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    Globalização está se desfazendo e isso é um sinal de alerta, dizem especialistas

    "Desglobalização" pode ter "consequências humanas devastadoras", alertam economistas no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça

    Fragmentação não é apenas sobre comércio, mas também sobre finanças e a supremacia do dólar americano
    Fragmentação não é apenas sobre comércio, mas também sobre finanças e a supremacia do dólar americano Monstera/Pexels

    Allison Morrowdo CNN Business

    em Londres

    Uma das muitas palavras-chave que circulam em Davos esta semana é “fragmentação”, a força que os economistas alertaram que poderia ter “consequências humanas devastadoras”.

    Por “fragmentação”, eles estão se referindo a um colapso do tipo de comércio e investimento livre e transfronteiriço que definiu a ordem econômica global nas últimas três décadas. É uma forma de desglobalização — reconstruindo cercas em torno de feudos nacionais ou regionais.

    “A fragmentação é a sensação de que podemos ter economias se protegendo um pouco mais internamente, e isso pode desacelerar as coisas”, disse Josh Lipsky, diretor do Centro de Geoeconomia do Atlantic Council.

    “E então pode tornar as coisas mais caras em troca.”

    Não é uma questão nova, é claro — a turbulência na cadeia de suprimentos foi turbinada pelo início da pandemia há mais de dois anos — mas a guerra na Ucrânia, as crescentes divisões políticas e as disputas comerciais persistentes estão renovando as preocupações sobre o retorno a uma era de isolamento.

    “Espera-se que as escolhas de empresas e governos levem a uma maior fragmentação na economia global e mudanças sem precedentes nas cadeias de suprimentos, criando uma tempestade perfeita de volatilidade e incerteza”, escreveu um grupo de economistas-chefes consultados pelo Fórum Econômico Mundial.

    “Espera-se que esses padrões criem mais trocas e escolhas difíceis para os formuladores de políticas e — sem maior coordenação — custos humanos chocantes”.

    Antes que a multidão de Davos tivesse a chance de fazer seu primeiro happy-hour da semana, o mundo teve um vislumbre de micro-fragmentações acontecendo em tempo real:

    • A gigante chinesa de caronas Didi, reduzindo suas ambições globais outrora grandiosas, retirou oficialmente suas ações da NYSE.
    • A Starbucks saiu da Rússia, após o McDonald’s na semana passada, continuando o êxodo corporativo em massa sobre a guerra na Ucrânia.
    • O ministro das Relações Exteriores da Rússia disse que o Ocidente assumiu uma “posição de ditador” e que Moscou deve fortalecer os laços com a China.
    • O Airbnb disse que retiraria todas as suas listagens na China, citando restrições de operação “caras e complexas” ligadas aos bloqueios do Covid-19.
    • A Malásia decidiu restringir as exportações de frango para seus vizinhos, dizendo que “a prioridade do governo é nosso próprio povo”.

    Os economistas estão compreensivelmente preocupados com um recuo para modelos polarizados Leste-Oeste de comércio e produção. A escassez de fórmulas infantis nos EUA é uma crise de saúde pública que ilustra o perigo de depender demais da produção doméstica para bens essenciais.

    E embora a globalização tenha suas desvantagens, triplicou o tamanho da economia global e tirou 1,3 bilhão de pessoas da pobreza extrema, segundo o Fundo Monetário Internacional.

    A Huawei, a gigante chinesa de telecomunicações, é outro exemplo notável de como as polaridades políticas contribuíram para a fragmentação, diz Xiaomeng Lu, diretor de geotecnologias do Eurasia Group.

    “Definitivamente, há um problema de confiança para empresas da China e dos EUA… Você também pode ver a Microsoft diminuindo lentamente sua atividade na China.”

    Um passo para trás: a fragmentação não é apenas sobre comércio. É também sobre finanças e a supremacia do dólar americano.

    “Dadas as medidas punitivas que o Ocidente tomou contra a Rússia, há uma conversa séria em algumas economias, incluindo a China, sobre a redução da dependência do dólar”, disse Lipsky.

    O Ocidente se acostumou com o domínio do dólar, e os investidores devem estar cientes de que uma mudança está em andamento.

    O dólar ainda faz o mundo girar, em redes como a SWIFT que são controladas pelo Ocidente, mas as moedas digitais podem eventualmente oferecer uma alternativa.

    Para ser claro: não vai acontecer da noite para o dia.

    “Essas cadeias de suprimentos foram construídas ao longo de 30 anos, então você simplesmente não pode movê-las para outro país”, diz Lipsky.

    “Volte para Davos em 10 anos e veja como o sistema econômico global é diferente. Isso não significa que não há desejo de mudar, mas na verdade fazê-lo é muito mais complicado.”

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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