Novo unicórnio: Creditas recebe aporte de US$ 255 mi e agora vale US$ 1,75 bi

Quatro novos fundos internacionais participaram da rodada, que também teve a continuação de investidores importantes, como o fundo japonês Softbank e a Kaszek

André Jankavski,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Creditas
Escritório da Creditas em São Paulo: empresa é avaliada, agora, em US$ 1,75 bilhão
Foto: Túlio Vidal/Divulgação

A Creditas é o novo unicórnio brasileiro. A fintech especializada em crédito consignado e com garantia recebeu um novo aporte no valor de US$ 255 milhões e foi avaliada em US$ 1,75 bilhão. Com a nova rodada, a companhia soma US$ 570 milhões, o equivalente a cerca de R$ 2,9 bilhões.

Um unicórnio é definido quando uma startup alcança o valor de mercado de US$ 1 bilhão. A Creditas, portanto, vale 70% a mais do que um unicórnio original. 

O que muda a partir agora? Segundo Furio, o trabalho continuará sendo feito da mesma maneira.

“Vamos celebrar, literalmente, por cinco minutos, abaixar a cabeça de novo e seguir trabalhando. Nada muda, só desafios cada vez maiores. E uma vontade muito grande de mudar o país, de mudar as coisas para melhor”, diz ele ao CNN Business.

Na nova rodada, a companhia fundada pelo espanhol Sergio Furio conseguiu novos sócios internacionais. Agora, os fundos LGT Lightstone, Tarsadia Capital, Wellington Management, e.ventures e Advent International, via a afiliada Sunley House Capital, fazem parte do quadro de acionistas.

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Os atuais acionistas, Softbank, VEF, Kaszkel Ventures e Amadeus Capital também participaram do investimento, mantendo as suas posições.

A companhia ainda disse, por meio de comunicado assinado por Furio, que a intenção é ampliar a oferta de produtos em três áreas: se tornar um ecossistema mais completo de serviços financeiros, trazer novas soluções para áreas com imóvel, veículo e salário, além de acelerar a sua expansão para o mercado mexicano.

Furio ainda completa que a Covid-19 foi uma espécie de divisor de águas para a Creditas. “Em um contexto de extrema incerteza causada pela Covid-19, decidimos priorizar a sustentabilidade e gerar fluxo de caixa positivo”, disse. 

A Creditas também vai passar a divulgar os seus resultados trimestralmente com o novo aporte. Nos nove primeiros meses de 2020, a empresa teve uma receita de R$ 232,1 milhões, mais do que o dobro da registrada no mesmo período do ano passado. A expectativa da empresa é ter uma receita acima de R$ 300 milhões ainda neste ano. 

O portfólio de crédito também teve alta similar: chegou a R$ 1,03 bilhão, uma alta de 95%.

Sergio Furio Creditas
Sergio Furio, presidente e fundador da Creditas / Foto: Creditas/Divulgação

O prejuízo, no entanto, ainda é uma realidade. Essa é uma realidade para as startups com foco em crescimento – boa parte da geração de caixa se torna investimento. Porém, mesmo com a alta da receita, o prejuízo ficou de janeiro a setembro de 2020 ficou abaixo do registrado em 2019: R$ 129,4 milhões, ante R$ 133,1 milhões no ano passado.

Mesmo assim, Furio diz que a empresa pode se tornar rentável assim que quiser.

“Ao final de julho, ficou evidente que nosso modelo de negócios era resiliente, com uma qualidade excelente de nosso portfolio de crédito, assim como um mercado de capitais que tinha se mantido aberto para nós”, disse ele. 

“A Creditas está nos início de uma jornada para penetrar o pouco explorado mercado de crédito com garantia no Brasil e no México” afirma Paulo Passoni, sócio do Softbank.

Em entrevista recente ao CNN Business, Furio afirmava que não enxergava a necessidade de novos aportes, nem mesmo para 2021. 

“Sempre mantemos conversas ativas, mas o mercado sabe que estamos super bem e com uma carteira de crédito forte”, disse Furio, em agosto. 

Recentemente, a empresa entrou em um novo mercado: troca, venda, compra e até mesmo reforma de imóveis. Foi uma forma de dar liquidez aos donos dos empréstimos com garantia.  O mesmo tipo de serviço já é feito por outras startups, como Loft e 5Andar – ambas também consideradas unicórnios, já que são avaliadas acima de US$ 1 bilhão.

A companhia, hoje, conta com 1,8 mil funcionários. Número que deve subir com os novos aportes.

Confira a entrevista completa de Furio, realizada em agosto:

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