Buraco negro supermassivo "expulsa" resto de estrela despedaçada; entenda

Evento analisado é classificado como uma ruptura de maré, quando a força gravitacional do buraco negro estica e destrói uma estrela

Thomaz Coelho e Thiago Félix, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

Um buraco negro supermassivo está expelindo parte do material de uma estrela que havia sido despedaçada há quatro anos, após se aproximar demais do objeto. A observação faz parte de um estudo publicado na revista Science, nesta quinta-feira (5).

O evento analisado é classificado como uma ruptura de maré, quando a força gravitacional do buraco negro estica e destrói uma estrela. Nesse processo, o gás estelar forma um disco de acreção ao redor do buraco negro e libera grandes quantidades de energia, visíveis em diferentes comprimentos de onda.

Parte dos restos da estrela foi acelerada e expelida em forma de ventos e jatos. Embora nada escape do interior do buraco negro, a expulsão ocorre antes de o material cruzar o chamado horizonte de eventos.

Segundo os cientistas, o jato liberado pelo buraco negro é candidato a se tornar um dos objetos mais brilhantes e energéticos já observados no universo. As medições indicam que a emissão de ondas de rádio continua aumentando de forma acelerada e deve atingir o pico por volta de 2027.

“Isso é realmente incomum”, afirmou Yvette Cendes, astrofísica da Universidade de Oregon e autora principal do estudo. “É difícil imaginar algo crescendo dessa forma por um período tão longo.”

Eventos desse tipo já foram registrados anteriormente por astrônomos. O que torna este caso inédito é a liberação contínua e crescente de energia anos depois da destruição da estrela.

Entenda o que são buracos negros e como eles se formam

Com base nos dados atuais, os pesquisadores estimam que a energia liberada pelo jato é comparável à de explosões de raios gama, consideradas entre os eventos mais poderosos do cosmos. Segundo os cálculos, o buraco negro estaria emitindo pelo menos um trilhão de vezes mais energia do que a estimada para a fictícia Estrela da Morte, da saga Star Wars — e possivelmente até cem trilhões de vezes mais.

O nome científico oficial do objeto é AT2018hyz, embora Cendes prefira o apelido "Jetty McJetface", uma referência ao famoso navio de pesquisa britânico Boaty McBoatface, que ficou conhecido na internet.