queda com nova variante da Covid-19 e preço do petróleo

Wall Street teve uma operação mais curta nesta sexta-feira (26) por conta do Feriado de Ação de Graças

Touro de Wall Street em Manhattan, Nova York
Touro de Wall Street em Manhattan, Nova York REUTERS/Carlo Allegri

Artur Nicocelido CNN Brasil Business*

São Paulo

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As bolsas dos Estados Unidos tiveram uma operação mais curta nesta sexta-feira (26) por conta do Feriado de Ação de Graças no país. Contudo, apesar do curto período, a nova variante do coronavírus, identificada pela primeira vez em Botsuana, no sul da África, conseguiu puxar os índices para baixo.

O Dow Jones terminou em queda de 2,53%, aos 34.899 pontos (índice perdeu mais de 1000 pontos hoje), o Nasdaq caiu 2,23%, aos 15.491 pontos, e o S&P 500 fechou em baixa de 2,27%, aos 4.594 pontos. Os três índices tiveram a pior sessão já registrada em uma Black Friday.

Ao mesmo tempo, o chamado Índice do medo, o VIX, subiu mais de 52% hoje, com esses temores, atingindo o mesmo patamar de fevereiro de 2021, quando a pandemia aumentou e levou a novos lockdowns. O índice é usado para medir a volatilidade das opções de ações do S&P 500.

“As ações reagiram negativamente porque não se sabe até que ponto as vacinas serão eficazes contra a nova cepa e, portanto, aumenta o risco de novos lockdowns que levariam a um impacto econômico”, disse Peter Garnry, chefe de estratégia de ações do Saxo Bank, à Reuters.

Outro movimento que também puxou os indicadores para baixo foi o preço do petróleo. Às 15h00, horário de Brasília, a commodity brent recuava 10,34%, a US$ 73,72 por barril, caminhando para sua maior perda em um dia desde julho. Ao mesmo tempo, o WTI caia 11,88%, a US$ 69,08 por barril.

Os investidores norte-americanos estão buscando por ativos mais seguros em meio ao cenário pandêmico, empurrando assim o rendimento das treasuries para cima. O tesouro de 10 anos, nesta manhã, subiu para 1,493%.

Ao mesmo tempo, o cenário pessimista favorece ainda os ativos considerados de proteção do valor investido em situações de crise, já que eles se valorizam ou variam pouco nesses cenários, como o ouro.

Variante B.1.1.529

A variante B.1.1.529 apresenta uma ampla gama de mutações. De forma isolada, essas mutações podem tanto trazer vantagens ao vírus, como uma capacidade maior de transmissão ou do escape do sistema imunológico.

“O que mais chama atenção é que a variante tem um número grande de variantes, são pelo menos 32”, explica o virologista Fernando Spilki, pesquisador da Universidade Feevale, do Rio Grande do Sul, em entrevista à CNN.

“Essas mutações não querem dizer que tenhamos uma situação crítica. Precisamos testar, tanto in vitro quanto in vivo quais os efeitos desse acúmulo de mutações, é algo que precisa ser investigado”, acrescenta.

O enviado especial da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o combate à Covid-19, David Nabarro, disse que é apropriado estar preocupado com a disseminação da nova variante do coronavírus identificada na África do Sul.

Mais tarde, um porta-voz da organização fez um alerta contra a imposição precipitada de restrições de viagens relacionada à nova variante, dizendo que as nações devem adotar uma “abordagem científica e baseada no risco”.

Especialistas afirmam que ainda deve levar semanas para que a transmissibilidade da variante e sua eficácia contra as vacinas seja determinada. Países da União Europeia, Reino Unido e Índia estão entre os que anunciaram controles de fronteira mais rigorosos enquanto cientistas tentam determinar se a variante nova é resistente a vacinas.

*Com informações da Reuters e Lucas Rocha da CNN

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