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    Oligarcas russos lutam para vender ativos e escapar de sanções internacionais

    Buscando evitar prejuízos e congelamento de fortunas, bilionários da Rússia estão vendendo e despachando seus bens

    Superiate Dilbar, do bilionário russo Alisher Usmanov, é avaliado em quase US$ 600 milhões e foi apreendido pela Alemanha em reação à invasão da Ucrânia
    Superiate Dilbar, do bilionário russo Alisher Usmanov, é avaliado em quase US$ 600 milhões e foi apreendido pela Alemanha em reação à invasão da Ucrânia Foto: UCG/Universal Images Group via Getty Images

    Kara ScannellJessica Schneiderda CNN

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    Duas horas depois de enviar por e-mail um boletim imobiliário de casas de luxo para milhares de clientes ultra-ricos na manhã da última sexta-feira (4), Shawn Elliott, presidente da divisão de ultra luxo da Nest Seekers International, disse que recebeu três contatos. Não eram de potenciais compradores, mas de vendedores.

    As ligações vieram de Nova York e Miami, dois locais populares entre os russos ricos, um possível sinal do que pode se tornar o ritmo acelerado de vendas de casas de luxo, propriedades à beira-mar, iates e apartamentos com vistas panorâmicas, enquanto os russos lutam para se antecipar às sanções internacionais.

    “Pessoas assim têm seus contatos”, disse Elliott sobre os proprietários russos. Eles perguntaram: “‘Se eu fosse vender, quão rápido você poderia vender isso e quão rápido você poderia vender aquilo?'”

    O impacto das sanções coordenadas dos Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia causou ondas de choque na elite russa. Alguns oligarcas estão tomando medidas em antecipação ao que poderia vir, procurando mover iates de lugar, vender ativos e se adaptar a uma onda de sanções que vieram mais rápidas do que o habitual e são mais expansivas do que antes.

    O bilionário russo Roman Abramovich, que não foi sancionado, anunciou na última quarta-feira (2) que venderá o time de futebol inglês Chelsea Football Club, pois é “do melhor interesse do clube, dos torcedores, dos funcionários, bem como dos patrocinadores e parceiros do clube”. Ele disse que o lucro líquido da venda iria para uma fundação criada para ajudar “vítimas da guerra na Ucrânia”.

    Os bilionários russos Mikhail Fridman e Oleg Deripaska romperam com o Kremlin e pediram o fim da guerra da Rússia na Ucrânia. A União Europeia anunciou sanções contra Fridman na semana passada e Deripaska está na lista de sanções dos EUA desde 2018.

    “Este é um momento muito preocupante se você é um bilionário russo”, disse o ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA Max Bergmann. “Os advogados estão ocupados agora, tentando descobrir como expurgar os oligarcas de vários conselhos de empresas e como alienar ativos nos Estados Unidos.”

    “Estamos recebendo um novo inquérito a cada hora”, disse Erich Ferrari, advogado que representa empresas e indivíduos estrangeiros na condução de sanções. “O telefone está tocando sem parar com pessoas de todo o mundo que foram sancionadas ou tiveram suas empresas afetadas.”

    Instituições financeiras em jurisdições onde não há sanções, como os Emirados Árabes Unidos, estão seguindo o exemplo dos EUA e da União Europeia e congelando contas mantidas por russos, disse Ferrari.

    Alguns países do Caribe — onde entidades controladas pela Rússia montaram negócios offshore em sigilo — não servirão mais como parceiros corporativos para essas empresas russas, deixando muitos delas incapazes de operar, acrescentou Ferrari.

    “Não me lembro de um programa de sanções internacionais que fez todo mundo brigar”, disse o advogado.

    A corrida para evitar as sanções acontece após a Casa Branca ter anunciado medidas totais de bloqueio a oito elites russas, além de seus familiares e associados. Todos eles serão bloqueados do sistema financeiro dos EUA, o que significa que seus ativos no país serão congelados e suas propriedades serão bloqueadas para uso.

    “Isso causou um pânico repentino”, observou Bergmann, “porque a velha guarda, curiosamente, não sabia que essa [invasão] estava chegando, e acho que eles ficaram surpresos que Vladimir Putin finalmente decidiu invadir”.

