Facebook derruba rede de desinformação ambiental ligada a militares brasileiros

Derrubado por violar regras de funcionamento das redes sociais, grupo tinha 14 contas no Facebook e 39 no Instagram

Investigação sobre o caso é detalhada no Relatório Trimestral de Ameaças da empresa, relativo ao primeiro trimestre de 2022
Investigação sobre o caso é detalhada no Relatório Trimestral de Ameaças da empresa, relativo ao primeiro trimestre de 2022 Foto: Dado Ruvic - 29.out.2014/Reuters

Fernando Nakagawado CNN Brasil Business

em São Paulo

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Um grupo ligado a militares brasileiros com várias contas falsas em redes sociais foi derrubado por comportamento inautêntico coordenado. A informação foi divulgada na manhã desta quinta-feira (7) pela Meta, empresa que controla o Facebook, WhatsApp e Instagram.

O grupo atuava especialmente em temas ligados ao meio ambiente e defendia que nem todo desmatamento é prejudicial.

Procurado, o Exército informou em nota que está em contato com a Meta para obter, “dentro dos parâmetros legais vigentes, acesso aos dados que fundamentaram o relatório”. O texto destaca que o Exército “não fomenta a desinformação por meio das mídias sociais”. “A instituição possui contas oficiais nessas mídias e obedece as políticas de uso das empresas responsáveis por essas plataformas”, cita o texto.

Sem dar muitos detalhes, a Meta informa que “embora as pessoas por trás das contas tenham tentado esconder identidades e coordenação, nossa investigação encontrou ligações com indivíduos associados às Forças Armadas brasileiras”.

A rede derrubada envolvia 14 contas no Facebook e 39 contas no Instagram que violaram regras de funcionamento dessas redes sociais. A Meta diz que foram usados perfis falsos, inclusive em redes de concorrentes, como o Twitter.

A investigação sobre o caso é detalhada no Relatório Trimestral de Ameaças relativo ao primeiro trimestre de 2022, divulgado nesta quinta pela empresa.

Ao citar as Forças Armadas, o documento explica que a menção indica que há militares ligados à rede investigada, mas que esse grupo não era comandado ou controlado institucionalmente pelas Forças Armadas.

“Quando, com base nas evidências disponíveis, nossas equipes de investigação especializadas não veem evidências claras de comando e controle, mas veem um número de indivíduos associados à entidade por trás da operação, a Meta atribuirá a atividade a ‘indivíduos vinculados à entidade’”, explica o documento.

Segundo a investigação, o grupo atuou em duas fases. Inicialmente, em 2020, a rede postou uma série de memes sobre temas sociais e políticos, como reforma agrária e a pandemia.

Em 2021, as contas acompanhadas mudaram de comportamento, e passaram a criar páginas que se apresentavam como Organizações Não Governamentais (ONGs) ou ativistas ambientais.

As ONGs e os ativistas eram fictícios.

Nessa fase, o grupo passou a falar sobre desmatamento, inclusive com a defesa desse tipo de ação. As contas também criticavam ONGs ambientais legítimas e que contrárias à política ambiental brasileira.

Em meio a esse tipo de conteúdo, compartilhavam conteúdo de mídia tradicional e grupos como o Greenpeace, além de fotos da natureza. Segundo a Meta, a estratégia tentava “tornar essas contas mais críveis”.

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