Comandante da Artemis "previu" ida à Lua em postagem há dez anos

Reid Wiseman relembrou uma publicação de dez anos atrás onde sonhava estar em órbita lunar agora concretizado

Khauan Wood, da CNN Brasil*, em São Paulo
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Reid Wiseman, comandante da missão Artemis II, que marca o retorno de voos tripulados ao espaço profundo, “previu” sua ida à Lua em uma postagem realizada há dez anos. A publicação foi relembrada pelo próprio astronauta nesta segunda-feira (6).

Em uma postagem na rede social X (antigo Twitter), Wiseman recordou uma mensagem antiga na qual contava ter sonhado que estava na órbita lunar.

Sonhei que estava em órbita lunar ontem à noite. Passei a manhã inteira naquela sensação de "sonho vívido que não era real".
Reid Wiseman, via X

Agora, uma década depois e efetivamente a bordo da cápsula Orion rumo ao sobrevoo da Lua, o astronauta resgatou a publicação para celebrar a impressionante coincidência. “Só sinto gratidão por essa experiência”, comentou ele diretamente do espaço. Veja:

Wiseman, que foi selecionado como astronauta da Nasa em 2009 e tem formação em Engenharia de Computação, lidera uma tripulação que inclui o piloto Victor Glover e os especialistas Christina Koch e Jeremy Hansen.

A equipe decolou para uma viagem de cerca de dez dias e, nesta madrugada, a espaçonave entrou na esfera de influência gravitacional da Lua.

O sonho concretizado do comandante faz parte de um momento crucial para a exploração espacial. Durante o contorno lunar, a tripulação da Artemis II quebrou o recorde de maior distância já percorrida por seres humanos no espaço, superando a marca estabelecida pela Apollo 13 em 1970.

Acompanhe: Ao vivo: Artemis bate recorde histórico de distância percorrida

Além do feito em distância, os astronautas terão a oportunidade inédita de observar o lado oculto da Lua a olho nu, a uma proximidade na qual ele parecerá ter o tamanho de uma bola de basquete segurada à distância de um braço.

A missão Artemis II atingiu, às 14h57 desta segunda-feira (6), o recorde de maior distância já percorrida por seres humanos no espaço, superando a marca estabelecida pela Apollo 13 em 1970.

Saiba os detalhes da missão

A viagem foi lançada na quarta-feira (1º), pelo megafoguete SLS (Space Launch System) - o mais potente já construído pela Nasa e cujo lançamento custa cerca de US$ 4,1 bilhões - transportando os astronautas na espaçonave Orion.

Nesta missão, os astronautas não vão pousar na superfície lunar. O objetivo principal é servir como um grande voo de teste para verificar, em ambiente real de espaço profundo, o funcionamento de sistemas vitais da cápsula Orion, como o suporte à vida, a navegação, a comunicação e a resistência do escudo térmico na reentrada atmosférica

Esses testes são fundamentais para garantir a segurança das futuras missões do programa, que prevêem o retorno de humanos ao solo da Lua.

A espaçonave segue uma "trajetória de livre retorno" em formato de oito, contornando a Lua e usando a própria gravidade lunar para ser puxada de volta à Terra, sem a necessidade de manobras complexas de propulsão. Durante o voo, a missão alcançou marcos notáveis:

Ao final de sua jornada de observações lunares, a cápsula Orion reentrará na atmosfera terrestre e concluirá a missão com uma amerissagem no Oceano Pacífico, na costa de San Diego, nos Estados Unidos.