Mercado Livre se junta à Tesla e anuncia que comprou US$ 7,8 mi em bitcoin

A empresa explicou que o investimento faz parte de uma estratégia de diversificação de ativos em sua tesouraria

Carro do Mercado Livre
Carro do Mercado Livre Foto: REUTERS

Matheus Prado,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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O Mercado Livre anunciou na quarta-feira (5), juntamente com seus resultados do primeiro trimestre de 2021, que comprou US$ 7,8 milhões em bitcoin entre os meses de janeiro e março. A empresa explicou que o investimento faz parte de uma estratégia de diversificação de ativos em sua tesouraria.

Com isso, a gigante argentina engrossa a lista de companhias que apostam no ativo como reserva de valor. Uma das grandes adeptas, e com certeza a mais espalhafatosa delas, é a montadora norte-americana Tesla.

“Entendemos que o Mercado Livre seguiu uma tendência que a Microstrategy e Tesla começaram. Colocar parte do caixa em BTC [bitcoin] pode ser uma estratégia muito boa de reserva de valor mundial frente ao dólar. Na Foxbit Business estamos conversando com muitas empresas explicando os conceitos por trás deste interesse pelo bitcoin”, afirma Ricardo Dantas, CO-CEO da Foxbit, corretora brasileira de criptoativos.

Em fevereiro, a empresa de Musk anunciou que havia comprado o equivalente a US$ 1,5 bilhão da criptomoeda, de acordo com documento enviado ao xerife do mercado americano, a SEC. A empresa afirmou ainda que pode adquirir mais criptomoedas de tempos em tempos e por um longo período.

“Na ocasião do anúncio da Tesla, em fevereiro, destacamos que a adoção institucional estava em plena aceleração e que as empresas latino-americanas já estavam estudando o assunto. O pioneirismo do Mercado Livre certamente servirá como exemplo para outras importantes companhias do continente, inclusive brasileiras”, diz Sebastian Serrano, CEO da Ripio.

O investimento em bitcoins ajudou, substancialmente, o caixa da Tesla. A empresa afirmou, na sua divulgação de resultados, que conseguiu um lucro de US$ 101 milhões com a venda do ativo digital. 

“Acredito na tendência, o bitcoin pode representar uma diversificação no caixa das empresas e uma proteção contra a inflação monetária. O Mercado Livre é uma das empresas mais inovadoras da América Latina e começa a encabeçar esse movimento por aqui”, opina Vinicius Frias, CEO da fintech Alter, que oferece conta digital com criptoativos.

Rafael Izidoro, CEO da Rispar, que oferece empréstimos com bitcoin como garantia, corrobora o sentimento. “O bitcoin vem ganhando posicionamento nesta frente, como uma excelente reserva de valor. Esta é uma tendência natural principalmente agora com a institucionalização do ativo. A dúvida é: qual será a primeira empresa listada na B3 a entrar no barco?”

Nessa linha, o CNN Brasil Business noticiou em abril que o Mercado Bitcoin, maior player nacional do segmento, está estudando uma possível abertura de capital. Gestores da corretora brasileira estão analisando o comportamento dos papéis da norte-americana Coinbase para mensurar a sua capacidade de vir a mercado.

Mercado Livre

O Mercado Livre mais do que dobrou sua receita no primeiro trimestre, visto que as medidas de isolamento para conter uma segunda onda da pandemia da Covid-19 na América Latina manteve a demanda robusta pelos serviços online do maior portal de comércio eletrônico e serviços financeiros da região.

A companhia relatou na quarta-feira (5) receita líquida de US$ 1,4 bilhão no período, aumento ano a ano de 111,4% em dólares e de 158,4% em moeda constante. O Brasil, que representa 56% do total, teve expansão de 93% em dólar e 139% em reais.

Segundo o presidente de “commerce” do Mercado Livre, Stelleo Tolda, os números refletem, entre outros fatores, a entrada de dezenas de milhares de novos vendedores no marketplace, que recorreram aos canais online para dar sobrevida aos negócios físicos fechados por meses durante a pandemia.

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