Entenda o que são os buracos negros

Trio de cientistas ganhou o Nobel da Física 2020 por descobertas sobre esse fenômeno

Buraco negro chamado Cygnus X-1
Buraco negro chamado Cygnus X-1 Foto: M.Weiss / CXC - Nasa

Jéssica Otoboni,

da CNN, em São Paulo

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O prêmio Nobel da Física 2020 foi concedido a um trio de cientistas por descobertas sobre buracos negros. Roger Penrose, Reihard Genzel e Andrea Ghez foram premiados “pela descoberta de um objeto compacto supermassivo no centro de nossa galáxia” e “pelas descobertas sobre um dos fenômenos mais exóticos do universo, o buraco negro”. 

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O que são os buracos negros?

De acordo com a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (Nasa), um buraco negro é um lugar no espaço onde a gravidade puxa com tanta força que nem mesmo a luz consegue escapar. Em função disso, eles acabam sendo invisíveis. 

Os buracos negros são encontrados com a ajuda de telescópios espaciais e ferramentas especiais, com os quais os cientistas podem observar o comportamento de materiais e estrelas localizados próximos aos fenômenos. 

Qualquer elemento que chegue muito perto de um buraco negro, como uma estrela, uma espaçonave ou até mesmo um planeta, é esticado e comprimido em um processo conhecido como “espaguetização”. A gravidade nesse local é muito forte porque a matéria foi comprimida em um espaço minúsculo. 

Como se formam os buracos negros?

Primeiro, é preciso dizer que há três tipos de buracos negros: estelares, supermassivos e miniaturas, sendo o primeiro o mais comum.

Os estelares se formam basicamente quando uma estrela morre. A massa (quantidade de matéria ou “coisas” em um objeto) deles pode ser 20 vezes maior do que a do sol. Conforme uma estrela chega ao fim da vida, algumas vezes ela infla, perde massa, esfria e o núcleo se reduz de tamanho. Na maioria dos casos, no entanto, ela sofre uma supernova – quando uma estrela explode e lança parte de si no espaço, deixando o núcleo para trás, que vai diminuindo.

Segundo a National Geographic, enquanto a estrela está viva, uma fusão nuclear nela cria um impulso constante para fora, responsável por equilibrar a atração da gravidade para dentro da própria massa da estrela. Ou seja, esse impulso é uma espécie de ferramenta que resiste à gravidade. Com os “pedaços” que sobram dela depois de uma supernova, não há forças em oposição, então o núcleo da estrela começa a colapsar.

Sagittarius A é o buraco negro supermassivo localizado no centro da Via Láctea
Sagittarius A é o buraco negro supermassivo localizado no centro da Via Láctea
Foto: UMass / D.Wang / Nasa

Quando a massa colapsa em um ponto muito pequeno, forma-se um buraco negro. O grande volume que é “espremido” nesse ponto origina a grande força da gravidade ali. Pode haver vários buracos negros estelares na Via Láctea, a galáxia da Terra.

Os cientistas acreditam que os buracos negros em miniatura – tão pequenos quanto um átomo – se formaram quando o universo começou. Apesar do tamanho, eles podem conter a massa de uma grande montanha.

Já os supermassivos têm massa correspondente a mais de 1 milhão de sóis. Os cientistas encontraram provas de que toda grande galáxia contém um buraco negro supermassivo no centro. 

O do centro da Via Láctea é chamado Sagittarius A. Ele tem a massa equivalente a cerca de 4 milhões de sóis. Os especialistas acreditam que os buracos negros supermassivos foram criados ao mesmo tempo que a galáxia em que estão.

Se os buracos são invisíveis, como são negros?

Os buracos negros são invisíveis porque nem mesmo a luz escapa da força gravitacional nele. Ou seja, eles são negros por causa da ausência da luz. 

A Terra pode ser “engolida” por um buraco negro?

Não. Segundo a Nasa, não há como a Terra ser “engolida” pois não há nenhum buraco negro tão perto do Sistema Solar.

 

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