Petróleo fecha em baixa, seguindo perspectivas sobre guerra, estoques nos EUA e Fed

Preços perderam quase todos os ganhos acumulados desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia há quase três semanas

Plataformas de petróleo da Equinor no Mar do Norte, Noruega
Plataformas de petróleo da Equinor no Mar do Norte, Noruega 03/12/2019REUTERS/Ints Kalnins

Matheus Andrade, do Estadão Conteúdo

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Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa nesta quarta-feira (16) em sessão volátil, na qual os desdobramentos da guerra na Ucrânia seguiram impactando nos preços da commodity.

Além disso, o mercado ficou atento aos dados sobre estoques nos Estados Unidos e ao relatório mensal da Agência Internacional de Energia (AIE). Ao final da sessão, seguindo a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed) de aumentar juros, as perdas foram ampliadas.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do petróleo WTI com entrega prevista para abril recuou 1,45% (US$ 1,40), a US$ 95,04, enquanto o do Brent para maio baixou 1,89% (US$ 1,89) na Intercontinental Exchange (ICE), a US$ 98,02.

Hoje, a Rússia indicou estar aberta a aceitar a possibilidade de um modelo de desmilitarização da Ucrânia que preserve o exército local e assegure status neutro em relação à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), segundo o Interfax.

Além disso, uma reportagem do Financial Times informou que os dois lados trabalham em um plano de paz com essas propostas, mas há relatos de que os ucranianos rejeitaram a ideia de neutralidade.

Os preços do petróleo perderam quase todos os ganhos acumulados desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia há quase três semanas, e o Commerzbank avalia que as preocupações com uma redução substancial na oferta, que ainda prevaleciam até poucos dias atrás, parecem ter evaporado repentinamente.

“Se a alta massiva do Brent para US$ 140 foi exagerada, sua queda também é agora”, aponta o banco alemão. Qualquer resolução pacífica da guerra ainda está longe, e as sanções contra a Rússia também devem permanecer em vigor por algum tempo, impedindo muitos consumidores de comprar petróleo russo, projeta.

A invasão da Ucrânia pela Rússia e as consequentes sanções impostas ao petróleo russo vão pesar na economia global e levar o mercado da commodity a uma situação de déficit, a menos que grandes produtores ampliem sua oferta, segundo avaliação da AIE.

A agência estima que a guerra no Leste Europeu poderá fazer com que 3 milhões de barris por dia (bpd) de petróleo da Rússia deixem os mercados globais a partir de abril.

Enquanto isso, os estoques de petróleo nos EUA subiram 4,345 milhões de barris, na semana encerrada em 11 de março, informou hoje o Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês). Analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal previam queda de 1,8 milhão.

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