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    Dólar sobe 1,73% e fecha a R$ 5,32 com risco fiscal; Ibovespa tem alta de 0,42%

    Principal índice da B3 encerrou aos 98.953,90 pontos, refletindo um reforço dos temores por parte dos investidores quanto ao risco fiscal no Brasil após a aprovação da PEC dos Combustíveis no Senado

    João Pedro MalarArtur Nicocelido CNN Brasil Business*

    em São Paulo

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    O dólar fechou em alta de 1,73%, a R$ 5,321, nesta sexta-feira (1º), refletindo um reforço dos temores por parte dos investidores quanto ao risco fiscal no Brasil após a aprovação da PEC dos Combustíveis no Senado. Essa foi a cotação mais alta para um encerramento desde 4 de fevereiro (R$ 5,324).  Na semana a moeda norte-americana acumula alta de 1,33%, a quinta seguida de valorização.

    A moeda norte-americana acompanhou a soberania do dólar nos mercados globais diante de temores econômicos, mas também refletindo incertezas fiscais domésticas após avanço de PEC de “bondades” no Congresso.

    Já o Ibovespa teve alta de 0,42%, aos 98.953,90 pontos, com a Petrobras entre os principais suportes, mas a cautela persiste uma vez que permanecem os receios com a magnitude da desaceleração econômica global e os rumos da situação fiscal no Brasil.

    Além da deterioração do cenário doméstico, o exterior pesou negativamente e a PEC dos Combustíveis também estava no radar. A proposta foi aprovada pelo Senado e agora segue para análise da Câmara dos Deputados

    Os investidores apostam ainda que cada vez mais em uma recessão econômica global puxada pelos Estados Unidos conforme os países sobem juros para combater a inflação, o que aumenta a aversão a riscos e tira investimentos de mercados considerados arriscados, caso do Brasil.

    O Banco Central fez neste pregão leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1° de agosto de 2022. A operação do BC ajuda a dar liquidez na moeda, mas especialistas consultados pelo CNN Brasil Business apontam que o órgão poderia atuar mais para conter a volatilidade do câmbio.

    Na quinta-feira (30), o dólar teve alta de 0,77%, a R$ 5,231, com avanço mensal de 10,03% e queda semestral de 6,14%. Já o Ibovespa recuou 1,08%, aos 98.541,95 pontos, e caiu 11,46% em junho, a maior queda percentual desde março de 2020.

    PEC

    A PEC dos Combustíveis busca reduzir o impacto da alta nos preços dos combustíveis para a população. Para isso, aumenta o valor de benefícios sociais e cria novos auxílios. O gasto estimado é de R$ 41,25 bilhões, e o texto prevê o reconhecimento do estado de emergência em 2022 no país para justificar as novas despesas.

    A proposta deve não agradar o mercado por ser mais um desrespeito ao teto de gastos, e leva a uma retirada de investimentos estrangeiros – o que fez o real desvalorizar em relação ao dólar.

    O primeiro turno foi aprovado por 72 a 1, sendo que o único voto contrário foi o do senador José Serra (PSDB-SP). Assim, o senadores seguiram para votação em 2º turno, aprovado por 67 a 1. A matéria agora segue para análise da Câmara dos Deputados.

    Petróleo

    As exportações de petróleo bruto do Brasil atingiram 5,88 milhões de toneladas em junho, queda de 27,7% ante igual período do ano anterior, mostraram dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) nesta sexta-feira, em momento em que o setor amplia o refino no país para lidar com preocupações sobre o abastecimento.

    A receita com os embarques, no entanto, recuou em proporção menor e somou US$ 3,63 bilhões, baixa de 2,94% comparada a junho do ano passado, diante do avanço nos preços do combustível fóssil no mercado internacional.

    A guerra entre Rússia e Ucrânia impulsionou as cotações externas do petróleo e gerou um aperto na oferta mundial de combustíveis, visto que os russos estão entre os principais fornecedores globais e sofrem sanções ocidentais.

    De todo modo, nesta sexta-feira (1º), o petróleo brent fechou a US$ 111,63, com alta de 2,38%. Já o WTI encerrou a US$ 108,43, com valorização de 2,52%.

    Sentimento global

    Os investidores ainda mantém uma aversão global a riscos desencadeada por temores sobre uma possível desaceleração econômica generalizada, e até uma recessão, devido a uma série de altas de juros pelo mundo para conter níveis recordes de inflação, o que prejudicaria diversos tipos de investimentos.

    A principal causa para essa aversão é o ciclo de alta de juros nos Estados Unidos, com a elevação mais recente anunciada pelo Federal Reserve em 15 de junho. A autarquia elevou os juros em 0,75 ponto percentual, na maior alta desde 1994, e deixou uma porta aberta para um aumento na mesma magnitude em julho.

    Os juros maiores nos Estados Unidos atraem investimentos para a renda fixa do país devido a sua alta segurança e favorecem o dólar, mas prejudicam os mercados de títulos e as bolsas ao redor do mundo, inclusive as norte-americanas.

    Ao mesmo tempo, a China tem relaxado medidas para combater a Covid-19, mas há temores que novas restrições prejudiquem a segunda maior economia do mundo, e o risco fiscal no Brasil voltou a ganhar força com uma expansão de gastos pelo governo.

    Com isso, a combinação de um cenário doméstico debilitado, com o retorno de riscos fiscais e temores sobre interferências na Petrobras, e a perspectiva no exterior de fortes apertos monetários voltaram a prejudicar o mercado brasileiro.

    Sobe e desce da B3

    Veja os principais destaques do pregão desta sexta-feira:

    Maiores altas

    • IRB Brasil (IRBR3) +6,40%;
    • MRV (MRVE3) +6,02%;
    • BRF (BRFS3) +5,08%;
    • Cielo (CIEL3) +4,80%;
    • Marfrig (MRFG3) +3,88%

    Maiores baixas

    • Magazine Luiza (MGLU3) -5,98%;
    • Americanas (AMER3) -5,21%;
    • Cogna (COGN3) -3,74%;
    • JHSF (JHSF3) -3,43%;
    • Fleury (FLRY3) -2,64%

    *Com informações da Reuters

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