Autônomos: raça e gênero interferem em ganhos e condições de trabalho

Levantamento detalha condições de vida de quem trabalha por conta própria

Soraya Lauand

da CNN, em São Paulo

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Um levantamento feito com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra a desigualdade de salários e oportunidades para os autônomos com relação ao gênero e à raça.

Entre os mais de 24 milhões de trabalhadores por conta própria, 64% vendem algo em casa ou na rua e mais da metade são negros. Além disso, 22% dos trabalhadores têm renda de até R$ 500 por mês. E, a medida que a renda cresce, o trabalho fica mais exclusivo para os brancos e para os homens.

“Hoje em dia a gente tem um discurso bastante presente de que são todos empreendedores, e a gente fala que, para algumas pessoas, principalmente mulheres e negros, eles são gestores da sua própria sobrevivência”, afirma a socióloga Léa Marques.

A Casa da Preta, na região central de São Paulo, é um dos locais de apoio a empreendedores negros. O espaço, que pode ser usado para produzir conteúdo digital e desenvolver negócios, abriga, além da gastronomia afro, um estúdio para gravação de música e podcasts, biblioteca, área de exposição e até uma loja colaborativa.

“Boa parte começa pela necessidade, sem uma estrutura, sem acesso à capital, maquinário e tecnologia. Esse é o grande desafio, trazer oportunidade para que essas pessoas empreendam com melhor qualidade”, afirma Adriana Barbosa, CEO  da Casa Pretahub e idealizadora da Feira Preta, um dos maiores eventos de empreendedorismo negro da América Latina.

 

Raça e gênero interferem no ganho de trabalhadores autônomos (24.Jul.2021)
Raça e gênero interferem no ganho de trabalhadores autônomos (24.Jul.2021)
Foto: Reprodução/CNN

O evento completa 20 anos e, ao longo desse tempo, quase 200 mil visitantes já passaram pelos eventos presenciais. A pandemia fez com que o festival fosse parar na internet e ganhou até uma plataforma de vendas online, com mais de 500 produtos e serviços cadastrados. Além de acolher os trabalhadores, a ideia é contribuir para o aumento de renda de grupos marginalizados e mulheres negras que em grande parte são chefes de família.

A socióloga alerta que as políticas de fortalecimento à economia popular só serão efetivas se estiverem combinadas a ações de apoio e de combate à discriminação. “Essa é uma situação histórica construída no nosso país, que é construída com base em relações racistas, mas também da inexistência de política públicas para alterar esse cenário”.

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