McDonald’s ganha mercado no Brasil e prevê 120 novas lojas até 2024

Reinvenção da franquia no Brasil, com reforma de restaurantes e adoção do apelido "Méqui", ajudou a aumentar a fatia do setor

Restaurante do McDonalds
Restaurante do McDonalds Foto: Divulgação

Fernando Scheller, do Estadão Conteúdo

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Depois de um período em que viu a concorrência ganhar espaço, o McDonald’s passou por uma reinvenção no Brasil ao longo dos últimos cinco anos: além de ter reformado restaurantes, com a instalação de totens tecnológicos e a implantação do atendimento à mesa em algumas lojas, a empresa ousou no quesito marketing.

Ao adotar a alcunha “Méqui”, referência a como os brasileiros se referem à rede, a companhia se reaproximou do consumidor. Resultado: de 2018 para cá, a rede viu sua fatia no setor passar de 36,9% para 41,6%, segundo a pesquisa Crest, que analisa as nove maiores redes de restaurantes do País.

O próprio presidente do McDonald’s no Brasil, Paulo Camargo, afirma que a comunicação fez muita diferença. “Se a gente voltar no tempo, não estávamos muito bem, a gente estava perdendo market share (fatia de mercado)”, diz o executivo.

“E aí a gente percebeu que precisávamos dar uma ‘resetada’ geral na estratégia.” E isso significou mexer, com o apoio da matriz, até no nome. “A nossa marca estava empoeirada. Então, por que não adotar o nome pelo qual as pessoas já chamavam a gente?”, lembra.

Apesar de o “Méqui” estampar apenas 17 de um total de 1.052 restaurantes em todo o País, a estratégia reverbera muito além de pontos físicos, como a “loja mil” da rede, localizada na Avenida Paulista, em São Paulo.

“Diria que o ano de 2019 foi o coroamento dessa estratégia”, diz o executivo, lembrando que a virada de chave foi algo importante nos tempos de pandemia, que abalou a economia a partir de 2020.

Expansão

Depois de enfrentar dois anos de pandemia, a Arcos Dorados – companhia responsável pelo McDonald’s na América Latina – divulgou na última quarta-feira (26) um novo plano de expansão para o País.

Serão 120 novas lojas até o fim de 2024, um crescimento de mais de 10% em relação ao total atual. O valor estimado para o mercado brasileiro é de R$ 1 bilhão, cerca de 30% do valor separado para toda a região como um todo (US$ 650 milhões).

Entre as lojas previstas para o Brasil, 90% terão drive-thru, um formato de atendimento que já era popular, mas que ganhou força na pandemia.

Mesmo com o relaxamento do distanciamento social, o consenso do mercado de fast-food é de que o delivery e a retirada em loja vão continuar a crescer na preferência do consumidor.

“A nossa performance acima da concorrência nos últimos tempos se resume a três letras ‘D’: delivery, drive-thru e digital”, diz Paulo Camargo.

“Hoje, 50% das nossas vendas passam por canais digitais. E a gente viu isso em pesquisa: o cliente, ao pedir pelo celular, consegue controlar como vai pedir, pagar e onde vai comer. Entendemos, finalmente, que essa decisão deveria ser do consumidor, e não do McDonald’s.”

Concorrência

Para Sérgio Molinari, fundador da consultoria Food Consulting, um dos “pulos do gato” do McDonald’s foi a estrutura mais parruda de delivery do que a da concorrência.

“O McDonald’s tem o melhor delivery entre as redes de fast-food, e a participação da entrega dobrou de tamanho: representava entre 7% e 8% das vendas totais e, hoje, já chega a 15%”, diz.

De acordo com Molinari, se o McDonald’s ganhou quase 5 pontos porcentuais de participação nos últimos anos, houve perda de fatia das rivais. Isso porque o levantamento Crest só inclui as nove maiores redes do segmento.

Além disso, por conta da pandemia, o “bolo” total do setor de fast-food não cresceu – apesar de o baque sofrido ter sido menor do que as dificuldades enfrentadas por restaurantes independentes.

Olhando adiante, em um momento de economia fraca – a previsão é de que o Produto Interno Bruto (PIB) fique perto da estabilidade em 2022, segundo estimativas de economistas -, tanto o McDonald’s quanto as outras redes terão o desafio de posicionamento de preço, diz o fundador da Food Consulting.

Isso porque disputam a renda das classes B e C, responsáveis pela maior parte do movimento nas lanchonetes.

O especialista alerta, porém, que isso não significa só baixar preços. “As pesquisas mostram que, em momentos como o atual, o cliente reduz a frequência de consumo, busca o custo-benefício. Então, ele pode até ficar mais exigente tanto na comida quanto no ambiente, porque, já que vai sair menos vezes, ficará mais atento à proposta de valor.”

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