    Bergmann explicou que um oligarca pode entrar na justiça para tentar impedir as sanções, mas no curto prazo, esses bilionários russos estão vendendo e despachando seus bens.

    “O que você já está vendo são oligarcas enlouquecendo com isso e movendo seus iates para lugares onde não podem ser extraditados”, disse disse o ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA. “Vimos iates começarem a navegar para Montenegro, onde não há tratado de extradição.”

    Veja imagens de iates de bilionários russos que foram confiscados

    Na última quarta-feira, autoridades francesas apreenderam um iate que disseram estar ligado a Igor Sechin, um executivo de petróleo russo sancionado e associado próximo de Putin, enquanto se preparava para fugir de um porto. Mas a empresa que administra o navio negou que Sechin fosse o proprietário.

    Em Nova York, o presidente do distrito de Manhattan, Mark Levine, está pedindo mais sanções aos russos e a apreensão de suas propriedades: “Ainda estamos esperando que o governo dos EUA coloque o amplo círculo de oligarcas ligados a Putin na lista de sanções. Este é o pré-requisito para apreender as casas de ultra luxo que muitos possuem em Manhattan. Precisamos de ação sobre isso AGORA”, escreveu ele no Twitter.

    O governo Biden não está apenas aplicando sanções. O Departamento de Justiça anunciou uma nova força-tarefa batizada de KleptoCapture. A operação reunirá promotores especialistas em sanções, lavagem de dinheiro e segurança nacional para investigar possíveis atividades criminosas dos russos ultra-ricos que o governo dos EUA acredita que estão apoiando Putin.

    “Não deixaremos pedra sobre pedra em nossos esforços para investigar, prender e processar aqueles cujos atos criminosos permitem que o governo russo continue essa guerra injusta”, disse o procurador-geral Merrick Garland ao anunciar a nova força-tarefa.

    Especialistas que observam o esforço de várias agências governamentais — principalmente os departamentos do Tesouro e da Justiça — acreditam que a quantidade de coordenação é sem precedentes e sinaliza a determinação de perseguir esses oligarcas e quaisquer atividades ilegais com força renovada.

    “Pode ser necessário um pouco de peso de acusação e regulamentação para impor sanções a indivíduos extraordinariamente ricos que têm muitos recursos”, disse Edward Fishman, ex-líder de sanções do Departamento de Estado da Rússia. “Ao reunir essa força-tarefa de alto nível que é claramente supervisionada por alguns dos funcionários mais graduados do governo Biden, acho que sinaliza que eles vão aplicar essas sanções de forma bastante agressiva”, afirmou.

    Muitos oligarcas usam empresas de fachada para protegerem suas propriedades, fazendo com que as autoridades rastreiem uma série de empresas antes de descobrir o verdadeiro proprietário.

    “Parte da razão pela qual não vimos muitas ações legais é porque esses oligarcas são extremamente ricos e, embora muitos estejam cometendo crimes de colarinho branco, eles contratam advogados muito caros para fazer as coisas corretamente”, afirmou Bergmann, ex-funcionário do Departamento de Estado.

    Essa repressão pode acabar causando revolta na Rússia, alertam especialistas. “Um problema para Putin é que ele tem uma classe muito irritada de pessoas que são muito ricas e poderosas que estão retornando a Moscou e São Petersburgo, e eles não querem estar lá”, pontuou Bergmann.

    Uma possível área de vulnerabilidade para os russos nos EUA são os milhões de dólares que os oligarcas investiram em propriedades em Nova York, Miami e outros lugares.

    Elliott, da Nest Seekers International, disse que russos ricos são experientes e previu: “Vai haver liquidação desses caras porque eles são inteligentes. Eles vão colocar pelo menos 20% abaixo do preço de mercado porque no final do dia 80% de algo é melhor que nada”.

    O tempo é essencial para alguns russos que não são sancionados no momento, mas podem estar preocupados com o fato de serem os próximos.

    “A partir de hoje, não há nada de ilegal em liquidar seus ativos”, disse Elliott.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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