Ipea aponta que inflação segue mais alta para os mais pobres em abril

Instituto detectou elevação em todos os estratos sociais: alimentos pesam mais para o segmento de renda mais baixa

Stéfano Sallesda CNN

Rio de Janeiro

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Um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) nesta segunda-feira (16) mostra que, em abril, quando analisada por faixa de renda, o impacto da alta da inflação segue maior para a população de renda mais baixa, embora o fenômeno tenha sido detectado em todos os grupos analisados.

No segmento de renda alta, maior que R$ 17.260,14 por domicílio, a inflação foi de 1%, segundo o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda.

Na outra ponta, para a renda muito baixa, menor que R$ 1.726,01, a variação foi de 1,06%.

Ao longo dos quatro primeiros meses de 2022, o segmento de renda muito alta percebe uma inflação de 3,7%, contra 4,5% de renda muito baixa.

No acumulado de 12 meses, o primeiro grupo lida com taxas de 10,8%, contra 12,7% do segundo.

O Ipea, órgão federal vinculado à estrutura do Ministério da Economia, trabalha com seis faixas de renda.

Nas três mais baixas, a maior contribuição à inflação do período veio do grupo de alimentos e bebidas.

Já para as outras três, o principal impacto foi sentido nos transportes.

Nos alimentos, os principais pontos de pressão na alimentação domiciliar foram batata (18,3%), leite (10,3%), óleo de soja (8,2%) feijão (7,1%) e pão francês (4,5%).

O grupo de bebidas e alimentos respondeu por 61% de toda a inflação apurada no segmento em abril.

Para a faixa de renda mais alta, esse papel coube ao transporte, que proporcionou 60% da alta do período.

Inflação concentrada em passagens aéreas (9,5%), etanol (8,4%), diesel (4,5%), transporte por aplicativo (4,1%) e gasolina (2,5%).

O Ipea destaca ainda que a alta inflacionária foi atenuada para todas as faixas e renda graças à redução de 6,3% nas tarifas de energia elétrica.

“Este alívio foi mais intenso para as famílias de renda mais baixa, dado o elevado peso deste item nas suas cestas de consumo”, diz o trabalho.

Os dados dos últimos 12 meses, para a renda mais baixa, são impulsionados principalmente pelos alimentos in-natura: cenoura (alta de 178,1%), tomate (103,3%) e batata (63,4%).

Na habitação, os principais impactos são do botijão de gás (32,2%) e da energia elétrica (20,5%).

Na faixa de renda mais alta, a pressão dos 12 meses está nos mais presente nos combustíveis: gás natural veicular (45,2%), etanol (42,1%) e gasolina (31,2%).

Essas variações afetaram o segmento de transportes, como o deslocamento por carros de aplicativos (67,2%) e táxis (14,3%) e passagens aéreas (14,3%).

Responsável pelo estudo, a economista Maria Andreia Parente, do Ipea, explica que a pandemia provocou um descolamento entre as inflações dos mais ricos e dos mais pobres, proporcionado pelo cenário de alta de preços dos alimentos, que afeta mais o segmento de renda mais baixa.

Para os próximos meses, a especialista espera que a diferença entre as duas pontas analisadas diminua, por conta dos comportamentos típicos de início de ano, que proporcionaram alta no acumulado de 2022.

“A gente espera que esses preços comecem a arrefecer. O verão é um período de maior consumo de produtos frescos. E engloba o período chuvoso, com maior risco de perda de colheita. Os próximos meses devem então trazer então algum alívio na inflação dos alimentos”, afirma.

A alta de 4,5% do diesel em abril, produto presente na cesta de produtos dos mais ricos, também impactará os mais pobres.

O combustível teve de 8,8% no preço do litro, anunciada pela Petrobras nas refinarias, no último dia 10, e já acumula 47% de elevação em 2022.

“Gera uma tendência de aumento de custos no transporte público, algo que afeta bastante o grupo de renda mais baixa, impactado principalmente por alimentos, despesas em casa e aluguel”, conclui a economista.

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