Fósseis no Brasil mudam o que se sabia sobre as primeiras formas de vida

Pesquisa descobriu que organismos filamentosos, como bactérias e algas, viviam no ambiente antes da meiofauna

Giuliana Zanin e Larissa Soave, da CNN Brasil*, em São Paulo
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Estudo mostra que as primeiras evidências de vida no fundo marinho não eram de organismos complexos, mas sim aglomerados de bactérias e macroalgas, baseados em filamentos. As informações foram coletadas em pesquisa no Brasil.

Preservados há mais de 540 milhões de anos, materiais genéticos apresentaram uma nova interpretação da evolução da vida na Terra analisada até hoje pelos pesquisadores.

Diante da descoberta, entendeu-se que os organismos filamentosos já colonizavam o fundo do mar em ambientes onde havia indícios primários de vida.

A pesquisa da Elsevier, que contou com a participação de estudiosos da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, precisou utilizar tecnologias de ponta para encontrar vestígios de DNA que geralmente são muito difíceis de serem preservados.

Nela, pesquisadores recorreram à morfologia de fósseis para identificar características específicas de cada espécie.

A partir disso, foi possível identificar um grupo microbiano preservado em três dimensões de fósseis filamentosos da Formação Tamengo.

Ela foi encontrada no Grupo Corumbá, uma unidade de rochas sedimentares localizada no sudoeste de Mato Grosso do Sul onde há a concentração dos fósseis mais antigos do mundo.

Evidências de vida na terra

Anteriormente, os primeiros sinais vivos da terra eram identificados como meiofauna, ou seja, por um conjunto de animais invertebrados que viviam enterrados no solo ou em sedimentos. Foi a partir de biotubulações formadas por esses seres que os estudiosos identificaram os primeiros sinais de vida.

Porém, após o aprofundamento das análises morfológicas e geocronológicas, foi possível constatar que, na verdade, esses seres se tratavam de organismos filamentosos, como fungos.

Entre as evidências que concluíram a descoberta estão características biológicas encontradas entre os sedimentos de fósseis com divisão de parede celular e resto de matéria orgânica e filamentos reduzidos consistentes a restos microbianos.

Além disso, os pesquisadores concluíram que o consórcio microbiano existia, porque, durante as análises, encontraram-se pelo menos três espécies distintas vivendo juntas.

Esse grupo era formado por algas bentônicas, vermelhas ou verdes, e grandes bactérias, como cianobactérias ou bactérias oxidantes de enxofre.

*Sob supervisão de Thomaz Coelho