Lucro do confinamento dispara em 2025 e avança até 83% no Centro Oeste
Queda nos preços da alimentação animal elevou a rentabilidade no confinamento de bovinos, que teve lucro de até R$ 1.127 por cabeça ano passado

O recuo nos custos de alimentação e a firmeza do mercado do boi elevaram as margens do confinamento bovino em 2025, com crescimento de 83,0% no lucro por cabeça no Centro Oeste e de 38,1% no Sudeste em relação a dezembro de 2024, consolidando o ano como um dos mais rentáveis da história para os sistemas intensivos de produção no Brasil.
De acordo com o levantamento do Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), o custo da arroba produzida ficou ao redor de R$ 186 e as operações intensivas do confinamento alcançaram rentabilidade superiores a R$ 1.100 por animal mesmo sem a arroba do boi gordo romper a marca de R$ 330,00.
Na média de 2025, o preço da ração para a pecuária ficou 12,01% abaixo dos níveis de 2024 no Centro Oeste e 3,84% menores no Sudeste. O movimento foi intensificado principalmente pela abundância de milho e soja além de insumos alternativos como DDG polpa cítrica bagaço de cana e caroço de algodão que permaneceram competitivos ao longo do ano.
"O desempenho foi sustentado por uma combinação rara que incluiu supersafra de grãos maior oferta de coprodutos agroindustriais e mercado firme para a carne bovina impulsionado por exportações recordes abertura de novos destinos internacionais e demanda doméstica resiliente", informou Paulo Dias, CEO da Ponta Agro.
No Cento-Oeste, o ICAP fechou dezembro em R$ 12,69, com alta de 1,28% frente a novembro. No Sudeste, o índice caiu para R$ 11,74, queda mensal de 4,40%, marcando o menor valor do ano. Na média anual, o ICAP de 2025 ficou 12,01% abaixo de 2024 no Centro-Oeste e 3,84% menor no Sudeste.
Diferenças regionais nos insumos
Apesar da queda de 6,61% no milho grão úmido no Centro Oeste pressões em outros componentes da dieta impediram uma retração mensal do índice. O custo da ração de terminação encerrou dezembro em R$ 1.092,25 por tonelada de matéria seca com reduções expressivas no farelo de arroz e no milho grão parcialmente compensadas por altas em volumosos casca de soja e polpa cítrica.
No Sudeste, o movimento foi mais deflacionário. A maior oferta de bagaço de cana e silagens durante a moagem derrubou os custos da ração em 7,28% no mês. A dieta de terminação ficou em R$ 1.143,86 por tonelada de matéria seca praticamente estável mas com queda acumulada de 13,06% nos volumosos ao longo do período.
Margens recordes no confinamento
Com a combinação de custos menores da porteira para dentro e preços sustentados da porteira para fora dezembro consolidou as melhores margens do ano para o confinamento bovino. Pelos parâmetros médios de produção o custo da arroba ficou praticamente igual nas duas regiões em R$ 186,23 no Centro Oeste e R$ 186,36 no Sudeste.
No Centro Oeste a margem estimada foi de R$ 124,77 por arroba o que resultou em lucro médio de R$ 1.040,62 por cabeça. Já no Sudeste a margem alcançou R$ 139,14 por arroba elevando o ganho para R$ 1.127,06 por animal.
Alternativa para investidores
Os números reforçam o confinamento como uma alternativa cada vez mais atrativa dentro do portfólio do agronegócio brasileiro. Margens elevadas custos previsíveis em ambiente de oferta abundante de grãos e demanda internacional aquecida criam um cenário favorável para expansão de capacidade investimentos em tecnologia e maior profissionalização das operações.
Ao mesmo tempo especialistas do setor destacam que a volatilidade típica dos mercados de grãos e da arroba segue exigindo atenção à gestão de risco com uso de hedge diversificação de insumos e foco em eficiência alimentar.
Com custos próximos das mínimas históricas e a arroba sustentada o confinamento bovino fechou 2025 no radar dos investidores como um dos segmentos mais rentáveis do agro brasileiro.


