Ibovespa fecha em alta com petróleo e dados do varejo; dólar encerra em queda

Moeda norte-americana terminou esta sexta-feira no menor nível em dois meses, a R$ 5,51

Do CNN Brasil Business*

em São Paulo

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O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira (14), após trabalhar com instabilidade na véspera. O principal índice da bolsa encerrou com ganhos de 1,33%, aos 106.927,79 pontos, devido à alta no preço do petróleo, enquanto o mercado digeria os dados positivos para o varejo no Brasil em novembro.

Na semana, o índice acumulou ganho de 4,1%, melhor desempenho desde a semana encerrada em 5 de março dde 2021. O volume financeiro foi de R$ 26,1 bilhões.

O dólar, por outro lado, fechou em queda completando mais um dia de desvalorização. As perdas recentes refletiram a percepção de que a maior parte da guinada mais dura na conduta da política monetária do Fed (Federal Reserve, Banco Central dos Estados Unidos) – que geralmente é fator de apoio para o dólar- já foi precificada.

A moeda norte-americana fechou o dia com desvalorização de 0,29%, cotada a R$ 5,512, menor valor desde 16 de novembro do ano passado (R$ 5,499). Na semana, teve perda de 2,12%, após fechar a última sexta-feira em R$ 5,631 na venda. Essa é a maior queda semanal desde o começo de novembro.

No mercado doméstico, o destaque foi o preço do petróleo. Os papéis da Petrobras deram fôlego para o índice hoje. A companhia subia devido à aceleração dos preços da commodity.

O petróleo brent fechou com alta de 1,88%, a US$ 86,06, enquanto o WTI subia 2,12%, a US$ 83,86.

Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos, explica que essa alta nos preços é porque a Ômicron não se mostrou tão impactante quando acreditavam. “Dessa forma, a produção industrial está sendo retomada, o que aumenta a demanda por combustíveis fósseis”, afirma. Ele acredita que os preços podem romper os US$ 90 nas próximas semanas.

Na véspera, a commodity recuou com os investidores realizando lucros após dois dias de ganhos em meio à temores de aumentos agressivos nas taxas de juros dos Estados Unidos.

Para Alexsandro Nishimura, economista, head de conteúdo e sócio da BRA, o recuo da commodity nesta sexta-feira reflete a conclusão do reabastecimento da matéria-prima nas siderúrgicas chinesas.

Veja os principais destaques desta sexta-feira:

maiores altas

  • Banco Inter (BIDI11) +7,92%
  • Banco Pan (BAPN4) +6,13%
  • BR Malls (BRML3) +7,01%
  • WEG (WEGE3) +6,04%
  • B3 (B3SA3) +5,44%

maiores baixas

  • Locaweb (LWSA3) -4,11%
  • Positivo (POSI3) -3,87%
  • Alpargatas (ALPA4) -3,31%
  • Lojas Renner (LREN3) -3,19%
  • Vibra (VBBR3) -1,49%

Varejo no Brasil

Felipe Vella, analista técnico da Ativa Investimentos, afirma que a bolsa brasileira opera na contramão de seus pares (China, Estados Unidos e Europa), principalmente pelos dados de varejo que surpreenderam as expectativas, “dando muito ânimo para o mercado doméstico”.

As vendas de supermercados ajudaram o varejo no Brasil a registrar crescimento inesperado em novembro, mesmo com um impacto mais fraco da Black Friday em 2021.

Há dois meses, as vendas varejistas apresentaram ganhos de 0,6% na comparação com outubro, mesmo em um cenário difícil para o comércio, com inflação elevada e desemprego ainda alto.

O dado, divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), surpreendeu a expectativa em pesquisa da Reuters de recuo de 0,2%.

Na comparação com o mesmo mês de 2020, as vendas varejistas tiveram recuo de 4,2% em novembro, contra expectativa de uma queda de 6,5%.

Radar político

E também no radar do noticiário nacional está a reunião entre os servidores da Receita Federal e o ministro da Economia, Paulo Guedes, que aconteceu ontem, mas terminou sem acordo.

Auditores saíram do encontro dizendo que vão endurecer a mobilização. O Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou que se o governo garantir aumento aos policiais, outras categorias podem pedir reajuste na justiça. Economistas dizem que o governo pode usar essa questão do STF como porta de saída pra voltar atrás, e não dar reajuste.

“Se o Brasil mostrar que não tem controle das contas públicas (o investidor estrangeiro) não vai querer alocar recursos nesse país” em meio à alta dos juros nos Estados Unidos, disse à Reuters Gilvan Bueno, gerente educacional da Órama Investimentos.

A notícia de que o governo deu mais poder à Casa Civil e ao Centrão sobre o orçamento também gera incerteza. No entanto, não chega a pesar sobre a bolsa, pois o mercado enxerga que o Centrão já vinha dando as cartas no governo e já “precificava” que a pressão por gastos públicos seria grande neste ano.

O estrategista da Genial Investimentos Filipe Villegas comenta que muita pressão por maiores gastos públicos com o reajuste salarial pode puxar o Ibovespa para baixo. “O governo tem um desafio muito grande para fazer a conta fechar e agradar à necessidade dos brasileiros”.

Para ele, quanto maior a pressão por gastos, maior o sentimento negativo do mercado em relação ao compromisso fiscal, o que tende a deteriorar o índice da bolsa.

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou na terça-feira (11) que a economia norte-americana está pronta para uma política monetária mais apertada, mas que pode levar vários meses até que as autoridades tomem uma decisão sobre a redução do balanço de cerca de US$ 9 trilhões.

As falas de Powell aliviaram os temores de investidores e ajudaram na recuperação ante as perdas após a divulgação da ata da última reunião da autarquia, junto com um dado de inflação em linha com o esperado. Ainda assim, o mercado já espera uma alta de juros em março.

As altas nos juros aumentam a atratividade dos títulos do Tesouro norte-americano, naturalmente bem-vistos pelos investidores devido a sua segurança. A perspectiva de elevação leva à saída de capital de outros mercados, como o Brasil.

Villegas, estrategista da Genial Investimentos, diz ainda que as ações de tecnologia nos Estados Unidos e os múltiplos elevados podem impactar tanto o mercado norte-americano, como o brasileiro. “A dificuldade de como vai se dar os próximos passos da maior economia do mundo, com a retirada de liquidez e a subida dos juros também rondam a mente dos investidores”, declara.

*Com informações de Priscila Yazbek e Reuters

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